Noroeste, Maranhão, Maringá: a tradição fez a festa nos estaduais durante o fim de semana

Há uma década, o Noroeste vivia um dos melhores momentos de sua história. O tradicional clube de Bauru conquistou o Torneio do Interior no Paulistão de 2006, que lhe valeu a participação também na Copa do Brasil. Época em que os alvirrubros costumavam fazer boas campanhas no estadual e disputavam os torneios nacionais, incluindo a Série C. Entretanto, a partir de então, o Norusca entrou em espiral. Caiu no Paulista em 2009 e reconquistou o acesso na temporada seguinte, ano de seu centenário. Prelúdio da desgraça que vive desde 2011: foram três descensos em quatro temporadas consecutivas, chegando ao último nível do Paulistão em 2015. Redenção que começou neste domingo, com o acesso na quarta divisão.
Para subir na chamada Segunda Divisão do Paulistão, no entanto, o Noroeste sofreu um bocado. Até passou com tranquilidade pela primeira fase, mas conquistou o acesso por um triz. Os alvirrubros empataram por 2 a 2 com o Fernandópolis em Bauru, diante de sete mil torcedores. Que só puderam festejar após a confirmação da vitória da Inter de Bebedouro por 5 a 1 sobre o Lemense. Caso a Inter marcasse mais três gols, superaria o Norusca no saldo e iria à Série A-3 em 2016. Além dos noroestinos, também subiram à terceira divisão estadual Fernandópolis, São Carlos e Olímpia.
A crise do Noroeste, obviamente, não se limitou ao terreno esportivo. Os alvirrubros também sofreram com as dificuldades financeiras, acumulando dívidas e mudanças de gestão. Durante as sucessivas quedas no estadual, o Norusca chegou a extinguir parte de suas categorias de base e também entrou na mira do Sindicato dos Atletas, denunciado por atrasos de salários. Já na reconstrução, um passo importante veio com a parceria firmada junto à Ferroviária de Araraquara na montagem do elenco. Deu certo e a fórmula deve se repetir também em 2016. Ótimo para um clube com tradição e torcida como o Noroeste, que merece se reconstruir. O futebol paulista como um todo se beneficia com isso.
Abaixo, os outros destaques da coluna semanal Lado B de Brasil, que traz o futebol além da Série A. As outras divisões nacionais vivem seus momentos decisivos, mas também tem muita coisa legal rolando nas divisões inferiores dos estaduais. Confira:
Pelo Brasil
Lajeadense, o Rei de Copas
O ambiente na Boca do Lobo era fantástico. Se a torcida do Brasil vivia a euforia com a vaga na Série B, os fiéis do Pelotas mostraram que não ficam para trás em fanatismo, mesmo longe das divisões nacionais. E lotaram as arquibancadas para o duelo decisivo com o Lajeadense pela Copa FGF. Só que a vibração não adiantou para ajudar na final. A equipe de Luiz Carlos Winck se refez rápido da frustração pela eliminação na Série D e ficou com a taça estadual, graças à vitória por 1 a 0 sobre os pelotenses. A conquista põe o Lajeadense na Copa do Brasil de 2016, assim como na Supercopa Gaúcha. Com o bicampeonato do torneio, os alviazuis acumulam cinco títulos de copas estaduais desde 2014.
Vídeo da recepção e da festa no estádio da torcida do Pelotas no jogo de quinta-feira contra o Lajeadense.#LiberemAFesta
Posted by O Canto das Torcidas on Sábado, 24 de outubro de 2015
Maringá na cola dos rivais
O Norte do Paraná possui duas das principais cidades do interior do Brasil. Londrina e Maringá disputam não apenas a hegemonia regional, como também são rivais em diversos outros aspectos. Inclusive no futebol. E enquanto os londrinenses festejam o segundo acesso nacional consecutivo, retornando à Série B do Brasileirão, o Maringá começa a caminhada para tentar o mesmo sucesso. Neste final de semana, os maringaenses bateram o Toledo e conquistaram a Taça FPF, que dá vaga à Série D. Estão garantidos na quarta divisão do Brasileiro em 2016.
Mais sofrimento da Tuna Luso
Paysandu e Remo protagonizam a maior rivalidade do Pará. Mas, ainda que a supremacia da dupla seja imensa, não dá para menosprezar a importância e a tradição da Tuna Luso. A Águia soma dez títulos estaduais e mais de 70 participações na primeira divisão paraense. Contudo, o clube continuará no mesmo limbo pelos próximos meses. Em 2014, os lusos foram rebaixados da elite, mas buscaram o retorno logo no segundo semestre. Neste ano, nem isso. Depois de cair novamente na primeira divisão, o time terminou a campanha na segundona de maneira melancólica. Conquistou apenas dois pontos em cinco jogos, e pela primeira vez desde a década de 1930 não disputará o Parazão.
A volta do Maranhão
Se quiser um exemplo a seguir, aliás, a Tuna Luso pode observar o Maranhão. O tradicional MAC, dono de 15 títulos maranhense, está de volta à elite do campeonato estadual. Depois de ficar com a taça em 2013, o time tricolor acabou rebaixado no ano seguinte. Buscou a redenção com uma campanha relativamente tranquila na segunda divisão, levantando a taça após bater o Marília nos dois jogos da final. Em 2016, os clássicos de São Luís estarão completos, com os duelos diante de Sampaio Corrêa e Moto Club.

