Campeonato Brasileiro

Borja, enfim, entrega o que se esperava dele. Mas Palmeiras empata

Borja foi contratado, por milhões de dólares, como o melhor jogador da América do Sul e encheu o torcedor palmeirense de esperança. Semana a semana, partida a partida, ficou claro que ele não seria a estrela que substituiria Gabriel Jesus e mal parecia qualificado para ser um atacante meramente competente. O tempo também tem sido capaz de mostrar que há um meio termo entre o craque e o bagre. O colombiano está melhorando desde a saída de Cuca e, nesta segunda-feira, enfim, brilhou com os dois gols do empate por 2 a 2 com o Cruzeiro.

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Não se pode esperar que Borja arranque driblando adversários até colocar a bola no gol. Desde o Atlético Nacional, sua característica era outra. Poucos toques antes da finalização. Ele teve quatro chances contra o Cruzeiro: guardou duas, mandou uma de fora da área nas mãos de Fábio e perdeu uma boa chance, quando estava livre e cabeceou para fora. Com mais confiança, apesar de ainda ter dado umas caneladas, seus chutes tendem a ser mais perigosos. Valentim acerta em dar uma chance para ele neste momento, uma vez que Willian está machucado.

Melhor notícia do que essa para o torcedor palmeirense foi a maneira como o time atuou no Allianz Parque. Com exceção da primeira metade da etapa final, quando levou o segundo gol do Cruzeiro, controlou a partida e criou diversas oportunidades, que poderiam ter sido transformadas em uma vitória, não fossem defesas brilhantes de Fábio e a interpretação de Heber Roberto Lopes que anulou um gol de Borja.

O erro de Juninho, nos primeiros minutos, condicionou o resto do jogo. Acentuou a dinâmica que já era esperada: o Palmeiras em cima, com uma linha bastante avançada, abrindo campo para o Cruzeiro correr no contra-ataque. A ansiedade palmeirense cresceu, o que se reflete no número de cruzamentos, quase 50, próximo dos três jogos anteriores somados sob o comando de Valentim. Mas precisamos observar de onde foram muitos desses cruzamentos: da linha de fundo, mais conscientes, e não de qualquer maneira a partir da intermediária.

Borja encontrou a cabeça de Egídio e, em boa posição, poderia ter empatado, mas mandou para fora. A pressão palmeirense já era grande quando Moisés inverteu para Egídio, que deu um desses cruzamentos mais conscientes, e Dudu desviou de calcanhar. Fábio fez uma defesa excepcional, e Borja matou no rebote. Logo na sequência, Keno desarmou no meio-campo e correu até ficar cara a cara com o goleiro, mas não conseguiu domar a bola e chutou por cima. O atacante colombiano chegou a marcar o gol da virada, de cabeça, mas o árbitro deu falta em Manoel e anulou o lance.

Depois do intervalo, o Palmeiras perdeu um pouco o controle da partida e expôs que ainda tem falhas defensivas que podem ser bem aproveitadas, especialmente quando se lança ao ataque. Arrascaeta ficou cara a cara com Prass e quase virou. Rafael Marques também disparou livre. O Cruzeiro parecia ter conseguido decifrar a linha defensiva palmeirense e o contra-ataque era iminente. Dudu exigiu outra boa defesa de Fábio, e Robinho recebeu lançamento, saiu na frente de Prass e deu, ironicamente, por cobertura. E a Raposa quase marcou o terceiro, com Arrascaeta.

O susto passou, e o Palmeiras voltou a pressionar. Desta vez, ainda mais ansioso, com a contribuição de Roger Guedes, que antecipa demais as jogadas e toma decisões erradas. Tchê Tchê tentou de longe, e Fábio defendeu. Keno fez boa jogada individual, cortada pela defesa. Fábio fez milagre em cabeçada de Edu Dracena. E o empate surgiu em cobrança de lateral, mas não aquela direto para área. Dudu recebeu pela ponta direita e cruzou rasteiro. Borja dominou e emendou sem deixar a bola cair no chão. Belo gol.

O empate acaba desanimando o torcedor palmeirense, que via a possibilidade de assumir a liderança se vencesse o Cruzeiro e o Corinthians – por mais que os jogadores insistam no discurso ensaiado de que o objetivo é apenas chegar entre os quatro primeiros. Mas a briga pelo título do Campeonato Brasileiro segue aberta. São cinco pontos de diferença, a sete rodadas do final, com confronto direto no próximo fim de semana. Todas as atenções voltadas ao dérbi.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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