Campeonato Brasileiro

Cheia de clubes tradicionais, a Série D segue em frente com 32 sobreviventes para o início dos mata-matas

Entre sexta e sábado, a Série D atravessou a definição de sua fase de grupos. No reformulado torneio, com oito grupos de oito clubes, os times disputaram o 14° compromisso da etapa de classificação e definiram os 32 sobreviventes que avançam aos mata-matas, em busca das quatro vagas do acesso à Série C 2021. A sequência do campeonato ainda terá duelos regionalizados, nos 16-avos e nas oitavas de final. Apenas nas quartas é que os times serão reorganizados por melhor campanha, em partidas de ida e volta que confirmarão os quatro promovidos. E um bom número de clubes tradicionais mantém seu sonho de alcançar a terceira divisão nacional.

O Grupo A1, composto por clubes da região Norte, teve um bom desempenho dos acreanos. Bragantino, do Pará, e Fast Clube, do Amazonas, terminaram nas duas primeiras colocações. Todavia, as outras vagas ficaram com representantes do Acre, Galvez e Rio Branco. Dentre os quatro, apenas o Galvez nunca disputou a Série C, mas o Bragantino não alcança a terceirona desde 1993. Fast Club e Rio Branco, tradicionais na região, têm históricos mais recentes no terceiro nível. O Rio Branco não aparece na Série C desde 2013, enquanto o Fast esteve por lá pela última vez em 2008.

O Grupo A2 uniu estados do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste. Porém, quem se deu bem mesmo foram os times de Piauí e Maranhão. As duas primeiras vagas foram dos piauienses, com Altos e River. Moto Club e Juventude Samas avançaram na sequência da tabela. São Raimundo de Roraima foi o único a permanecer com alguma chance até o final, sem sucesso diante da má sequência recente. O Altos costuma ser um forte candidato na quarta divisão, mas nunca subiu. O River, por sua vez, chegou a ser vice da Série D em 2015 e caiu na Série C durante a temporada seguinte. O Moto passou pela terceirona pela última vez em 2017, depois do acesso na quarta divisão em 2016. Já o Juventude figurou na terceirona rapidamente em 1995.

O Grupo A3 guarda um dos clubes mais pressionados pelo acesso, o América de Natal. O Dragão cumpriu sua parte numa chave rodeada por outros nordestinos, terminando em primeiro. Salgueiro, Floresta e Globo o acompanham aos mata-matas. O América disputa a Série D pela quarta temporada consecutiva, ainda perseguindo uma promoção importante à dimensão do clube, que ainda estava na Série B em 2014. O Salgueiro é outro com passagem recente pela segundona e não aparece na Série C desde 2018, firmando-se como um ioiô nesta década. De ascensão recente, o Floresta almeja a Série C pela primeira vez – algo que conseguiu o Globo, ao ser vice-campeão da quarta divisão em 2017, passando duas temporadas na terceirona. Os potiguares, aliás, venceram o confronto direto com o Atlético Cajazeirense para entrar na zona de classificação na última rodada. O Campinense foi a decepção da chave, em sexto.

Maior rival do América, o ABC faz uma corrida paralela e também venceu o Grupo A4, em chave igualmente concentrada entre os nordestinos. Foi um dos grupos mais equilibrados desta Série D, com Itabaiana, Vitória da Conquista e Coruripe seguindo vivos – além do Central eliminado pelo número de vitórias, mesmo cumprindo sua parte no último compromisso. Dono da melhor defesa, o ABC mira o retorno imediato à Série C, um ano depois de seu inédito descenso à quarta divisão e três anos após deixar a Série B. O Itabaiana bateu na trave em 2019 e tenta voltar à terceirona pela primeira vez desde 2005. O Vitória da Conquista só jogou a Série C em 2008, enquanto o Coruripe esteve lá pela última vez em 2007. Vale mencionar ainda os alagoanos do Jacyobá, lanternas com quatro pontos e a pior defesa do campeonato: foram 54 tentos sofridos, com três partidas em que foram vazados sete vezes.

