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Londrina reafirma sua força nacional e volta à Série B, na qual já esteve por 19 temporadas

A partir da década de 1970, o Londrina se tornou um clube de peso no futebol nacional. Em tempos de Brasileirão inchado, o Tubarão era figura recorrente entre a Taça de Ouro e a Taça de Prata. Além disso, também fazia por merecer a fama no Campeonato Paranaense, disputando a taça quase sempre. Manteve sua relevância, ao menos na Série B, até a primeira metade dos anos 2000. Foi quando veio a derrocada. Caiu para a Terceirona, antes de deixar de aparecer no torneio e até ser rebaixado no estadual. Mas se reergueu. E, a partir de 2011, começou a viver a sua escalada, coroada neste domingo. Com a vitória por 1 a 0 sobre o Confiança, os paranaenses confirmaram o retorno à Série B depois de 12 anos de ausência. A divisão nacional em que são mais frequentes, indo para a 20ª participação.

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Desde que voltou à elite do Paraná, o Londrina sempre se manteve entre os cinco primeiros. Em 2014, chegou a reconquistar o estadual, encerrando o jejum de 23 anos. Prévia do sucesso que também aconteceria nos nacionais. Depois de cair nas oitavas da Série D para o Juventude no ano anterior, o Tubarão conquistou o acesso. E só passou uma temporada na Série C, antes de emendar outra comemoração. Feito garantido em uma campanha que nem sempre foi tranquila.

Depois de um bom início no Grupo B, o Londrina só conquistou uma vitória em sete jogos a partir da quinta rodada, sendo cinco empates. A sequência de tropeços em casa fez o presidente multar o elenco, um absurdo que acabou respondido em campo. A partir de então, os paranaenses pegaram embalo e venceram cinco das últimas sete partidas, assumindo a liderança da chave. Cruzariam nas quartas de final com o Confiança, que também vinha em ascensão no Grupo A.

Entretanto, a classificação do Londrina começou a ser escrita desde Aracaju. Apesar do apoio da torcida do Confiança, que lotou o estádio, o Tubarão voltou do Sergipe com o empate por 0 a 0. Para decidir em casa, diante de 29 mil vozes empurrando o time no Estádio do Café. A empolgação dos anfitriões surtiu efeito desde o começo da partida. E, partindo para cima, o Londrina anotou o gol decisivo aos 13 minutos. Após cobrança de escanteio, Edmar parou em grande defesa de Rafael Sandes, mas Luizão aproveitou o rebote para estufar as redes.

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O resultado já era suficiente ao Londrina, embora um gol desse a classificação ao Confiança. E o jogo seguiu bastante disputado no meio de campo. Nas melhores oportunidades, o goleiro Vitor salvou o Tubarão. Já no segundo tempo, os londrinenses até começaram melhores, buscando o segundo tento. Mas a expulsão do volante Germano, aos 20 minutos, mudou os rumos do jogo. Com um a menos, os anfitriões precisaram se fechar. E passaram a tomar pressão do Confiança.

Os sergipanos, no entanto, não conseguiam se aproximar tanto do gol, e Vitor precisou fazer apenas mais uma defesa decisiva. Além disso, os paranaenses amarravam o ataque adversário e gastavam o tempo – em atrasos na reposição que foram exagerados e não contaram com a repreensão devida do árbitro. Depois de um segundo tempo arrastado, em que a bola pouco rolou, o Londrina confirmou o acesso. Estava de volta à Série B, que disputou ininterruptamente entre 1994 e 2004. Ao Confiança, restará tentar outra vez o sucesso na Terceirona, depois de também ter vindo da Série D em 2014.

Agora, é acompanhar a celebração que deverá tomar as ruas da cidade de 550 mil habitantes. O público foi se empolgando com o Londrina ao longo da Série C, chegando ao acesso com média de 9 mil por jogo – impulsionada, é claro, pela partida decisiva. Ainda assim, em um município de médio porte, dá para se esperar uma torcida presente ao longo da campanha na Segundona. Não será sem motivo. O Londrina vive os seus melhores momentos em muito tempo e é representativo não só para a sua população. Vários clubes tradicionais do interior conquistaram o acesso, enquanto outros ficaram no quase, rebatendo o fenômeno recente, em que se espalhavam equipes artificiais. Como o Brasil de Pelotas, o Londrina leva camisa pesada à Série B. E dá o exemplo aos vizinhos do interior paranaense.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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