Brasileirão Série A

Vasco: Justiça mantém a absurda interdição de público em São Januário

Tribunal de Justiça manteve a proibição de público em jogos do Vasco em São Januário mais de dois meses depois da confusão em jogo do Brasileiro

Em mais uma decisão lamentável, que prejudica o Vasco, os torcedores e moradores da Barreira do Vasco, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve a proibição de público em São Januário. Por dois votos a um e com o argumento de que não há comprovação de segurança no local, a justiça comum, em julgamento na Segunda Câmara de Direito Privado, manteve, na prática, a interdição do estádio. Caso o Cruz-Maltino queira jogar com o apoio do seu torcedor, terá que mandar as próximas partidas longe da Colina até um novo julgamento. O clube vai recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.

A relatora desembargadora Renata Cotta e desembargador Carlos Santos de Oliveira votaram contra a liberação de São Januário. Os dois argumentaram que ainda falta ser realizada uma perícia no estádio e que, enquanto não estiver comprovada a segurança do local, a liminar que impede a presença de público em São Januário deve ser mantida. No entanto, o Vasco aguarda a perícia desde a interdição do estádio, no fim de junho, após a confusão na partida contra o Goiás, pelo Campeonato Brasileiro. A perita designada para o serviço pediu 90 dias para concluir o trabalho. Já se passaram 69 dias. Enquanto isso, o clube possui todos os laudos liberando o estádio para o seu pleno funcionamento.

Por outro lado, a desembargadora Andréa Pacha votou para que São Januário fosse liberado sob o argumento de que o clube não tem poder de polícia e tomou todas as medidas dentro do seu alcance para tornar o lugar seguro. Além disso, ela também citou o apedrejamento do ônibus do Botafogo por parte de torcedores do Fluminense, perto do Aeroporto do Galeão, para exemplificar a violência que ocorrer dentro e fora dos jogos e dos estádios.

Decisão foi baseada em relato elitista e preconceituoso

Desde a confusão na partida contra o Goiás, pelo Brasileiro, o Vasco vem sofrendo com punições esportivas e pela justiça comum. O Vasco foi punido pelo STJD com quatro jogos sem público. Além disso, uma decisão polêmica e baseada num relato preconceituoso de um juiz, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro interditou inicialmente o Estádio de São Januário para receber qualquer tipo de evento esportivo. Em seguida, a Justiça liberou o local para receber jogos, mas sem público.

A interdição do estádio do Vasco se deu por um pedido do Ministério Público. A solicitação foi feita pelo promotor Rodrigo Terra com base no relato do juiz de plantão na partida contra o Goiás, Marcello Rubioli. No relato, Rubioli citou supostos “estampidos de disparos de armas de fogo”, que ocorreriam “comumente” na região (o estádio do Vasco é cercado pela Barreira do Vasco). Ele ainda criticou as “ruas estreitas” do local o fato dos torcedores “se embriagarem”.

Desde então, além do próprio Vasco e de seus torcedores, os comerciantes, ambulantes e moradores dos arredores do estádio também vem sofrendo prejuízos com os jogos sem público. O clube, a Associação de Moradores da Barreira do Vasco, torcedores e políticos se mobilizaram para tentar pressionar o Tribunal de Justiça. Um abaixo-assinado feito pelos deputados estaduais Tarício Motta (PSOL) e Dani Monteiro (PSOL) teve mais de 13 mil assinaturas pedindo a liberação do estádio.

Comerciantes e ambulantes têm ficado no prejuízo com jogos sem público em São Januário (Foto: Gabriel Rodrigues/Trivela)

Vasco vai recorrer ao STJ e tenta acordo com o MP

Com a manutenção da decisão de proibir o público em São Januário, o Vasco vai recorrer ao Superior Tribunal da Justiça, em Brasília. Além disso, o clube também conversa com o Ministério Público do Rio de Janeiro para formalizar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC)

– Vamos continuar lutando. Isso é muito importante que o torcedor vascaíno entenda. O Vasco, a torcida do Vasco e a Barreira do Vasco não podem mais ser prejudicadas. Vamos adotar todas as medidas possíveis e imagináveis para que o Vasco tenha êxito nos seus direitos. Isso precisa ficar claro, não só na nossa posição em relação ao Maracanã, mas como na liberação completa de São Januário. Nós precisamos disso, a torcida precisa disso e a Barreira do Vasco precisa de São Januário de volta – afirmou Gisele Cabrera, diretora jurídica do Vasco.

Desde a interdição de São Januário, o Vasco vem realizando reuniões com a Polícia Civil, Polícia Militar, CET-Rio, Comlurb e outros órgãos e instituições públicas responsáveis pela organização dos arredores dos estádios em dias de jogos. O clube entende que já fez tudo que poderia fazer em relação a São Januário. Agora, o problema estaria nos arredores, onde o clube não tem como interferir diretamente.

Foto de Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues

Jornalista formado pela UFF e com passagens, como repórter e editor, pelo LANCE!, Esporte News Mundo e Jogada10. Já trabalhou na cobertura de duas finais de Libertadores in loco. Na Trivela, é setorista do Vasco e do Botafogo.
Botão Voltar ao topo