Campeonato Brasileiro

Em grande fase, Romero impressionou por tudo o que ofereceu ao Corinthians no clássico

Durante um bom tempo, Ángel Romero sofreu com os seguidos questionamentos. As deficiências técnicas do paraguaio eram motivo de irritação dos corintianos e de brincadeiras dos rivais. E, de fato, os erros aconteciam em demasia. O camisa 11 está longe de ser uma unanimidade. Entretanto, a ótima fase em 2017, combinada com o espírito de jamais desistir da bola, eleva bastante o moral do atacante. Aplausos alvinegros que ressoaram neste domingo, na Arena Corinthians, com a atuação de Romero na vitória por 3 a 2 sobre o São Paulo. O ponta foi o grande destaque do clássico – abrindo o placar, incomodando a defesa adversária e ajudando na recomposição.

Romero precisou de pouco tempo para demonstrar que aquela seria a sua tarde. Mas especificamente, de seis minutos. Marquinhos Gabriel deu um excelente lançamento e o paraguaio foi inteligente na arrancada, passando por trás da defesa estática do São Paulo – particularmente desencontrada no dérbi. Sozinho na área, teve apenas o trabalho de dominar, tirando Renan Ribeiro, e bater para o gol. Apenas uma pequena mostra do que faria em Itaquera, ao longo dos 83 minutos em que permaneceu em campo.

A movimentação de Romero é um de seus grandes trunfos. O atacante leve ofereceu uma ameaça constante ao São Paulo, mais recuado em seu campo de defesa. Transitava por diferentes pontos e aparecia para trabalhar os passes com os companheiros. Assim, abria espaços. Enquanto isso, a dedicação sem a bola também valia bastante ao time de Fabio Carille. Não à toa, para ajudar mais na marcação pelo lado direito, o paraguaio foi invertido com Marquinhos Gabriel. Opção tática que permitiu aos corintianos retomarem a vantagem no final do primeiro tempo, depois que Gilberto tinha empatado a partida aos tricolores. Jô roubou a bola e o camisa 11 deu excelente enfiada de bola ao centroavante no contra-ataque, aproveitando a bagunça na zaga são-paulina. Gabriel emendou para as redes.

Já no segundo tempo, Romero completou sua grande exibição. O terceiro gol outra vez contou com a participação fundamental do paraguaio, atordoando o São Paulo. Tabelando e se movimentando nos espaços vazios, abriu um clarão até que Jô sofresse pênalti, convertido por Jadson. Garantindo o resultado, o camisa 11 foi festejado até em um belo domínio de bola, fazendo uma graça na sequência. Merecidamente deixou o campo sob aplausos aos 38 minutos. Do banco, viu os tricolores descontarem instantes depois, com Wellington Nem. Susto que preocupou o Corinthians nos instantes finais, mas sem atrapalhar a vitória dos líderes do Brasileirão.

Romero não é um primor técnico e pode cometer os seus erros pontuais. Contudo, a confiança impulsiona o grande momento do camisa 11. Depois das boas aparições no Paulistão, vai se colocando como um dos destaques no Brasileiro. E a sequência é importante até para tornar o paraguaio menos suscetível às críticas. Ao longo da história do Corinthians, muitos jogadores conquistaram o respeito pelo suor que entregavam à camisa, não necessariamente pelo brilhantismo. Neste sentido, não há dúvidas sobre o esforço do atacante. Mas os elogios aumentam ainda mais quando a postura incansável se une com lances capitais. Ainda mais em um clássico, para derrubar o São Paulo, dias depois de ter balançado as redes do Santos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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