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Botafogo-SP suporta o caldeirão em Teresina, segura o River e conquista a Série D

O Albertão se preparou para uma apoteose, protagonizada por 40 mil nas arquibancadas. Após a derrota por 3 a 2 em Ribeirão Preto, dava para confiar em uma virada do River em Teresina. E a torcida recebeu o Botafogo bastante confiante, aguardando o gol que pudesse levar os piauienses ao título da Série D. Pararam na garra dos paulistas, que seguraram o empate sem gols durante os 90 minutos, mesmo jogando com um a menos durante boa parte do segundo tempo. Valeu o esforço. Diante da frustração da torcida local, o Pantera comemorou a conquista da quarta divisão, primeiro título nacional em seus 97 anos de história.

Ao longo da campanha, o Botafogo já tinha provado que o rótulo de azarão não lhe comandava na Série D. Ao longo de todo o mata-mata, os tricolores eliminaram adversários que decidiam em casa, por terem melhor classificação. Foi assim para derrubar nas oitavas o Crac, que terminou à frente dos paulistas no próprio grupo. Para suportar a pressão do São Caetano, dono da melhor campanha do torneio até então, e confirmar o acesso. E para não sucumbir à multidão no Mangueirão, batendo o Remo e chegando à final. O River era o último desafio. Já encaminhado no Estádio Santa Cruz, com a eletrizante vitória no jogo da ida.

Desde os minutos iniciais, o River foi a campo com uma mentalidade ofensiva. Só que os piauienses pouco fizeram no primeiro tempo travado, em que apostavam muito no jogo aéreo, sem ameaçar a meta de Neneca. Enquanto isso, os visitantes tentavam aproveitar algum contra-ataque para ganhar tranquilidade. Já na segunda etapa, o Galo começou a ser mais incisivo. E ficou em vantagem numérica aos 10 minutos, quando o capitão César Gaúcho recebeu o segundo cartão amarelo. Com um a menos, o Botinha passou a trocar homens de frente por defensores, e pagou para ver as consequências.

Dominando o jogo, o River partia para o abafa. Quase marcou aos 34 minutos, parando em grande defesa de Neneca. E o grito de gol acabou entalado na garganta da multidão no Albertão. Nos acréscimos, alguns até se precipitaram, em rebote de Neneca que Edu completou. Entretanto, o jogador do clube da casa apenas acertou a rede pelo lado de fora. Mesmo o goleiro Naylson chegou a subir à área no desespero. Em vão. Ao River, restou se contentar com o acesso, já um grande prêmio – dado também a Remo e Ypiranga.

O Botafogo, por sua vez, colhe os frutos de um grande investimento no retorno às divisões nacionais. Com um orçamento mais alto do que a maioria dos concorrentes, o time demorou a encontrar seu rumo na competição. No entanto, se encaixou sob o comando de Marcelo Veiga e emendou a ascensão nos mata-matas. Com muitos nomes experientes do elenco, o Pantera teve o controle para superar cenários desfavoráveis. Levanta a taça para fazer jus ao público que o acompanhou no Santa Cruz e que festejará nas ruas de Ribeirão Preto.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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