Campeonato Brasileiro

O Botafogo criou suas armadilhas e, ótimo nos contra-ataques, encerrou a invencibilidade do Galo

O grande jogo da rodada no Campeonato Brasileiro aconteceu no Estádio Nilton Santos. O Atlético Mineiro começa a campanha como o time a ser batido e tentava emendar a quarta vitória consecutiva, diante do Botafogo. Os cariocas, entretanto, conseguiram segurar o Galo e arrancaram um triunfo que também custou a liderança aos mineiros. O time de Paulo Autuori conteve o ímpeto dos comandados de Jorge Sampaoli com boa organização defensiva, apesar dos riscos. Além do mais, também houve uma aula dos botafoguenses nos contragolpes para construir a ótima vitória por 2 a 1, a primeira da jovem equipe nesta Série A.

Como era de se imaginar, o Atlético Mineiro teria mais volume de jogo e pressionaria no ataque. Assim aconteceu desde o primeiro tempo, com perigos constantes à meta de Gatito Fernández. Seriam algumas intervenções do arqueiro nos 15 minutos iniciais, enquanto Rafael acabaria exigido uma vez. As jogadas do Galo quase sempre vinham pela esquerda, com as subidas de Guilherme Arana. E o gol quase saiu aos 24, a partir de uma cobrança de escanteio que Júnior Alonso desviou contra o travessão botafoguense.

Se a estratégia do Botafogo era buscar os contra-ataques, o gol aos 25 facilitou essa tônica. Luis Henrique fez a jogadaça pela esquerda e deixou Guga na saudade, antes de sua batida rasteira ser parcialmente defendida por Rafael. Na sobra, Luiz Fernando não perdoou. A resposta do Atlético viria primeiro com Marquinhos e depois com Keno. Gatito permanecia intransponível, com duas ótimas intervenções, embora o Galo também falhasse na construção, diante da sólida proteção da zaga botafoguense. E a vantagem dos cariocas até poderia ter sido mais ampla antes do intervalo, quando Pedro Raul desperdiçou chance livre nos acréscimos.

O segundo tempo recomeçou com enorme pressão do Galo, mas de novo dificuldades na conclusão das jogadas, especialmente com Hyoran. O Botafogo tentava sair em velocidade e encontrava os espaços às costas da zaga. Era uma partida inteligente dos anfitriões, cientes de suas limitações e explorando o posicionamento do Galo. O empate esteve mais próximo ao Atlético aos 24, numa linda batida de Savarino que explodiu no travessão. Mas logo os botafoguenses se mostraram mais aptos a aumentar a diferença, na base dos contragolpes.

Bruno Nazário começou a aparecer e parou em Rafael. Outro a se destacar foi Matheus Babi, jovem atacante que agrada em suas primeiras partidas com o Botafogo. Com bom porte físico, também se movimenta e trabalha com as duas pernas. Ele entregaria um presente para Nazário balançar as redes, mas um toque de mão do próprio Babi anulou o lance. E apesar da insistência do Galo, o próximo tento seria mesmo botafoguense, aos 41. O contra-ataque contou com tabela entre Bruno Nazário e Matheus Babi, até que o garoto cruzasse para Caio Alexandre completar no meio da área. Foi o que garantiu a tranquilidade aos cariocas, que não se abalaram nem mesmo com o tento de Igor Rabello para descontar aos 51, após bom passe de Jair.

O Atlético dominou a partida e mais uma vez mostrou sua iniciativa. Mas isso é insuficiente quando o ataque não garante a eficiência e a defesa se mostra vulnerável. A equipe permanece no primeiro pelotão, mas deixa a liderança com o Internacional. Já o Botafogo sabe que não pode basear seu time nos contra-ataques toda vez, mas teve bons sinais nesta quarta. Gatito deu mais motivos à adoração e Matheus Babi vira o novo xodó da torcida. Pelo bom funcionamento da equipe, há motivos para se animar.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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