O Íbis do Amazonas
O Operário de Manacapuru vivia uma temporada especial em 2015, com a chance de disputar a primeira divisão do Campeonato Amazonense. Sonho que logo se transformou em pesadelo, dos grandes. O clube do interior ganhou o apelido de “Íbis Baré”, diante da campanha vexatória que emendou a partir de então. Rebaixada no estadual, a equipe também se tornou o saco de pancadas na Copa Amazonas, que dá acesso à Série D. São 21 derrotas consecutivas em 22 jogos no ano, salvando-se apenas na estreia, quando empatou por 2 a 2 com o Princesa do Solimões. Só não vai superar a marca negativa do Guaratinguetá em 2015: entre fevereiro e agosto, a Garça passou 24 partidas em jejum, pela A-2 do Paulista e pela Série C do Brasileiro.
O calote mais vergonhoso do Brasil
As enormes dívidas dos clubes não são novidade para ninguém que acompanha o futebol brasileiro, ainda mais nas divisões inferiores. Mas o “me engana que eu gosto” do Juventude de Tocantins extrapolou. O clube foi excluído da Segunda Divisão Tocantinense por não pagar as cotas de arbitragem. A diretoria deu um cheque sem fundos para a federação e, desde sábado, ninguém consegue entrar em contato com os dirigentes.
Série B
Botafogo Sassapecando
Restando mais seis rodadas para o fim da Série B, o Botafogo abre cinco pontos de vantagem na liderança e 12 para o quinto colocado. Não adianta nem evocar o velho ditado, “há coisas que só acontecem com o Botafogo”, que os alvinegros não perderão o acesso. Passos firmes rumo à Série A dados neste sábado, com a notável goleada por 4 a 1 sobre o Náutico dentro da Arena Pernambuco. E o nome do jogo foi o atacante Sassá, um dos destaques do time de Ricardo Gomes nesta reta final de campanha. O garoto balançou as redes três vezes e soma sete gols na competição.

