Brasileirão Série A

Demissão ao vivo e 6 na cabeça: como foi o dia de terror do Corinthians em Caxias

Pouco mais duas décadas após levar 6 a 1 no Alfredo Jaconi, Corinthians volta a Caxias do Sul para enfrentar o Juventude no Campeonato Brasileiro

Em setembro de 2003, o Corinthians sofreu uma goleada histórica para o Juventude por 6 a 1, pelo Campeonato Brasileiro, no Estádio Alfredo Jaconi. Em 2024, passados alguns meses do aniversário de 20 anos deste episódio, o Timão volta à Caxias do Sul, pela segunda rodada do campeonato nacional, aonde volta a enfrentar o time gaúcho, que reconquistou o acesso à Série A na temporada passada.

O confronto de duas décadas atrás ficou marcado como uma das maiores panes da história do Corinthians. No entanto, além do placar elástico, o clube paulista ainda viveu um momento inusitado quando, Geninho, então treinador do Timão, anunciou o pedido de demissão antes mesmo do apito final.

A Trivela relembra os detalhes desse confronto a seguir.

Transição

Quando visitou o Juventude, pela 19ª rodada do Brasileirão de 2003, o Corinthians passava por um período de reestruturação. Após a venda de boa parte do elenco campeão paulista, o elenco contava com muitos jovens jogadores promovidos da base, ainda inexperientes.

— Se você for analisar aquele jogo, foi um jogo atípico. O nosso time era jovem, passava por uma transição da molecada da Copa a São Paulo. O Corinthians tinha um time muito forte, com Dida, Fábio Luciano, Kléber, Liedson, Leandro… Muita gente boa foi saindo, sendo vendida, e o pessoal foi subindo jogadores da base. Eu, Robert e André Luiz (lateral) éramos os mais veteranos, além do Vampeta — relembrou Jamelli, ex-atacante que marcou o gol de honra do Timão naquele fatídico jogo, em entrevista à Trivela.

— Foi naquela equipe que surgiu: Coelho, Abuda, Jô, Moreno, Fininho, Anderson, Marquinhos… Então, foi uma época de transição, e me parece que, nesse jogo, o Vampeta estava machucado, não jogou, e a gente pegou um Juventude que deu tudo certo, né? Começou o jogo, e eles já fizeram o gol — acrescentou o ex-jogador.

Geninho se demite ao vivo

Por mais que a goleada tenha sido dolorosa, a situação mais delicada da partida não aconteceu dentro das quatro linhas. Geninho, então técnico do Corinthians, se demitiu antes mesmo do apito final. O ex-comandante, que também passou por Santos, Botafogo e Atlético-MG em sua carreira, comunicou a decisão à transmissão da Rede Globo.

Questionado pelo repórter Mauro Naves se ficaria após o resultado, ele respondeu: “Depois desse resultado, eu peço para sair”. E pediu mesmo. (assista abaixo).

— O que ficou marcado nesse jogo, além da derrota que não é comum em um time do tamanho do Corinthians, foi o Geninho. Antes de comunicar com a diretoria, com a gente, com os jogadores e com todo mundo, ele falou na televisão. O Geninho é um baita treinador, baita profissional e boa pessoa também, mas ele não aguentou. Ali ele viu que, talvez, não teria mais o apoio e os jogadores necessários para ele fazer um grande time do nível do Corinthians. E daí ele pediu demissão ao vivo. A gente ficou sabendo isso depois no vestiário. Foi uma demissão diferente — contou Jamelli.

— Geninho já não estava contente, porque ele pediu algumas peças, mas a diretoria vendeu mais da metade do time. Os grandes jogadores do time saíram, né? Então o time foi desmontado, e ele não estava contente porque o time ficou mais fraco, lógico.

Cobrança no aeroporto e campanha mediana

No retorno para São Paulo, o elenco corintiano foi recebido com cobranças de torcedores na chegada ao aeroporto. Porém, por mais desastroso que tenha sido aquela partida, o Timão não correu risco de rebaixamento naquele ano, e terminou na 15ª colocação, longe da zona da degola — àquela época, 24 equipes participavam do Brasileirão.

Jamelli em chega ao aeroporto pelo Corinthians (Foto: Arquivo pessoal)

— A gente saiu de lá arrasado e tinha que voltar para São Paulo. Lembro que ainda teve uma cobrança no aeroporto sobre o time e tudo, mas não foi nada violento, porque a torcida também entendia que era um time em formação. Mas aquilo que aconteceu foi um jogo, um desastre que aconteceu. Não dá nem para explicar direito.

— Claro, para o torcedor corintiano nunca é bom você ficar de quinto para baixo (na tabela). Eu não lembro que posição que a gente chegou, mas em momento algum teve problema de rebaixamento.

Corinthians tem retrospecto negativo contra o Juventude fora de casa

Mesmo em um momento de reconstrução, a equipe alviverde é cascuda e dá trabalho ao Corinthians jogando em casa. Das 13 partidas disputados no Rio Grande do Sul entre os times, o Juventude leva vantagem: seis vitórias, três empates e quatro derrotas. A expectativa é de jogo duro para o Timão nesta quarta-feira, às 20h (horário de Brasília).

— O Juventude, jogando lá, é um time muito forte. Era mais forte naquela época, claro, já tinha uma história na primeira divisão e era complicado. Sempre foi muito complicado jogar lá em Caxias do Sul — concluiu Jamelli.

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
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