Campeonato Brasileiro

Galo no G-4, Grêmio e Santos na Libertadores, Goiás rebaixado, Vasco por um fio – o resumão do domingo de Brasileiro

Flamengo e Internacional concentraram as atenções no domingo decisivo do Brasileirão. E se a disputa pelo título ficou em aberto depois da virada no Maracanã, muita coisa se definiu no restante do dia. O Atlético Mineiro assegurou seu lugar no G-4, enquanto Grêmio e Santos se confirmaram na zona de classificação à Libertadores. Athletico Paranaense, Corinthians, Red Bull Bragantino, Ceará e Atlético Goianiense são os representantes do país na Sul-Americana 2021, com uma vaga em aberto para Sport, Bahia ou Fortaleza. Já no Z-4, enquanto o Goiás teve seu rebaixamento consumado, o Vasco só se salvará num inimaginável milagre.

Abaixo, a tabela e um resumão de cinco dos seis jogos do domingo. No caso de Flamengo 2×1 Inter, você pode ler o texto sobre o duelo aqui.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

Corinthians 0x0 Vasco

O próprio Vanderlei Luxemburgo admitiu que o Vasco está virtualmente rebaixado. Só uma derrota confirmaria matematicamente os cruzmaltinos na Série B de 2021. No entanto, o empate complica muito as coisas, já que na última rodada os cariocas precisam vencer, torcer por uma derrota do Fortaleza e ainda tirar 12 gols de saldo. Assim, o clima na Neo Química Arena era de velório, depois do empate sem gols contra o Corinthians. Os paulistas também não tinham motivos a comemorar, perdendo definitivamente a vaga na Libertadores com o tropeço.

Foi uma partida tecnicamente fraca – como a maioria da rodada, consequência direta de uma temporada extenuante. O Corinthians tinha mais a bola, mas mal conseguia criar. O primeiro tempo guardou poucos lances de perigo, exceção feita a um chute de Fágner que Fernando Miguel salvou. Já o Vasco, apostando nos contra-ataques, sequer forçaria defesas de Cássio na primeira etapa. No máximo, Carlinhos mandou para fora.

O segundo tempo teria um pouco mais de emoção. O Corinthians não era tão agressivo, mesmo com a entrada de Cazares, mas passou a arriscar mais chutes. Já o Vasco estava longe de ter o grau de urgência que se necessitava e, quando esteve perto de marcar, foi por um cruzamento de Carlinhos que tomou o caminho do gol e bateu no travessão de Cássio. No fim, os corintianos até forçariam um pouco mais, mas o zero prevaleceu. Ao apito final, alguns jogadores vascaínos choravam o rebaixamento praticamente inescapável.

Sport 2×3 Atlético Mineiro

Com a permanência do Sport praticamente encaminhada antes da rodada, a partida na Ilha do Retiro era mais importante ao Atlético Mineiro, para assegurar sua vaga na fase de grupos da Copa Libertadores. O Galo venceu no finalzinho, num jogo bastante movimentado e cheio de confusão. Mas o triunfo ficaria marcado também pela provável despedida de Jorge Sampaoli em sua intempestiva passagem por Belo Horizonte. O argentino acabou expulso por reclamar da arbitragem e não estará presente no último jogo de uma campanha que deixou a desejar.

Melhor no início da partida, o Atlético abriu o placar aos seis minutos, com Jair aproveitando um rebote de Luan Polli. Com o passar dos minutos, o Sport começou a sair mais e a criar suas oportunidades. O empate viria aos 33, num cruzamento da esquerda que Dalberto completou bonito de primeira. Os atleticanos ainda tentariam retomar a vantagem antes do intervalo, sem sucesso.

Na volta ao segundo tempo, de novo o Atlético apertava e fez o segundo com um gol contra de Rafael Thyere, aos quatro minutos. Os mineiros ainda eram melhores, mas sem matar o resultado, dando brecha ao empate do Sport. E, sobretudo à confusão. Aos 37, a arbitragem marcou um pênalti de Marrony em Patric, que gerou revolta nos atleticanos. Foi quando Sampaoli até invadiu o campo para reclamar. Na cobrança, Thiago Neves deixou tudo igual.

Por conta das interrupções, os acréscimos seriam longos. Longos o suficiente para a vitória do Atlético. Marrony avançou pela esquerda, limpou a marcação e contou com um desvio para marcar. Depois do gol, ainda houve outra confusão no túnel, entre membros das comissões técnicas que foram expulsos. O jogo chegou a ser paralisado, mas retornaria até a confirmação do triunfo do Galo. O time se assegurou no G-4 e, com o empate do Vasco, o Sport também não cai mais.