G-4 se definindo?
Enquanto isso, os times mais fortes na busca pelo acesso começam a se distanciar, depois da embolação que durou boa parte do campeonato. O Vitória só empatou com o CRB, mas aparece com sete pontos de sobra dentro da zona de acesso. Logo atrás aparecem América Mineiro e Bahia, que venceram na rodada e aparecem quatro pontos à frente do quinto. Pior para três gigantes do Norte e do Nordeste, empacados às margens do G-4. O Sampaio Corrêa voltou a vencer depois de seis rodadas em jejum, o Santa Cruz ganhou um de seus últimos cinco jogos e o Paysandu perdeu ou empatou nas últimas seis rodadas.
O Ceará ainda sonha
Mogi Mirim e Boa Esporte podem se considerar rebaixados. O ABC depende de um milagre gigantesco. Mas o Ceará ainda se agarra no fio de esperança para evitar a Terceirona em 2016. O Vozão venceu os dois últimos jogos, incluindo o líder Botafogo. Está seis pontos atrás de Macaé e Oeste, sendo que os fluminenses ainda são os seus adversários na rodada final. Dá para ganhar fôlego, e as duas próximas partidas são fundamentais para isso, diante justamente de Mogi e ABC. Se a salvação vier, será mais um motivo para espezinhar o rival Fortaleza, que continua em seu calvário na Série C.
Série C
A festa ficou para trás em Juiz de Fora
Depois de 26 anos tentando, o Tupi finalmente conseguiu assegurar o seu retorno à Segundona. A vitória sobre o Asa de Arapiraca rendeu grande festa na cidade mineira, com a torcida saindo às ruas para celebrar o feito do Galo Carijó. Mas a empolgação não parece ser tanta assim diante da chance de conquistar a Série C. Apenas 3,7 mil pagantes estiveram no Estádio Mario Helênio para o primeiro encontro com o Londrina, pelas semifinais. Não perderam muita coisa, afinal, diante do empate por 0 a 0. Melhor para o Tubarão, com a chance de decidir no Estádio do Café, onde deverá contar com presença maior da torcida.

O Bento Freitas se inflamou, em vão
Já a outra semifinal da Terceirona também não saiu do zero, entre Brasil de Pelotas e Vila Nova. O Xavante entrou em ebulição com o acesso e teve a boa notícia da reforma do Estádio Bento Freitas pensando na Série B, modernizando as instalações sem perder o espírito de alçapão. E os rubro-negros até tentaram intimidar o Tigre, lotando as arquibancadas no duelo desta segunda. Em partida movimentada especialmente no primeiro tempo, faltaram mesmo os gols, diante do aproveitamento ruim nos arremates.
Série D
A estrela da sorte do Pantera
Já nas semifinais da quarta divisão, o Botafogo começou construindo boa vantagem sobre o Remo. O time de Marcelo Veiga não contou com tanta presença da torcida, mas fez a sua parte no Estádio Santa Cruz com o triunfo por 1 a 0. E a estrela foi Canela, autor de gols decisivos para o Botinha na competição. Depois de passar 40 dias no estaleiro por conta de uma operação no joelho, o atacante fez um dos tentos na eliminação do Crac nas oitavas de final e voltou a pesar contra os paraenses, balançando as redes aos 41 do segundo tempo. Problema para os paulistas apenas pelo comportamento de seus torcedores, denunciados na súmula por arremessarem bombas no fosso do estádio.

O fico do craque?
Enquanto isso, o Remo se prepara para lotar o Mangueirão mais uma vez para o jogo de volta, ainda que o pensamento da torcida não se concentre apenas no duelo contra o Botafogo. Os azulinos também estão na expectativa sobre a permanência de Eduardo Ramos, camisa 10 e astro da equipe na conquista do acesso. Disputando com Yago Pikachu o posto de melhor jogador do Norte em 2015, o meia tem proposta para se transferir ao Guangzhou Evergrande, que disputa a final da Liga dos Campeões da Ásia. Ramos indicou a vontade de permanecer, embora pareça difícil recusar o dinheiro do clube chinês.
Na festa do Albertão, o Ríver se impôs
Outra cidade em polvorosa com as divisões inferiores é Teresina, depois que o Ríver confirmou a vaga na Série C. Motivo mais que suficiente para casa cheia no Albertão para o primeiro confronto das semifinais, diante do Ypiranga de Erechim. Além de marcar presença nas arquibancadas, a torcida tricolor também clamava pela permanência do técnico Flávio Araújo, pretendido por outros clubes. Já dentro de campo, os piauienses compensaram o apoio com a vitória por 2 a 0. Edu foi o nome do jogo, balançando as redes duas vezes, a segunda aos 45 do segundo tempo. Já do outro lado, o Ypiranga voltou para o Rio Grande do Sul na bronca, depois de dominar a etapa final, com direito a um gol anulado e dois pênaltis reclamados.



