Campeonato Brasileiro

Insaciável, o Bragantino triturou o São Paulo e poderia ter feito um placar até maior ante a calamidade tricolor

Ainda é precipitado fazer uma previsão catastrófica sobre a campanha do São Paulo no Brasileirão, a partir do que aconteceu em Bragança Paulista nesta quarta-feira. De qualquer maneira, a atuação fraquíssima dos tricolores deveria ser ao menos alarmante para a reta final do campeonato. Os são-paulinos pareciam um bando dentro de campo, revivendo antigos temores sobre o trabalho de Fernando Diniz e esboçando novos. E, cabe ressaltar, do outro lado houve um Red Bull Bragantino insaciável. O Massa Bruta fez uma partidaça também, liderado por Claudinho. Marcou forte, atacou com velocidade e puniu os erros dos visitantes no Estádio Nabi Abi Chedid. A vitória por 4 a 2 acaba sendo até magra pela diferença entre as equipes, com sorte dos líderes da Série A no segundo tempo.

A goleada se desenhou desde o início da partida, contrastando atitudes. Até parecia que o Bragantino estava em campo para lutar pelo topo da tabela. Era uma equipe muito mais ligada, ocupando o campo ofensivo para dificultar a saída de bola do São Paulo e para conectar rapidamente seu ataque. O time de Maurício Barbieri foi muito bem ao cercar Daniel Alves, bloqueando a condução do maestro tricolor. Além disso, Luan também fez falta nessa saída, com Tchê Tchê deixando a desejar nesse papel.

O pesadelo do São Paulo precisou de quatro minutos para se iniciar. E foi uma bola perdida por Daniel Alves na intermediária que facilitou o contragolpe do Bragantino. Os passes saíram rápido até Claudinho definir dentro da área, com desvio. Se os tricolores pareciam sonolentos, nem o primeiro tento serviu para acordá-los. Era uma equipe espaçada, muito permissiva na defesa, sem que o meio-campo ajudasse na proteção. Assim, o Massa Bruta deitou e rolou. Ytalo poderia ter feito o segundo, mas finalizou mal. Caberia a Raul ampliar. De novo em bola perdida por Daniel Alves, Claudinho deu um baita lançamento no contragolpe. Raul disparou nas costas da marcação e tocou com cuidado para vencer Volpi.

O São Paulo até pareceu disposto a reagir depois disso. Porém, o gol de Tchê Tchê aos 15 minutos foi um breve momento de esperança que logo acabaria. Gabriel Sara deu uma enfiada ótima à infiltração de Daniel Alves, que rolou para o meio-campista definir. Mas bastaria um novo descuido para o Bragantino já anotar o terceiro aos 17. Bruno Alves cometeu falta na intermediária e, na cobrança, Aderllan colocou a bola na cabeça de Fabrício Bruno, acertando um arremate difícil. Aquele tento seria o mais importante da partida, porque decretou a apatia são-paulina. Os visitantes continuariam perdidos em campo, sem uma mínima mudança de postura, expostos às investidas do Braga.

O quarto gol se ensaiou algumas vezes, com o Bragantino sempre achando muitos espaços, no ritmo ditado por Claudinho. O meio-campo do Massa Bruta fechava bem a marcação e o São Paulo apenas rodava a bola entre seus zagueiros. Os raros espasmos dependiam de Daniel Alves, mas quase sempre o veterano estava bem vigiado. Do outro lado, as finalizações do Braga vinham aos montes, com uma facilidade impressionante – apesar da imprecisão. Quando o Tricolor conseguiu descontar outra vez, num lançamento de Dani Alves para Vitor Bueno servir Brenner, o VAR flagrou o impedimento. Contudo, se alguém merecia mesmo um gol era o Red Bull. Pouco antes do intervalo, Artur chamou a responsabilidade. Deu um chute muito perigoso, até ampliar aos 44. Diego Costa quis sair driblando e Claudinho fez o desarme. A zaga estava aberta e Artur acabaria recebendo o presente de Raul para finalizar.

O São Paulo voltou ao segundo tempo com as entradas de Paulinho Bóia e Léo, o que pouco adiantou – mesmo com o Bragantino desacelerando e administrando mais a posse. A única melhora real do Tricolor é que Volpi começou a fechar o gol, realizando uma série de defesas difíceis. Parou Claudinho no mano a mano e também salvaria o chute de Artur antes dos 15 minutos. Do outro lado, o Tricolor não tinha coesão e nem energia. Pior, ainda ficou com dez homens depois da agressão de Tchê Tchê sobre Cuello. O meio-campista acertou uma cotovelada sem a bola, flagrada pelo VAR, que rendeu o vermelho direto. Noite péssima ao são-paulino, que havia sido humilhado por Fernando Diniz durante discussão no primeiro tempo.

Rodrigo Nestor entrou no São Paulo para recompor a marcação e o time abdicou do ataque, contentando-se em evitar um resultado mais vexatório. Mesmo assim, o único comprometido a isso era Volpi, que realizaria outras duas grandes defesas em sequência contra Cuello e Edimar. Do outro lado, Cleiton era um mero espectador, limitado a defender cruzamentos sem sentido e finalizações fracas. E o estrago só não foi maior porque a trave também ajudou os visitantes, parando uma cabeçada de Hurtado aos 37. Diniz colocou mais atacantes nos minutos finais, o que não necessariamente melhorou o Tricolor. O segundo gol saiu nos acréscimos, num lance confuso. Após cobrança de escanteio, a bola pipocou na área e Cleiton soltou o rebote nos pés de Carneiro. O centroavante guardou e, apesar das dúvidas sobre a validade da jogada, a arbitragem confirmou. Um tento para atenuar o desastre no placar, mas que não diminuía as péssimas impressões deixadas pelos são-paulinos.

O São Paulo até agradece a ajuda do Fluminense, que evitou uma situação pior na tabela. Com a derrota do Flamengo, os são-paulinos preservam a vantagem de sete pontos na liderança, com 56 no total. Atlético Mineiro e Fla tem 49, mas com um jogo a menos, enquanto o Grêmio é um potencial perseguidor para ficar de olho. Já o Bragantino passa cada vez mais longe do risco de rebaixamento e aparece no 12° lugar, ocupando a zona de classificação à Copa Sul-Americana, com 34 pontos.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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