Brasileirão Série A

Fortaleza e Grêmio fizeram uma partidaça no Castelão, com um empate de luta até o fim

O Fortaleza poupou jogadores por causa da Copa Sul-Americana e era melhor durante grande parte do duelo, mas o Grêmio reagiu no final e ainda ameaçou a virada

Ao apito final, os aplausos tomaram conta do Castelão neste sábado. Era um gesto de reconhecimento da torcida, diante da partidaça oferecida por Fortaleza e Grêmio pelo Brasileirão. O empate por 1 a 1 não dimensiona totalmente o que foi o embate. O confronto teve muitas alternativas e chances de ambos os lados, até os últimos suspiros. O Fortaleza pensa na Copa Sul-Americana e, até por isso, entrou com um time recheado de reservas. Porém, Juan Pablo Vojvoda também tem pretensões no Brasileirão e, mesmo poupando peças, sua equipe manteve as marcas do trabalho: era intensa e voraz, sem sentir a rotação. Já o Grêmio teve dificuldades e temeu pelo pior durante grande parte do tempo. Contudo, conseguiu sobreviver à pressão e reagiu pelo empate, numa linda combinação de Reinaldo com Luis Suárez. Os dois times lutaram até o último instante.

O Fortaleza poupou forças, pensando na Copa Sul-Americana. Não tinha os suspensos João Ricardo e Zé Welison, enquanto Guilherme não podia atuar por seu contrato de empréstimo vindo do Grêmio. De qualquer maneira, a base titular ganhava um descanso. Juan Pablo Vojvoda ainda assim prometia uma postura igual, num time que ainda reunia nomes tarimbados como Thiago Galhardo, Lucas Crispim e Yago Pikachu. Já no Grêmio, a principal ausência era de Mathias Villasanti, também suspenso e deixando uma grande carência no meio-campo. Luis Suárez liderava a equipe, com destaque ainda à experiência da defesa com Geromel, Kannemann e Reinaldo.

Leão do Pici em velocidade máxima

Luis Suárez apresentou seu cartão de visitas da melhor forma no Castelão e quase abriu o placar aos dois minutos. Numa cobrança de falta na intermediária, o craque bateu no capricho e estalou a trave, com Fernando Miguel estático. O Fortaleza, no entanto, logo se tornou perigoso com mais constância. A velocidade do Leão do Pici causava problemas, especialmente pelo lado direito. Lucas Crispim mandou uma bola pelo lado de fora da rede e a defesa gremista ficava no limite. Dudu era quem mais incomodava, na lateral cearense. Faltava ao time da casa acertar o pé. Muitas finalizações vinham em chutes de longe e Gabriel Grando só teve trabalho aos 19, numa sapatada de Thiago Galhardo.

Depois do período acuado, o Grêmio reapareceu no ataque após os 20 minutos. Tinha alguns lances mais ofensivos a partir das bolas alçadas na área, mas sem executar os arremates. Era um jogo bastante corrido. Sem que os gremistas fizessem muito com a posse de bola, o Fortaleza não precisava de tanto para ser mais perigoso. Aos 30, Machuca cruzou e a defesa afastou parcialmente. Lucas Crispim bateu firme na sobra e Grando espalmou providencialmente. A primeira troca gremista viria ainda aos 33, depois que João Pedro Galvão sentiu (sem fazer uma boa partida também) e deu lugar a Ferreira.

Dudu não demorou a oferecer um cartão de visitas à Ferreira, com uma caneta no gremista. E o lance ainda resultou num pênalti para o Fortaleza, depois que o cruzamento bateu no braço de Reinaldo dentro da área. Galhardo mandou um foguete no alto da meta e abriu o placar aos 44 minutos. Impressionava o entendimento da equipe da casa e também a manutenção da identidade, no que em teoria seria uma versão enfraquecida do Leão do Pici. Nos acréscimos, a sorte até pareceu sorrir ao Grêmio, quando Marcelo Benevenuto cometeu um imprudente pênalti em Cristaldo. O próprio Cristaldo assumiu a cobrança e desperdiçou. Escorregou na hora de chutar e isolou a bola rumo às arquibancadas. A vantagem dos cearenses era merecida.

Um segundo tempo muito divertido

O intervalo não mudou a postura do Fortaleza, na mesma toada para o segundo tempo, enquanto a entrada de Everton Galdino pouco ajudou o Grêmio de início. O Leão do Pici acelerava bastante e oferecia mais qualidade individual, com alguns lances de efeito. Pikachu chegaria a reclamar de um pênalti, em disputa com Kannemann, mas a arbitragem não marcou. Por mais que os gaúchos tivessem mais posse de bola, os cearenses sabiam melhor o que fazer com ela. Machuca teve uma batida para fora e Pikachu cruzou uma bola que assustou os gremistas. Renato faria duas trocas aos 15, com Ronald e Lucas Besozzi.

A partida parecia sob o controle do Fortaleza. O Leão do Pici podia cozinhar o jogo, embora não resolvesse o placar. E o Grêmio voltou a dar um sinal de vida aos 21, com Ronald, que apareceu livre na área e cabeceou para fora. Era um aviso aos cearenses, que botariam Romarinho e Calebe na sequência da partida. A melhora dos gaúchos era importante e o time se tornou mais perigoso. Aos 30, Besozzi chutou forte para boa defesa de Fernando Miguel. E quando Galhardo poderia ter aumentado do outro lado, não aproveitou a chance.

Por fim, o empate do Grêmio saiu aos 34 minutos. A capacidade técnica pesou. Reinaldo deu um passe fabuloso para a infiltração de Suárez, que mandou por baixo de Fernando Miguel. Ainda existiam dúvidas sobre um impedimento, mas o VAR validou o lance. O gol fez a partida pegar fogo. Os dois times não desistiam. O Fortaleza forçou nova defesa de Grando aos 43, mas o goleiro foi seguro contra Galhardo. Suárez respondeu com uma batida pelo lado de fora da rede.

Já nos acréscimos, a loucura tomou conta do gramado. Os dois times não se entregavam. Calebe mergulhou e mandou a cabeçada por cima, com espaço no segundo pau, no que poderia ser o segundo gol do Fortaleza. Nada estava definido e a trocação se seguia. Ainda rolaram contra-ataques abertos para os dois times, bem como defesas dos dois goleiros nas tentativas de Pochettino e Galdino. O apito final, entretanto, sacramentou a igualdade e a partidaça no Castelão.

O Grêmio assume provisoriamente a segunda colocação do Brasileiro, com 44 pontos. Foi um resultado importante, até pelas circunstâncias. O Fortaleza é ameaça mais abaixo e deixou de entrar na zona de classificação para a Libertadores. O Leão do Pici fica em oitavo, com 39 pontos, mas num momento excelente no segundo turno. São 13 pontos em 18 possíveis nesta metade final do Brasileirão.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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