Brasileirão Série A

Dalbert é lateral ‘estilo Coudet’, mas incógnita após grave lesão

Novo reforço do Internacional, lateral-esquerdo Dalbert tem características ofensivas que agradam o técnico Eduardo Coudet, mas longo tempo parado por conta de lesão o tornam uma incógnita

O Internacional anunciou nesta quarta-feira (6) a contratação do lateral-esquerdo Dalbert. O jogador de 29 anos estava livre no mercado após término de contrato com a Inter de Milão. Ele assina com o Colorado até o final desta temporada.

O novo reforço chega como alternativa para uma posição em que Renê é o titular absoluto, com boa regularidade. Porém, os substitutos geram preocupação. Thauan Lara não foi aprovado pelo técnico Eduardo Coudet, e De Pena, improvisado, também não deu conta do recado.

Com passagens pelas categorias de base de Flamengo e Fluminense, Dalbert construiu a carreira profissional na Europa. Jogou em Portugal (Académico de Viseu e Vitória de Guimarães), na França (Nice e Rennes) e na Itália (Inter de Milão, Fiorentina e Cagliari).

Para detalhar a trajetória do lateral, e entender como ele pode se encaixar no time de Coudet, a Trivela ouviu especialistas que o acompanharam principalmente no Calcio. Afinal, foi por lá que Dalbert esteve em quatro de suas últimas cinco temporadas no futebol europeu.

Após destaque na França, Dalbert viveu altos e baixos na Itália

Depois de três anos em Portugal, entre 2014 e 2016, Dalbert foi contratado pelo Nice. Na temporada 2016/2017, teve destaque como titular absoluto da equipe que ficou na 3ª colocação no Campeonato Francês, atrás somente de Monaco e PSG. O desempenho rendeu a venda por 21 milhões de euros (R$ 76,5 milhões, à época) para a Inter de Milão.

— Ele chega bem. Faz um começo de temporada muito bom, depois acaba perdendo espaço. Mas não foi ruim a passagem dele pela Inter — relembra o jornalista Anderson Moura, do podcast Calciopédia. Reserva, Dalbert atuou em 26 jogos pela equipe de Milão em duas temporadas. Marcou um gol e deu uma assistência.

Dalbert atuando pela Inter de Milão. Foto: Divulgação/Internazionale

Sem muito espaço, o lateral-esquerdo passou a ser emprestado para outros times. Pela Fiorentina, o primeiro deles, viveu o melhor momento no futebol italiano, na temporada 2019/2020.

— O lado esquerdo da Fiorentina era ele e Ribéry, e se deram bem. Foi uma temporada em que ele teve uma quantidade legal de assistências. Foi melhor do que ele tinha sido na Inter — conta Moura. Em 34 jogos pela Fiorentina, Dalbert deu seis passes para gol.

A temporada 2020/2021 marcou o retorno à França. No Rennes, o brasileiro foi quase sempre reserva. Acumulou 18 partidas, somente seis no onze inicial.

De volta à Itália, Dalbert amargou um rebaixamento da Serie A com o Cagliari, na temporada 2021/2022. Atuou em 31 jogos, contribuindo com duas assistências.

— Ele nem foi mal individualmente, mas era difícil de conseguir alguma coisa naquele Cagliari. Não tem muito a se tirar do Dalbert naquela temporada, porque foi uma temporada em que deu tudo errado para o Cagliari. Ele não conseguiu se sobressair, mas também não foi dos piores. Ficou no meio do bolo de um time que teve muita coisa errada — opina Moura.

Característica ofensiva

Em termos de características, o jornalista especializado em futebol italiano enxerga Dalbert como um lateral de chegada.

— Era um cara que atacava muito espaço. Gosta muito do corredor. Não lembro muito dele construindo por dentro, ou infiltrando em diagonal. É mais corredor mesmo. Tem muita saúde, vai muito bem naquela correria. Dá um tapa na lateral e vai embora — explica.

Comentarista de futebol internacional dos canais ESPN, Leonardo Bertozzi enfatiza essa predileção de Dalbert para atacar.

— É um lateral de característica bem mais ofensiva do que defensiva. Tanto é que já jogou na segunda linha, ou mesmo como meia — recorda.

Portanto, trata-se de um jogador com atributos que Coudet gosta que seus laterais tenham. No modelo de jogo do treinador do Internacional, os homens dos lados na penúltima linha do 4-1-3-2 costumam ser mais meias do que pontas. Com isso, a amplitude é dada pelos laterais, que atacam a todo momento.

É verdade que, nesta passagem pelo Colorado, Coudet abriu excessão com Renê. Por se tratar de um lateral mais defensivo, ele tem ficado posicionado em uma saída de três com os zagueiros, sendo Wanderson o responsável por abrir o campo na esquerda.

Mas é justamente aí que entra Dalbert. O novo reforço oferece característica diferente à do titular. Quando atuar juntamente com Bustos, o Inter poderá atacar com os dois laterais em simultâneo. Por outro lado, com Hugo Mallo ou Igor Gomes na direita, e o recém chegado na esquerda, há possibilidade do Colorado girar o eixo para atacar.

Lateral não atua há mais de um ano

Essas projeções, no entanto, ficam em segundo plano diante de uma preocupação mais urgente: a condição clínica e física de Dalbert. Em 14 de julho de 2022, enquanto aguardava novo empréstimo, o lateral sofreu ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho em treinamento da Inter de Milão.

Desde então, Dalbert não atuou mais. Sua última partida foi em 15 de maio do ano passado, na derrota por 3 a 1 do Cagliari justamente para a Inter.

— Tecnicamente é um bom jogador. A questão principal é o quanto vai pesar esse período longo afastado, já que está muito tempo sem jogar. Essa volta, principalmente de lesão de joelho, não é simples — pondera Bertozzi.

Entretanto, é preciso considerar que esta foi a única lesão mais grave de Dalbert na carreira, como lembra Moura. Antes, os problemas clínicos do lateral o tinham deixado no Departamento Médico por no máximo um mês.

— Até a lesão grave, se destacava muito pela regularidade. Por ser muito constante, e pela saúde. Era um cara que jogava muitos jogos. Eu não sei como ele está depois da lesão. Até por isso acho que o Inter opta por um contrato de produtividade — comenta.

Nos bastidores, a direção colorada entende que Dalbert está 100% recuperado e poderá ajudar de imediato. Ao mesmo tempo, o contrato de apenas três meses demonstra cautela. Resta esperar e ver o que o lateral oferecerá, e se será suficiente para justificar uma renovação ao final do ano.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas Wagner

Gaúcho, formado em jornalismo pela PUC-RS e especializado em análise de desempenho e mercado pelo Futebol Interativo. Antes da Trivela, passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. Também é coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
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