Brasileirão Série A

Após emoções na Libertadores, Internacional e Fluminense fazem jogo morno e não saem do zero

Após semifinal da Libertadores decidida nos últimos minutos, Internacional e Fluminense fazem jogo de poucas emoções no Brasileirão e placar fica no zero

No reencontro entre Internacional e Fluminense após se enfrentarem pela semifinal da Libertadores, conquistada pelo Tricolor, o 0 a 0 não saiu do placar no Beira-Rio pelo Campeonato Brasileiro. As equipes fizeram jogo até movimentado, com muitas chances, mas sem gols. Ao fim, Eduardo Coudet e Fernando Diniz, que tiveram entrevero na competição internacional, se abraçaram.

Nas arquibancadas, os tricolores gritaram “É campeão!” e ironizaram Enner Valencia, que perdeu muitas chances na partida de volta da semifinal, no mesmo estádio.

Inter é superior no primeiro tempo, mas falta contundência

Mesmo com Nico Hernández e Thauan Lara novamente à disposição, Coudet optou por iniciar mais uma vez com o contestado Dalbert na lateral-esquerda do Internacional. Essa foi a única diferença em relação ao considerado time ideal do treinador argentino, que tem Renê se recuperando de lesão muscular.

Assim como aconteceu na semifinal da Libertadores, a marcação alta do Inter dificultou a já tradicional saída de bola curta do Fluminense no primeiro tempo. Ao mesmo tempo, à exceção de duas bolas esticadas às costas de Dalbert, o Colorado esteve atento para a tentativa do time de Diniz de atrair o adversário para explorar a profundidade.

Dessa forma, o Inter conseguiu ficar mais tempo no campo de ataque do que o Flu na primeira etapa. A partir de roubadas de bola de Maurício, e de dribles de Wanderson sobre Guga, o Colorado conseguia rondar a área do Tricolor. Entretanto, faltava melhor tomada de decisão e, no caso de Enner Valencia, posicionamento.

Além dos lances com Valencia, as vezes em que o Inter chegou mais perto de marcar no primeiro tempo vieram dos pés de Alan Patrick. Aos 17, Maurício roubou a bola e acionou o camisa 10 na intermediária. Ele cortou a marcação de Guga e chutou forte, de canhota. Fábio fez espetacular defesa de mão trocada. Já nos acréscimos, o capitão colorado cobrou falta muito perto do ângulo direito.

Por sua vez, Rochet só teve que trabalhar uma vez com maior exigência no primeiro tempo. Foi aos 26 minutos. Aránguiz entrou mole em disputa com Léo Fernández, que o driblou e chutou forte próximo à entrada da área, obrigando o goleiro uruguaio a espalmar pela linha de fundo.

De ressaca, Fluminense entra em rotação mais lenta que o Inter

Já era de se esperar que o Fluminense estivesse de ressaca depois de comemorar o sonhado título da Libertadores. O time comandado por Fernando Diniz fez o treinador berrar como sempre na área técnica enquanto se apresentava em uma rotação mais lenta que o Internacional.

A equipe de Eduardo Coudet, que não tem nada com isso, enfileirou chances, principalmente procurando Enner Valencia em diagonais no meio da defesa. O equatoriano, entretanto, fez um primeiro tempo que lembrou sua atuação no jogo no mesmo Beira-Rio pela Libertadores: perdeu muitos gols. O atacante equatoriano ficou impedido quatro vezes ao longo do primeiro tempo. Em caso de gol, possivelmente as linhas ajustadas do VAR seriam solicitadas.

A melhor oportunidade colorada viria com Alan Patrick, como sempre destaque. O camisa 10 aproveitou bobeira da defesa, aos 17 minutos, limpou Guga e soltou uma bomba, mas parou em grande defesa de Fábio. O Fluminense só assustou aos 26, com jogada até parecida do uruguaio Leo Fernández, aniversariante do dia. O meia avançou pela direita e obrigou Rochet a fazer defesaça para salvar o Inter.

Internacional cansa novamente no segundo tempo

Com atuação abaixo do habitual, o meio-campista chileno deu lugar a Bruno Henrique já no intervalo. Logo aos 2 minutos, após saída arriscada do Fluminense, Mercado ganhou dividida de Léo Fernández e a bola sobrou para Maurício. Livre, de frente para o gol, o meia finalizou rasteiro, de perna direita, muito perto da trave esquerda de Fábio.

Porém, seja por desgaste, ou por mérito do Tricolor, o Colorado já não conseguia pressionar a saída de bola da mesma forma. Com isso, espaços apareceram, e o jogo virou de trocação. Entre os 5 e os 10 minutos, o Fluminense teve finalizações com Lima, defendida por Rochet; Arias, em contra-ataque perigoso no qual faltou perna para definir melhor; e Diogo Barbosa, em chute colocado que passou à esquerda.

Enner Valencia não balançou as redes contra o Fluminense mais uma vez e viu a torcida tricolor ironizá-lo nas arquibancadas após chances perdidas na Libertadores - Foto: Icon Sport
Enner Valencia não balançou as redes contra o Fluminense mais uma vez e viu a torcida tricolor ironizá-lo nas arquibancadas após chances perdidas na Libertadores – Foto: Icon Sport

Aos 14, Enner Valencia arrancou em contra-ataque e escorou para Wanderson, que chutou desviado para defesa do goleiro. Um minuto depois, o próprio equatoriano arriscou de fora da área, em chute forte que passou à esquerda.

Porém, com apenas 10 minutos em campo, Matheus voltou a sentir problema muscular, que antecedeu sua ida com a Seleção Brasileira ao Chile, e foi sentida por lá também. De Pena entrou na sua vaga, recolocando Maurício pela direita. Com Alan Patrick pouco inspirado, e sem alternativa de velocidade em campo, o Inter apresentou muita dificuldade para criar na reta final do jogo.

Rara ocasião aconteceu aos 42 minutos, quando o camisa 10 cruzou para Enner Valencia na segunda trave. O equatoriano cabeceou cruzado, e André tirou na pequena área. O Colorado ainda quase sofreu gol da derrota aos 45, mas Guga concluiu para fora.

Fluminense melhora depois do intervalo, mas não tira zero do placar

Jogo festivo? Não para Fernando Diniz. Depois de gritar muito e reclamar da equipe, o treinador promoveu mudanças no Fluminense já no intervalo. Saíram Nino e Alexsander, entraram Martinelli e Keno. André, como de costume, foi para a zaga, e o Tricolor se lançou à frente.

A decisão fez o jogo se abrir e melhorar bastante. Logo aos dois minutos, o Flu errou na saída de bola e viu Maurício assustar Fábio. No minuto seguinte, em resposta, Guga cruzou para Lima, que matou dentro da área e chutou firme para Rochet salvar o Inter mais uma vez. Não parou por aí: aos sete, Leo Fernández achou Arias, que bateu para tirar tinta da trave colorada. Na resposta, o bate e rebate na área tricolor sobrou para Johnny, que bateu com desvio e viu o goleiro do Fluminense fazer uma defesaça. Ufa!

De ressaca após título da Libertadores, Fluminense de Jhon Arias não saiu do zero contra o Internacional no Beira-Rio - Foto: LUCAS MERÇON/FLUMINENSE FC
De ressaca após título da Libertadores, Fluminense de Jhon Arias não saiu do zero contra o Internacional no Beira-Rio – Foto: LUCAS MERÇON/FLUMINENSE FC

A partir daí, o Fluminense passou a controlar a posse de bola e a envolver um Inter nitidamente cansado. Apesar disso, Coudet relutava em mexer. Isso só foi acontecer aos 30 minutos, com as entradas de Nico Hernández e Matheus Dias nos lugares de Dalbert e Wanderson. O meio-campista, que retornou após conquistar medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos, entrou pelo lado direito, passando Maurício para a esquerda.

Se o início foi promissor, entretanto, o Tricolor pareceu sentir o desgastante jogo do final de semana. Nem mesmo mais mexidas de Diniz, que colocou Ganso e Yony González, fizeram o Flu seguir em rotação alta. O lance mais perigoso foi já no fim: aos 45, Guga recebeu de Lima na área e desviou para assustar Rochet. O Inter, em mais um segundo tempo cansado, tampouco produzia. O jogo caminhava a passos largos para um zero a zero que seguiu mesmo no placar.

Fluminense segue na oitava posição do Brasileiro

Campeão da Libertadores e já sem objetivos pelo Campeonato Brasileiro, o Fluminense seguiu na oitava posição da tabela, com 46 pontos em 32 jogos. O Tricolor utiliza a competição como preparação para o Mundial de Clubes, que começa em dezembro.

Internacional se afasta da zona de rebaixamento do Brasileiro

O empate pode não ter sido o ideal, mas o Internacional somou mais um ponto e se afasta ainda mais da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Com 43 pontos, o Colorado agora também parece na turma do “feliz natal”: sem chances de título, Libertadores ou descenso.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Jornalista pela UFRJ, pós-graduado em Comunicação pela Universidad de Navarra-ESP e mestre em Gestão do Desporto pela Universidade de Lisboa-POR. Antes da Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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