Campeonato Brasileiro

De todas as boas notícias da virada gigantesca do São Paulo, a melhor foi o poder de reação

O roteiro era tão comum a equipes rebaixadas que o torcedor do São Paulo deve ter ficado aterrorizado. Saiu na frente contra o Botafogo, no Nilton Santos, levou a virada, com falha do goleiro, e estava melhor na partida. Conseguiu um pênalti, desperdiçou e sofreu o terceiro gol logo na sequência. Cenário clássico de quando o time grande entra naquele espiral negativo em que tudo dá errado e escapar da degola fica mais difícil a cada rodada. Mas o São Paulo conseguiu reverter a tendência do próprio time na temporada, com dificuldades para reagir em situações adversas, e, sob a liderança de Hernanes, Marcos Guilherme e Cueva, venceu o Botafogo por 4 a 3.

LEIA MAIS: Um lance não pode apagar a carreira gigante de Waldir Peres

Vamos também dar alguns méritos (ou deméritos) ao Botafogo, que bobeou como não vinha fazendo este ano, e não apenas durante os frenéticos seis minutos em que o São Paulo marcou três vezes. O primeiro gol tricolor saiu em um “deixa que eu deixo” da zaga alvinegra. Gatito Fernández, no lugar de Jefferson, poupado, saiu do gol para dividir com Cueva, mas a bola sobrou para o peruano empurrar às redes. Contra uma equipe que jogou seu melhor futebol contra-atacando e reagindo, sair na frente era tudo que o São Paulo queria.

No entanto, a vantagem durou muito pouco tempo. Dois minutos depois, Marcos Vinícius acertou um belo chute cruzado e empatou. Antes da primeira meia hora, o mesmo Marcos Vinícius arriscou de longe. A bola pingou no gramado e enganou Renan Ribeiro, o goleiro que até aqui vinha sendo o mais confiável do São Paulo na temporada.

Os visitantes voltaram melhores para o segundo tempo e pressionaram o Botafogo, sem, contudo, criar chances muito claras de gol. Gatito trabalhou bem em chute de média distância de Hernanes, uma das especialidades do Profeta. E aí, o árbitro decidiu dar uma mãozinha: Wellington Nem foi lançado dentro da área, sob supervisão de Carli, e caiu. Caiu antes de o zagueiro botafoguense fazer o movimento de chute, que claramente procurava a bola e mal encostou no jogador do São Paulo.

Cueva foi para a cobrança e… perdeu. Porque ter um pênalti a seu favor contra o Botafogo nesta temporada é uma ótima oportunidade de gol, mas longe de ser uma garantia. Gatito defendeu a sexta cobrança em 2017 e, na sua ausência, Jefferson pegou outra, de Rafael Moura, contra o Atlético Mineiro. Um minuto depois, logo na sequência, Guilherme completou jogada de Luis Ricardo para fazer 3 a 1.

Este foi o momento em que o torcedor são-paulino, acostumado a ver o seu time não conseguir reagir quando está atrás no placar, começou a ficar bastante desesperado, ainda mais quando Rodrigo Pimpão quase fez o quarto, de bicicleta. Faltavam seis minutos para o apito final quando o extraordinário começou a ocorrer: Arboleda desviou, e Marcos Guilherme descontou; Cueva chutou errado e encontrou Hernanes, que bateu duas vezes para empatar; e o mesmo Cueva deu uma linda enfiada por trás da defesa para Marcos Guilherme fazer o quarto.

A esperada melhora técnica do São Paulo com a presença de Hernanes se concretizou, e o Profeta rapidamente tornou-se referência para os companheiros. Fez uma boa dupla de criação com Cueva, renascido, participante de todos os quatro gols tricolores. Marcos Guilherme foi outra boa notícia, com dois tentos, mas a melhor de todas foi a questão psicológica. O São Paulo vinha fazendo partidas razoáveis, aceitáveis, às vezes até boas, mas simplesmente parava de jogar quando se via atrás do placar e não conseguia reagir. Neste sábado, estava perdendo por dois gols de diferença, fora de casa, contra um dos melhores times brasileiros na temporada e conseguiu sair do Rio de Janeiro com os três pontos. Se escapar do rebaixamento, um “se” de tamanho ainda razoável, o divisor de águas será esta partida contra o Botafogo.

.

.

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo