Campeonato Brasileiro

Em um Brasileirão de ótimos jogos, Cruzeiro e Grêmio proporcionaram o melhor (até agora)

Já se passaram oito rodadas do Brasileirão, e o campeonato enche os olhos até o momento. Ainda há, claro, questões técnicas a se melhorar. Mas o nível de emoção visto em diversas partidas é excelente. Os dedos das mãos já não servem mais para se contar a quantidade de jogaços deste primeiro mês de competição. E o melhor deles aconteceu na noite desta segunda, fechando com maestria a rodada. Cruzeiro e Grêmio não deixaram de buscar a vitória por um minuto sequer no Mineirão. Tecnicamente, foram duas grandes atuações coletivas – ao menos na parte ofensiva. O belíssimo duelo teve várias chances, bolas na trave, ótimas defesas e (claro) gols. O empate por 3 a 3 enfatiza a grandiosidade da ocasião, que deixou os gremistas na segunda colocação e os cruzeirenses em oitavo.

Bastaram quatro minutos de bola rolando para o Cruzeiro acertar a trave pela primeira vez, em jogada de Alisson. Pressionando, a Raposa criava mais oportunidades e também marcava com qualidade, empolgando sua torcida. Entretanto, foi o Grêmio quem saiu em vantagem, aos 16 minutos. Após cobrança de falta, Kannemann desviou e acertou a trave, mas Everton aproveitou o rebote. A deixa para que o jogo se abrisse. Os tricolores ganhavam espaços e apostavam na mobilidade de sua linha de frente. Fábio negou o segundo tento com uma grande defesa diante de Luan. Já do outro lado, os cruzeirenses perderam ritmo, mas contavam com a classe de Thiago Neves e Rafael Sóbis. Os dois veteranos iam protagonizando os melhores lances do time da casa. O atacante forçou um milagre de Marcelo Grohe, antes que Alisson esbarrasse no poste mais uma vez.

A bola parada, por fim, determinou a relativa tranquilidade do Grêmio. Aos 41, mais uma cobrança de falta de Luan rendeu o segundo gol. Everton pegou a sobra na esquerda e, contando com o cochilo da zaga cruzeirense, cruzou para Michel completar às redes. O Cruzeiro ao menos diminuiria o prejuízo antes do intervalo. A trama rápida terminou com a precisa finalização de Thiago Neves, sem qualquer chance para Marcelo Grohe. E ainda houve tempo nos acréscimos para nova defesaça de Fábio, em chute de Everton. Os mineiros saíram para o intervalo reclamando das decisões do árbitro, o que já rendera a expulsão de Mano Menezes.

Sem poder mudar o que já ocorreu, o Cruzeiro voltou para o segundo tempo com uma postura mais contundente. Empatou logo aos dois minutos, em lindo passe de Thiago Neves para Rafael Sóbis arrematar. Só que o momento celeste outra vez sofreu uma quebra com gol do Grêmio, o terceiro, aos 14 minutos. Um tiro de meta de Grohe foi a chave para o ataque rápido. Fábio pegou uma bola dificílima de Pedro Rocha, mas nada pôde fazer quando Ramiro aproveitou o rebote. Ao menos desta vez os mineiros não esperaram tanto tempo para voltar ao jogo. O empate saiu três minutos depois, em ótima troca de passes envolvendo outra vez Sóbis e Thiago Neves. Coube a Robinho, com desvio da defesa, concluir para as redes.

A meia hora final da partida não teve gols, mas continuou bem jogada, com os dois times trabalhando em busca do gol. Em um primeiro momento, o Cruzeiro parecia maduro à virada, tentando pressionar. Todavia, não se pode cochilar com o ataque gremista, especialmente pelas rápidas transições da equipe de Renato Gaúcho, com os elementos surpresa vindo de trás. Luan e Ramiro orquestravam os tricolores, crescendo em campo, mas a falta de pontaria e Fábio não permitiram o quarto gol. Do outro lado, a Raposa teve sua melhor oportunidade nos acréscimos, em chute de Élber que triscou o travessão. O jogaço terminaria mesmo com a igualdade no placar.

Cada equipe teve a sua estratégia no Mineirão e as defesas podem ter falhado em alguns momentos, mas nada disso diminui a qualidade do confronto. Entre velocidade e cadencia nos passes, os dois times adotaram uma postura ofensiva. Além disso, os destaques individuais ajudaram o coletivo a funcionar ainda melhor. E os goleiros acabaram por completar a equação para uma noite memorável. Que assim seja mais vezes no Brasileirão.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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