Clássico tem dois Corinthians diferentes e vitória com lição que Dorival precisa aprender
Após primeiro tempo lamentável, Timão muda completamente postura, faz a bola chegar em Yuri Alberto e vence duelo dos desesperados
O clássico contra o Santos, neste domingo (18), pelo Campeonato Brasileiro teve dois Corinthians diferentes.
O do segundo tempo venceu a partida por 1 a 0, enquanto o do primeiro, que pediu desesperadamente para perder, ao menos carrega lições importantes que o técnico Dorival Júnior precisa aprender.
O protagonismo da partida foi de Yuri Alberto. Assim como os outros dois clássicos contra o Peixe em 2025, ambos pelo Campeonato Paulista, o centroavante foi decisivo.
Foi do camisa 9 o único gol (validado do jogo). Ele chegou a fazer mais um, que foi anulado pela arbitragem por falta de Félix Torres na origem da jogada.
Quando esteve no mano a mano contra os defensores santistas, Yuri venceu todos os duelos e mostrou que a bola precisa chegar nele. O que não aconteceu no primeiro tempo.
O gol marcado por Yuri Alberto neste fim de semana foi o quarto do atacante contra o clube que o revelou em três jogos nesta temporada. No geral, o jogador já castigou o Peixe em sete oportunidades, seis delas pelo Timão – uma foi pelo Internacional.
Ao balançar as redes, o centroavante corintiano também assumiu de forma isolada da Neo Química Arena, com 44 gols anotados no estádio corintiano. Ele deixou o companheiro Ángel Romero para trás.
Teve olé, mas não foi com olé
O som da arquibancada da arena corintiana nos acréscimos do jogo foram os gritos de “olé” da torcida mandante. Na prática, o triunfo do Timão não foi bem assim.
Pelo contrário, o primeiro tempo teve o Santos muito mais próximo de abrir o placar.
O técnico Dorival Júnior preencheu o meio-campo com cinco jogadores no setor: André Carrillo, José Martínez, Maycon, Breno Bidon e Igor Coronado.
Se a ideia era ter mais criação, não deu certo. O time esteve mais espaçado e pouco veloz, muito pelo posicionamento equivocado de alguns atletas.
Sem o lateral-direito Matheuzinho, sacado com um edema muscular, o zagueiro Félix Torres foi improvisado no setor. Ainda que mais aberto pela direita, o defensor pouco subia. Assim, a responsabilidade ficou com José Martínez e André Carrillo.
No entanto, o peruano atuou praticamente grudado à lateral do campo, enquanto o venezuelano é quem saia mais como meia-direita.
Igor Coronado flutuou pelo centro, buscou o jogo, mas teve pouca participação.
O que aconteceu somente na única chance clara de gol do Corinthians no primeiro tempo, que foi em um lance de bola parada. Em cobrança de falta pelo meia, o goleiro Gabriel Brazão foi obrigado a brilhar com grande defesa.
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Corinthians do segundo tempo foi aquilo que o torcedor quer ver
Já durante o primeiro tempo, o técnico Dorival Júnior dava mostras de incômodo com a atuação corintiana. Ele se movimentou bastante, chamou o auxiliar Lucas Silvestre e até mesmo o volante Maycon para conversar em alguns momentos.
Mesmo sem alterar peças, o Timão voltou ao segundo tempo diferente.
Mais organizado, veloz, compacto e encostando mais nos atacantes, a bola começou a chegar mais a Yuri Alberto.
E era isso que o Timão precisava.
As três chances claras da equipe na etapa final aconteceram quando a bola chegou ao centroavante que, na primeira delas, guardou.

José Martínez apareceu pelo lado direito e cruzou para Yuri, que fez o movimento perfeito, ganhou de Léo Godoy no alto e fez o suficiente para a bola cruzar a linha fatal. O goleiro santista Gabriel Brazão até chegou a defender, mas a bola já tinha entrado.
No segundo momento, Yuri foi acionado, ficou no mano a mano com Zé Ivaldo, cortou o defensor adversário com um drible de corpo, mas finalizou para fora.
E na terceira, já nos acréscimos, foi acionado por Félix Torres, ganhou de Tomás Rincón na corrida e fez um golaço, de cavadinha. O gol, no entanto, foi anulado por falta do defensor na origem do lance.
Por fim, a comparação do Corinthians entre os tempos deixa clara lição a Dorival Júnior: para a equipe vencer, a bola precisa chegar a Yuri Alberto.
Sistema defensivo do Corinthians novamente deixou a desejar
O Corinthians só não teve mais dificuldades na partida porque o Santos conseguiu a proeza de não abrir o placar no primeiro tempo.
Novamente com muitos erros, o sistema defensivo do Timão faltou para o Peixe sair na frente.
Foram vacilos individuais, como erros de passe e de posicionamento, que originaram as duas chances mais claras do primeiro tempo, ambas do Santos.
Na primeira, o zagueiro Zé Ivaldo subiu de cabeça livre entre Félix Torres e Angileri – que eram os dois laterais corintianos e já dá mostra de quão desorganizada estava a defesa do clube. O cruzamento foi feito por Rollheiser, que também estava livre para dominar e levantar a bola na área.
Minutos depois, Cacá afastou mal um cruzamento e Barreal apareceu livre pelo lado direito para finalizar para fora, mas levando perigo ao goleiro Hugo Souza.
Breno Bidon e Angileri estavam completamente perdidos e não faziam a marcação do meia argentino, do Santos.



