Era de ouro do Santos começava a ter seu ápice há 60 anos com título da Taça Brasil
Em 1961, equipe alvinegra atropelou o Bahia e abriu o caminho para dominar o Brasil e a América
Há exatos 60 anos, na final da terceira edição da Taça Brasil, o Santos erguia o troféu pela primeira vez. A geração inigualável de Pelé, Coutinho e Pepe experimentou a glória nacional depois de se sagrar campeã paulista e iniciou um período ainda mais vencedor, atravessando as fronteiras estaduais para se tornar um adversário temido por onde passava.
A saga da Taça Brasil foi curta, é verdade, mas começou no título do Campeonato Paulista de 1960. O Santos, em uma resposta ao título estadual do Palmeiras no ano anterior, teve um desempenho espetacular com 22 vitórias, seis empates e seis derrotas, emplacando 100 gols. Destes 100, 33 foram de Pelé, artilheiro da equipe no Paulista e principal carrasco dos rivais em clássicos. Na tabela final, a vantagem para a Portuguesa foi de apenas dois pontos. O título veio na rodada final, justamente contra o Palmeiras, em um triunfo por 2 a 1, gols de Zito e Pelé.
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Em sua inédita conquista da Taça Brasil, na qual já entrou na fase de semifinal, o Santos precisou derrotar o América-RJ e o Bahia na decisão. Para chegar ao confronto com os baianos, o Peixe superou três embates com o Mequinha. Na ida, disputada em São Januário, baile alvinegro: 6 a 2, obra do trio que liderava o Ataque dos Sonhos, com gols de Pepe (3x), Pelé (2x) e Coutinho. O América deu o troco na Vila Belmiro, vencendo por 1 a 0 e provocando o desempate. Sem piedade, no Pacaembu, os santistas castigaram os cariocas com outra goleada, desta vez por 6 a 1, show de Pelé (2x), Coutinho (2x), Dorval e Pepe.
A atuação magistral contra o América valeu a passagem para o reencontro com o Bahia, velho conhecido do esquadrão santista. Dois anos antes, em 1959, as equipes se encontraram na final da primeira Taça Brasil, mas o Tricolor de Aço levou a melhor e ficou com o caneco na edição inaugural do torneio, após três jogos, levantando a taça no Maracanã com o placar de 3 a 1, gols de Vicente, Léo e Alencar. A atuação do Bahia engrandeceu ainda mais o feito do Santos em 1961.
Pelé deu o troco
A revanche teve sabor especial para o Peixe. Na Fonte Nova, para o jogo de ida, um empate suado em 1 a 1 diante de 41 mil pessoas nas arquibancadas. Mario marcou para o Tricolor e Coutinho fez o tento santista, em 22 de dezembro. Cinco dias depois, em 27 de dezembro, veio a desforra: na Vila Belmiro, Pelé mostrou por que era o dono da bola e anotou um triplete em menos de meia hora. Coutinho ampliou para 4 a 0 aos 33 da primeira etapa, praticamente resolvendo o confronto. O mesmo Coutinho fez o quinto, dando o tom da festa em Santos. Florisvaldo descontou no minuto final, mas ninguém parecia se importar com o feito. O Santos era campeão nacional pela primeira vez em sua história.
Dali em diante, o Peixe ganhou gosto por vencer. Faturou a Copa Libertadores e o Mundial Interclubes em 1962 e 63, estendeu seu domínio em território nacional com outros cinco títulos da Taça Brasil e sete Estaduais apenas na década de 60, sendo a equipe mais dominante daquele período com larga vantagem sobre os demais.



