Brasileirão Série A

Entre gratidão e vaias, Gabigol tem reencontro frio com o Flamengo no Maracanã

No seu primeiro retorno ao Maracanã para enfrentar o Rubro-Negro, Gabigol tentou reforçar laço com o clube, mas recebeu vaias e algumas declarações de gratidão

Arrascaeta, Bruno Henrique, Pedro, De La Cruz, Léo Pereira, Gerson, Adriano, Zico e até o jovem Wallace Yan… Antes e durante o empate em 0 a 0 entre Flamengo e Cruzeiro, nesta quinta-feira (2), pelo Campeonato Brasileiro, era possível encontrar torcedores vestindo camisas com os nomes de diversos ídolos e jogadores do atual elenco rubro-negro.

Gabigol, é claro, também estava entre eles. Mas, dessa vez, em menor número. Colocado por muitos como um dos maiores ídolos da história do Flamengo, o hoje atacante do Cruzeiro deixou o Rubro-Negro em meio a polêmicas e com a imagem um tanto quanto desgastada com a torcida.

Autor dos gols de dois títulos da Copa Libertadores do Flamengo, Gabigol voltou pela primeira vez ao Maracanã como adversário do Rubro-Negro. E encontrou um cenário que misturou muita gratidão e uma certa mágoa, que gerou até vaias da torcida quando o atacante entrou em campo aos 41′ do segundo tempo.

O caráter decisivo da partida, com Flamengo e Cruzeiro disputando o título do Campeonato Brasileiro – junto com o Palmeiras -, certamente aumentou o sentimento de indiferença e diminuiu o carinho que o atacante rival poderia receber da torcida rubro-negra.

Mas, individualmente, alguns torcedores ainda demonstraram esse carinho que Gabigol carrega dos rubro-negros. A Trivela conversou com alguns dos poucos flamenguistas que estavam com camisas com “Gabriel B.” ou “Gabi” nas costas. Era o caso de Rodrigo Sánchez, que contou uma daquelas histórias que só o futebol proporciona e que fazem os jogadores se tornarem ídolos.

— Tenho até uma história com o Gabigol. Na final da Libertadores de 2019, meu pai faleceu três dias antes. Falei que não queria ir no jogo, estava muito mal, mas no dia vim no Maracanã. A primeira vez que eu sorri depois que o meu pai faleceu foi com o gol do Gabigol. É uma gratidão eterna que eu tenho com ele — disse Rodrigo Sánchez.

Ainda que muitos torcedores do Flamengo certamente tenham histórias parecidas com os gols mais importantes da história de Gabigol pelo clube, as polêmicas acumuladas durante a sua passagem pelo Rubro-Negro, como a foto vestindo a camisa do Corinthians e a festa de aniversário após uma eliminação do time, minaram a imagem do atacante com a torcida.

— É bem dividido, tem uma galera que acha que ele fez muita besteira com a camisa do Flamengo, mas eu gosto muito dele e queria que ele estivesse aqui até agora — disse Vinicius Lopes, outro torcedor que estava com a camisa com o nome do atacante.

Rodrigo e Vinicius mostraram gratidão por Gabigol (Foto: Gabriel Rodrigues/Trivela)

Gabigol tenta reforçar laço com o Flamengo

Enquanto a torcida do Flamengo ainda se divide em relação a Gabigol, o atacante tentou reforçar os laços com o clube e a sua torcida. No Maracanã, o atacante usou uma chuteira desenvolvida especialmente para a partida desta noite, com um coração pintado com as cores azul, do Cruzeiro, e vermelho, do Flamengo. Após a partida, o par será doados para uma instituição social do Rio de Janeiro leiloar o item.

Antes da bola rolar, Gabigol, que marcou um gol sobre o Flamengo no primeiro turno, no Mineirão, conversou com os seus ex-companheiros no banco de reservas e fez, de forma discreta, o famoso sinal de “fusão” com Bruno Henrique, típica comemoração que marcou os anos da dupla com a camisa rubro-negra.

Após apenas nove minutos em campo e uma atuação discreta, mas intensa o suficiente para receber um cartão amarelo e mais vaias da torcida do Flamengo, Gabigol deixou o gramado do Maracanã em silêncio.

Foto de Gabriel Rodrigues

Gabriel RodriguesSetorista

Jornalista formado pela UFF e com passagens, como repórter e editor, pelo LANCE!, Esporte News Mundo e Jogada10. Já trabalhou na cobertura de duas finais de Libertadores in loco. Na Trivela, é setorista do Vasco e do Botafogo.

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