Brasileirão Série A

Atlético: CEO explica adesão à Libra, revela folha salarial e projeta futuro

Bruno Muzzi explicou os motivos para a mudança de bloco do Galo

O Atlético-MG causou grande movimentação no mundo do futebol na terça-feira (11) ao anunciar a mudança da Liga Forte Futebol (LFF) para a Liga Brasileira (Libra). Após muitas especulações, o CEO do clube explicou quais os motivos para o movimento.

O que aconteceu?

  • O Atlético trocou a LFF pela Libra
  • A mudança causou questionamentos, já que o clube era um dos líderes da LFF e crítico da Libra
  • CEO do Atlético, Bruno Muzzi explicou os motivos da mudança
  • Muzzi também falou da folha salarial do clube e como essa mudança pode impactar no futuro

Bruno Muzzi explica saída do Atlético da LFF e acerto com a Libra

Em live com um membro do conselho deliberativo do Atlético, Bruno Muzzi respondeu algumas perguntas. Na questão da mudança das ligas, pauta mais quente, ele deu detalhes dos motivos que fizeram o Galo trocar de lado:

“É complexo. Tem polêmicas e narrativas, mas já vínhamos estudando os dois caminhos. A LFF teve um papel espetacular e crucial, liderado pelo Sérgio (Coelho), para que tivesse um equilíbrio. Todos os pleitos que a LFF fez para a Libra, foram aceitos. Hoje são praticamente o mesmo critério de distribuição”, iniciou a explicação o CEO atleticano.

Bruno Muzzi explicou que hoje não existe mais um projeto de liga e sim dois blocos de clubes que vão negociar por direitos. Esse foi o principal ponto que fez o Atlético mudar de lado: “A partir disso, você começa a fazer conta de qual é mais valorizado, onde teria mais valorização. O direito de transmissão da Série A, hoje, é na casa de 2,5 bilhões. Tirando os percentuais que estão sendo vendidos, cai para a casa dos R$ 2 bilhões no caso da Libra. Uma conta que foi feita é qual a representatividade dos blocos. A gente estima que a Libra vai ter 70% dos valores”.

Muzzi seguiu explicando a diferença dos contratos com LFF e Libra. No primeiro o Atlético receberia cerca de R$ 203 milhões vendendo 20% dos direitos, enquanto no segundo ele receberá cerca de R$ 100 milhões vendendo 12,5%. O CEO entende que essa diferença pode ser recompensada em dois ou três anos na Libra.

“A partir do momento que somos SAF, que olhamos a médio/longo prazo, precisamos olhar de forma econômica. Com dois ou três anos você já recuperou a diferença, sem contar com a valorização da liga. Economicamente faz sentido pra gente estar na Libra. A gente acha que temos um potencial de valorização maior nela”.

Finalizando a explicação, Muzzi deixa claro que ter times “mais fortes” na Libra foi um ponto importante para entenderem que esse bloco pode render mais. Esses times são Flamengo, Corinthians, São Paulo e Palmeiras, as quatro maiores torcidas do Brasil.

Como essa escolha pode impactar no futebol do Atlético?

Com a mudança de blocos de clubes, o Atlético deixa de receber um montante alto no momento, o que é um motivo para explicar a não movimentação do clube na janela de transferências. Além, claro, da alta dívida que impede o Galo de fazer grandes investimentos.

“O futebol precisa respeitar o orçamento. Teremos investimentos robustos, nada muito fora da curva. Para essa janela a gente precisa respeitar o limite. Se a gente conseguir uma saída, que abra espaço na folha, aí a gente pode tentar uma contratação”, disse Muzzi.

Hulk - Atlético-MG
Hulk é o principal nome do elenco do Galo (Foto: Pedro Souza / Atlético)

Outro motivo é a alta folha salarial que o Atlético tem atualmente. Muzzi revelou que, em 2023, somando salários, direitos de imagem, férias e 13° dos jogadores e da comissão, o Atlético gasta algo “na casa dos R$ 250 milhões”, o que dá cerca de R$ 20,8 milhões por mês, sendo a terceira maior folha salarial do Brasil.

Essa folha salarial consome cerca de 60% do faturamento do Atlético, que gira na casa de R$ 430 milhões. O CEO informou que essa porcentagem é alta e o clube pretende alterá-la, mas não será diminuindo a folha salarial.

A ideia do Atlético, com a entrada na Libra e a SAF, é aumentar a arrecadação e manter a folha na casa de R$ 230 milhões, com isso, diminuindo a porcentagem do que ela representa. Já há um planejamento no clube para 2024/25/26, com um limite de 42%, ou seja, será necessário ter um faturamento perto de R$ 550 milhões.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
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