Brasileirão Série A

Craque carismático e escalação bizarra foram decisivos em Criciúma x Cruzeiro morno

Time celeste voltou a tropeçar fora de casa em partida ruim, com diversas escolhas questionáveis de Fernando Seabra

O Cruzeiro voltou a sofrer longe do Mineirão e acumulou a segunda derrota consecutiva após perder para o Criciúma, por 1 a 0, na noite desta quarta-feira (3), pela 14ª rodada do Brasileirão. A partida foi disputada no Heriberto Hülse, em Santa Catarina e decidida por um gol do carismático Yannick Bolasie.

A partida foi de baixo nível técnico, apesar de algumas oportunidades de gol para ambos os lados. O único atleta que parecia querer jogar era Bolasie, que ainda dentro de suas limitações, buscava atacar e fazer lances plásticos, na maioria das vezes objetivos.

Mas para além do futebol alegre, Bolasie foi decisivo por ser oportunista e aparecer no lugar certo para dar a vitória para o Tigre.

Fernando Seabra protagonizou escolha bizarra

Sem contar com o destaque William, suspenso, Fernando Seabra decidiu escalar o contestado Helibelton Palacios na lateral-direita. O colombiano de 31 anos não atuava, por opção dos treinadores, desde a primeira partida do Cruzeiro em 2024, disputada no dia 24 de janeiro.

Palacios é sem dúvida o jogador mais limitado do elenco celeste e isso explica o motivo dele não jogar. O lateral mostrou, como em outras oportunidades, dificuldades não apenas em acertar os lances, mas em posicionamentos básicos.

Muitas vezes, o camisa 28 foi cobrado por Seabra por estar mal colocado em campo, com movimentações incompatíveis com sua posição.

Quando tinha a bola nos pés, Palacios temia errar e na maioria esmagadora das vezes se livrava rápido da bola, tocando para trás ao jogador mais próximos.

Jogadores criticados por performances ruins, Lucas Silva e Ramiro também foram, mais uma vez, escalados. Após novo mau-jogo, substituídos. Lucas, no intervalo.

As mudanças de Seabra também se mostraram ruins. O já citado Palacios atuou por 87 minutos. Gabriel Veron que tocou pouco na bola, jogou o tempo todo.

Nomes ofensivos, como os pontas Barreal e Robert, o meia Vitinho e o atacante Arthur Viana, único 9 disponível no elenco, foram acionados apenas na segunda etapa.

Destes, apenas Vitinho entrou após o intervalo. Os outros tiveram pouco tempo para tentar mudar o jogo. Arthur foi acionado somente aos 43 da etapa final, num jogo onde um centroavante fez falta.

O jogo

Além de Palacios, Zé Ivaldo voltou ao time titular após uma rodada fora por estar suspenso e Kaiki foi mantido na lateral-esquerda, barrando Marlon.

O time celeste começou jogando com:

  • Anderson; Helibelton Palácios, Zé Ivaldo, João Marcelo e Kaiki; Lucas Romero, Ramiro e Lucas Silva; Gabriel Veron, Arthur Gomes e Matheus Pereira.

Dono da casa, o Criciúma de Cláudio Tencati entrou em campo assim:

  • Gustavo; Claudinho, Walisson Maia, Rodrigo Fagundes e Miguel Trauco; Matheusinho, Barreto, Ronald e Marcelo Hermes; Éder e Yannick Bolasie.

Primeiro tempo sonolento

Criciúma e Cruzeiro fizeram um primeiro tempo muito fraco. Ambas as equipes demonstraram pouca pegada no meio de campo e nenhuma inspiração no ataque.

Pensando em oportunidades, é possível afirmar que o Cruzeiro criou mais, esteve melhor, ainda que fora de casa, mas parou em erros de Arthur Gomes, duas vezes, e Zé Ivaldo, que não conseguiu aproveitar bola rebatida na área.

Os goleiros trabalharam uma vez cada. Anderson espalmou ótimo chute após jogada de habilidade e raça de Bolasie e Gustavo fez boa intervenção em finalização cruzada de Lucas Silva, depois de bonita construção coletiva do Cruzeiro.

Bolasie abre o placar na etapa final

Showman, Yannick Bolasie parecia o jogador mais a vontade em campo. Se a partida era fria como a noite em Criciúma, o congolês tentava esquentar as coisas dando passes bonitos e indo para cima da marcação.

Se alguem poderia ser premiado com gol, seria ele. E foi. No primeiro minuto do segundo tempo, o Criciúma puxou jogada rápida de transição nas costas do meio de campo celeste, Marcelo Hermes recebeu, carregou e cruzou.

A bola pingou na área, João Marcelo afastou mal e Claudinho bateu para a área, achando Bolasie, livre. O atacante só completou para abrir o placar.

O lance ainda passou por longa checagem no VAR para avaliar possível impedimento, mas após toda a espera, foi validado.

Após o gol sofrido, o treinador Fernando Seabra fez alterações ofensivas, deixando o time somente como Lucas Romero de volante de origem. Mas o trabalho havia se tornado muito mais difícil.

O Criciúma se fechou bem e, sem um centroavante, o pouco criativo Cruzeiro tinha que chutar de longe ou levantar para ninguém.

Vitinho carimba o travessão, mas nada muda

O Cruzeiro teve sua melhor chance no jogo já na segunda metade da etapa final. Vitinho, cria da base da Raposa que tem entrado bem nas partidas, fez boa tabela pelo meio, recebeu, invadiu a área e bateu na saída de Gustavo, carimbando o travessão.

Mas mesmo com a boa chance, o time celeste não conseguiu manter o bom momento.

O Criciúma voltou a crescer na partida e chegou com perigo, em especial com Allano, ex-Cruzeiro, que entrou na segunda etapa e obrigou Anderson a defender um excelente chute.

Nos minutos finais teve de tudo, expulsão boba de Allano, que recebeu o segundo amarelo, por chutar a bola após o juiz apitar, discussões, Anderson na área tentando empatar em jogada de escanteio, mas o 1 a 0 para o Tigre prevaleceu.

O Criciúma terminou a partida na 12ª colocação, com 16 pontos em 12 jogos. O Cruzeiro, por sua vez, finalizou na oitava posição, com 20 pontos em 13 partidas.

Foto de Maic Costa

Maic CostaSetorista

Maic Costa é mineiro, formado em Jornalismo na UFOP, em 2019. Passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas, antes de se tornar setorista do Cruzeiro na Trivela.
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