Rumo ao Centro-Oeste, o Grupo A5 também trouxe times do Espírito Santo. E foi um show dos goianos: Aparecidense, Goiânia e Goianésia ocuparam as três primeiras colocações. O capixaba Real Noroeste avançou em quarto, superando o Águia Negra no saldo. A Aparecidense nunca disputou a Série C, assim como o Goianésia. Um dos mais tradicionais do estado, o Goiânia esteve até na Série A, mas não figura na terceirona desde 2002. Este, aliás, é seu retorno às divisões nacionais após 18 anos longe da liga e terminou a fase de grupos embalado por cinco vitórias consecutivas. Já o Real Noroeste, que se afirmou na elite capixaba durante esta década, disputa a Série D pela primeira vez e nunca esteve acima disso.

O Grupo A6 guardou não apenas a melhor campanha desta fase de classificação, mas também o segundo melhor desempenho. Com o melhor ataque, o Brasiliense somou 10 vitórias em 14 rodadas e passou em primeiro, um ponto à frente do rival Gama – que, em compensação, vem em crise financeira, com uma debandada que desmancha o elenco e faz a equipe perder fôlego. Numa chave diversificada por times de quatro regiões, Atlético de Alagoinhas e Tupynambas foram os outros a seguir em frente. Já o Palmas conseguiu a proeza de ser o pior time da história da Série D e não somar um ponto sequer – contabilizando a trajetória “perfeita” de 14 derrotas. Estrelado por Zé Love, o Brasiliense vai para seu sétimo ano fora da Série C. Já Gama não pinta por lá há dez anos. Vice-campeão baiano, o Atlético de Alagoinhas disputou a terceirona pela última vez em 2008. O Tupynambás, estreante na Série D e que venceu o confronto direto com o Bahia de Feira na última rodada, nunca pisou além do quarto nível.

O Grupo A7 se dividiu por São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Os paulistas cumpriram o favoritismo, com bons desempenhos de Ferroviária e Mirassol, nos dois primeiros lugares. A Cabofriense veio em terceiro e o Cascavel completou a metade de cima da tabela. A classificação dos paranaenses, aliás, foi repleta de emoção: Paulo Baya definiu o triunfo por 1 a 0 com um gol de falta no último lance em Cabo Frio, para superar a Portuguesa da Ilha na tabela. De boas aparições recentes no Paulistão, a Ferroviária não joga a Série C desde 2002. O artilheiro do campeonato até o momento é da Ferrinha, Tiago Marques, com 11 tentos. O Mirassol esteve a última vez na Série C em 2008 e pega embalo numa temporada em que fez história no estadual. A Cabofriense não joga a terceirona desde 2006, enquanto o Cascavel é um novato até na Série D, em crescimento fomentado por Belletti até 2011.

Por fim, o Grupo A8 reuniu paulistas, catarinenses e gaúchos. O Novorizontino fez uma campanha bastante sólida, com 31 pontos e nove vitórias. Sobrou num grupo que terminou embolado. São Luiz de Ijuí, Caxias e Marcílio Dias o acompanham na próxima etapa, enquanto Pelotas e Joinville ficaram a um ponto de avançar, ambos eliminados apenas na rodada decisiva. Já a decepção foi o São Caetano, com direito à histórica derrota por 9 a 0 contra o Pelotas. Tomou também de 6 a 0 contra o Caxias na rodada final, o que permitiu aos gaúchos saltarem três posições. O Novorizontino nunca jogou a Série C na atual “encarnação”, mas o Tigre original (que fechou as portas) chegou até a conquistar a terceirona em 1994. Curiosamente, sua última vez nas divisões nacionais aconteceu na Série B de 1995. O São Luiz apareceu na Série C uma vez, em 1996. O Marcílio Dias está longe do terceiro nível desde 2009. Já o Caxias é quem passou pela terceirona faz menos tempo, rebaixado em 2015.

Neste início dos mata-matas, vale destacar o embate entre Moto Club e Fast Clube, entre as camisas mais tradicionais que se cruzam. Caxias x Mirassol também soa como uma boa pedida, ambos podendo se cruzar com o Brasiliense nas oitavas. Há ainda o duelo estadual entre ABC e Globo nos 16-avos de final. As duas primeiras fases eliminatórias da Série D acontecem em dezembro, inclusive durante as festas de fim de ano. Já a definição do acesso fica marcada para as duas primeiras semanas de janeiro. A finalíssima está agendada para 7 de fevereiro.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo