Brasileirão Série A

Max não precisou ser idolatrado para que o carinho prevalecesse e ecoasse no Nílton Santos

Quando Botafogo e Atlético Mineiro entraram em campo no Estádio Nilton Santos, o tributo era mais do que esperado. Nesta quarta, aos 42 anos, o ex-goleiro Max sofreu morte encefálica, após passar as últimas semanas internado com um edema cerebral. Foram cinco anos de serviços prestados na meta botafoguense, de 2002 a 2007. Antes do pontapé inicial pela Copa do Brasil, os dois times respeitaram um minuto de silêncio. Já nas arquibancadas, ecoava o nome de Max, gritado pelos torcedores. Uma homenagem não por idolatria, mas sim por respeito e carinho.

Formado pela Portuguesa da Ilha, Max defendeu muitas equipes tradicionais do Campeonato Carioca. Vestiu também as cores de Bangu, America e Friburguense, até ganhar a sua grande chance no Botafogo. Uma ótima atuação contra os alvinegros motivou sua contratação para a sequência do ano em 2002. Uma temporada que a maioria absoluta dos botafoguenses prefere esquecer, com o rebaixamento no Brasileirão. Reserva, o goleiro não teve culpa diretamente, mas esteve presente naquela campanha.

Durante o calvário na Série B, Max viveu o seu momento de maior importância no Botafogo. Foi um dos principais jogadores na competição, contribuindo para o acesso. Mas não era unanimidade para assumir a meta alvinegra. Não à toa, voltou ao banco diante da ascensão de Jefferson, em sua primeira passagem por General Severiano, emprestado pelo Cruzeiro. A saída do futuro ídolo recolocou Max na meta, alternando-se entre os titulares e os reservas. A irregularidade sob as traves explicava a falta de confiança. O profissionalismo imenso e a humildade contribuíam para a sua permanência.

Em 2006, era Max quem estava no gol quando o Botafogo voltou a conquistar o Campeonato Carioca. O clube encerrava o jejum de oito anos no estadual, mas em título de pouquíssimo brilho, em uma competição esvaziada. Na decisão, os botafoguenses bateram o Madureira. Já no ano seguinte, desfrutou seus últimos meses com a Estrela Solitária no peito. O Botafogo montou um time de impacto, treinado por Cuca, mas não engrenou totalmente. A falta de segurança no gol era uma das razões pelos resultados errantes. Max contribuiu negativamente neste aspecto, marcado especialmente pela falha na decisão do Carioca contra o Flamengo. Também estava em campo na famosa virada do River Plate na Copa Sul-Americana, em que os Millonarios marcaram três gols nos últimos 20 minutos para buscar uma classificação. Em má atuação, o arqueiro viu as portas de General Severiano se fecharem.

Max seguiu em frente se transferindo ao Vila Nova. Inicialmente emprestado pelo Botafogo, acabou contratado em definitivo pelo Tigre, permanecendo em Goiânia de 2008 a 2010. A partir de então, virou andarilho da bola nos últimos anos da carreira. Jogou por Joinville, Boa Esporte, Gama. Pendurou as luvas em 2014, de volta ao Rio de Janeiro, sob as traves do Barra da Tijuca. Aos 39 anos, se despediu na segundona carioca.

O quadro clínico de Max nas últimas semanas era bastante delicado. Em uma tentativa de assalto, o veterano sofreu um grave acidente de carro, mas já estava recuperado, em casa. Entretanto, passou a sofrer com dores de cabeça e confusão mental – o que, segundo os médicos, poderia representar uma doença rara e autoimune. Nesta quarta, sem responder aos estímulos, sua morte encefálica foi confirmada. Ficam muitas lembranças, não necessariamente todas boas, entre os botafoguenses. Mas prevalece a consideração por aquele que defendeu a instituição por tanto tempo. O carinho pelo homem que deixou família e amigos, muitos deles dentro do próprio Botafogo. O nome gritado pelo estádio lotado, como mal conseguiu presenciar em vida, é simbólico.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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