Santos 1×1 Fluminense

Na Vila Belmiro, um jogo de relativo interesse à Copa Libertadores. O Santos tentava se firmar na oitava posição para assegurar a classificação nas fases preliminares. Enquanto isso, o Fluminense queria entrar no G-4 para ficar com a vaga direta, na perseguição ao São Paulo. No fim, o empate por 1 a 1 arrancado pelo Peixe carimbou o passaporte do clube mais uma vez. Foi a despedida de Cuca, que não dirigirá o time na última partida do campeonato, com a mãe e uma filha internadas por causa da COVID-19.

Num começo de jogo equilibrado, o Fluminense abriu o placar aos 15 minutos. Lucca foi lançado em velocidade e superou o goleiro João Paulo no mano a mano. O Santos encontrou dificuldades para responder, e o Flu só não ampliou porque João Paulo fez duas defesas impossíveis antes do intervalo. Primeiro pegou uma batida à queima-roupa de Fred e depois conseguiu desviar milagrosamente a conclusão de Lucca.

O Santos voltou com mudanças para o segundo tempo, mas o ritmo do jogo ainda era baixo, mais marcado pelas lesões. O Peixe só melhorou depois dos 30, quando começou a arriscar mais e a rondar a meta de Marcos Felipe. O goleiro faria boa defesa em chute de Felipe Jonatan. Já aos 40, Nino foi expulso pelo Flu. O empate saiu na sequência, em falta cobrada por Soteldo que Jean Mota mandou para dentro. Bastou para completar a missão alvinegra.

Grêmio 1×0 Athletico Paranaense

O foco do Grêmio é a Copa do Brasil, enquanto o Athletico Paranaense ainda poderia lutar por uma vaga na Libertadores. Porém, o Tricolor tirou as esperanças do Furacão com uma vitória simples dentro da Arena. O time de Renato Portaluppi também afastou os mínimos riscos que tinha de não se classificar à competição continental através do Brasileirão, podendo se concentrar totalmente no duelo contra o Palmeiras.

O primeiro tempo veria o Athletico mais interessado no jogo em Porto Alegre. O Furacão foi melhor e criou chances o suficiente para abrir o placar, mas não aproveitou. O Grêmio conseguiu se safar, com Paulo Victor realizando uma defesa decisiva nos pés de Léo Cittadini. Do outro lado, nada que causasse tanta preocupação nos rubro-negros.

O segundo tempo começaria com três substituições do Grêmio. A equipe cresceu e, mais presente no ataque, passou a rondar o gol. Jean Pyerre já exigiria uma defesa lindíssima de Santos, num chute que ia em direção ao ângulo. Paulo Victor também trabalhou do outro lado, para evitar um gol contra. Quem resolveu foi Thaciano, um dos substitutos de Renato, aos 31. Numa bola que bateu em sua perna, o meio-campista deu sequência e soltou a pancada nas redes. O Furacão ainda buscaria a reação no fim, sem sucesso. Já depois do apito final, o árbitro Ricardo Marques Ribeiro expulsou Richard e Thiago Heleno por reclamação. O capitão partiu para cima do juiz, precisando ser contido.

Goiás 0x0 Red Bull Bragantino

A última partida do domingo guardava uma decisão na Serrinha. O Red Bull Bragantino precisava vencer para se manter firme na briga contra a Libertadores. Já ao Goiás, a vitória era ainda mais fundamental, na luta contra o rebaixamento. No fim das contas, o empate sem gols não serviria a nenhum dos lados. Os esmeraldinos consumaram seu anunciado descenso, desenhado desde o péssimo primeiro turno, mas que acabou adiado pela reação da equipe na reta decisiva da campanha. Em vão.

O Red Bull Bragantino começou com uma chance de ouro para abrir o placar e o goleiro Marcelo Rangel faria uma defesaça contra Claudinho. No entanto, o Goiás também precisava arriscar e veria Fernandão perder chances que não costuma. Era uma partida aberta. O Massa Bruta tinha mais posse de bola, mas sem converter sua superioridade. Já na reta final, os esmeraldinos chegaram com mais frequência. Rafael Moura e Fernandão não conseguiram completar boas jogadas, enquanto Vinícius pararia no goleiro Cleiton.

O segundo tempo adicionava tensão à partida, com Shaylon não conseguindo abrir o placar ao Goiás por pouco. Ainda assim, o Bragantino trabalhava melhor com a bola e ameaçava a meta de Marcelo Rangel, que continuava fazendo defesas. O passar dos minutos aumentava o desespero dos esmeraldinos, sem que o time demonstrasse grande organização. Ainda houve uma falta no último lance, cobrada em cima da barreira, sem que o escanteio fosse permitido diante do apito final. Na saída de campo, os lamentos dos goianos eram evidentes, com Rafael Moura servindo de porta-voz aos rebaixados.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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