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Além da Série A: O Paulo Baier que merece ser lembrado além da zoeira

Cada vez mais, o fim parecia irrevogável. Até que, neste domingo, ele se confirmou. Paulo Baier, a partir desta segunda, é jogador aposentado. O veterano de 41 anos havia prometido encerrar a sua carreira neste ano, no time de sua cidade, no qual se profissionalizou em 1995. E o calendário do São Luiz de Ijuí terminou após o empate por 0 a 0 com o União Frederiquense, eliminado na segunda divisão do Campeonato Gaúcho. Paulo Baier recebeu uma homenagem da diretoria alvirrubra, além das atenções de dezenas de jornalistas. “Acho que aos 41 anos, 21 de carreira, pude fazer meu dever, meu melhor. Procurei me dedicar ao máximo. Estou feliz. Valeu por tudo. Queria deixar um abraço a todos os clubes por que passei”, afirmou, projetando seguir em frente no futebol, como técnico.

A longevidade de Paulo Baier é motivo de piadas recorrentes. A zoeira, que é até natural, ms ficou um tanto quanto cansativa quando não é feita de maneira criativa. Mas esta longevidade também ajuda a ressaltar muitos dos predicados do gaúcho. Que não tenha sido um craque, esteve sim acima da média de sua posição. Principalmente pela capacidade física e pela qualidade técnica, que o garantiram na ativa por tanto tempo. E, mesmo que não tenha conquistado títulos notáveis ou estourado em um grande centro, Baier teve bola para se manter como referência em clubes de peso, especialmente pelas passagens por Goiás, Atlético Paranaense e Criciúma. O suficiente para gravar seu nome na história.

Ao contrário do que se vê com tanto costume, Paulo Baier não foi um lateral que dependeu apenas da força física. Teve, sim, fôlego para aguentar o ritmo imposto pela posição, até pelas constantes subidas ao ataque. Mas fez além para se tornar um dos melhores laterais do país. É a capacidade em bater na bola que não se desaprende. É o talento que, pouco a pouco, quando a idade começou a pesar, o fez avançar pelo meio de campo. E, dentro das circunstâncias que enfrentou, mesmo que mais modestas, se manteve como destaque.

Paulo Baier esteve na elite do futebol brasileiro até 2014, quando disputou a Série A com o Criciúma. Quando marcou os últimos de seus 106 gols, se consolidando como o maior artilheiro dos pontos corridos no Brasileirão – posto que perderia tempos depois para Fred. De qualquer forma, mais do que um rótulo, o número serve para ressaltar a regularidade do veterano. Já nos últimos anos, Paulo Baier soube compreender os seus limites. E, mesmo sem estar no primeiro nível, manteve a sua importância, especialmente na passagem pelo Ypiranga de Erechim, quando foi eleito para a seleção do Campeonato Gaúcho. Já no São Luiz, ainda foi artilheiro do time na Divisão de Acesso.

No fim, Paulo Baier serve de retrato do futebol brasileiro nos últimos 15 anos. A dedicação ao longo deste tempo, sobretudo, merece o destaque. Será daqueles nomes para se lembrar, pelo folclore e pelos gols. E, brincadeiras à parte com a idade, também a se respeitar por aquilo que construiu com sua técnica apurada.

Série B

Os primeiros tropeços

Vasco e Atlético Goianiense, enfim, perderam o 100% de aproveitamento na última semana. Nada, porém, que tirasse a dupla da ponta da tabela. O Vasco é o líder, se recuperando do empate contra o Oeste ao bater o Goiás por 1 a 0. Já o Atlético perdeu para o Luverdense fora, mas se recuperou superando o Bragantino. A diferença para o pelotão na zona de classificação é de cinco e quatro pontos, respectivamente.

Bahia e Brasil no G-4

Logo atrás dos ponteiros, a confusão começa na tabela da Série B. Por enquanto, o direito de respirar no G-4 é de Bahia e Brasil de Pelotas. O Tricolor vem dos 3 a 0 sobre o Paysandu, com direito a uma belíssima bicicleta de Danilo Pires, já candidata a golaço da competição. O Xavante, por sua vez, não perde há quatro rodadas. Na última semana, venceu o Paysandu, antes de empatar com o Luverdense. Logo atrás aparecem Náutico, Avaí, Criciúma e Ceará – o único time a somar duas vitórias na semana.

Na rabeira

O Sampaio Corrêa segue a péssima campanha, independente de ter conquistado o seu primeiro ponto, ao empatar com o Bragantino. Mas se o desespero da Bolívia Querida é incomparável, o caos se concentra em tantos outros concorrentes na Série B. Entre os sete últimos colocados, nenhum venceu mais do que um jogo em seis rodadas. Aparecem no bolo Joinville, Goiás, Paysandu, Vila Nova, Bragantino e Tupi, além do lanterna Sampaio. Destes, só o Joinville venceu na semana, e mesmo assim em confronto direto com o Tupi.

Série C

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Esse ano vai?

O Fortaleza assumiu a liderança isolado do Grupo A da Série C. E de maneira imponente: o Tricolor passou por cima do América de Natal, dentro da Arena das Dunas, por 3 a 0 – feito ainda maior considerando que os potiguares haviam vencido seus dois primeiros jogos. Daniel Sobralense, Edimar e Anselmo comandaram a festa. O potencial dos cearenses na briga pela vaga é indiscutível. Além de ser um clube de massa e bem estruturado, vem em ótima fase sob o comando de Marquinhos Santos, especialmente após conquistar o estadual e eliminar o Flamengo na Copa do Brasil. Resta saber se o prazo de validade dura até as quartas de final, trauma recorrente do Leão do Pici.

O Bugre embala

Já no Grupo B, a liderança agora é do Guarani. Embora tenham decepcionado na A-2 do Paulista, sem sequer conseguirem a classificação aos mata-matas, os campineiros dão passos firmes na Terceirona. Após golear o Guaratinguetá e arrancar o empate contra o Tombense fora de casa, o Bugre bateu o Juventude em pleno Alfredo Jaconi. O time de Caxias do Sul foi melhor e pressionou o tempo todo, mas cedeu às bolas paradas e ao contra-ataque dos paulistas. Ferreira e Pipico anotaram os gols. Considerando o favoritismo dos gaúchos na chave, até pelo início do ano que fizeram, o Guarani se afirma como candidato à classificação.

Lusa e Remo se erguem

O começo da Série C foi bastante frustrante para duas das equipes mais tradicionais no páreo. Tanto Portuguesa quanto Remo só haviam conquistado um pontos e dois jogos. Enfim, a primeira vitória saiu neste final de semana. No sábado, a Lusa sofreu um bocado, mas conseguiu derrotar o Ypiranga de Erechim no Canindé, por 3 a 1. O Remo, por sua vez, brilhou a superar o River dentro do Albertão, por 2 a 1. Apesar disso, os três pontos não serviram para colocar ambos na zona de classificação.

A fase iluminada de Warley

Aos 38 anos, Warley continua marcando os seus gols. O atacante com passagem pela seleção olímpica é reserva do Botafogo da Paraíba, mas peça-fundamental para os vice-líderes do Grupo A. As duas vitórias da equipe na competição saíram graças ao veterano: anotou o gol no 1 a 0 sobre o Cuiabá e, neste domingo, fechou a conta nos 2 a 0 diante do ABC. Já são seis gols nas últimas oito partidas, incluindo também o Campeonato Paraibano e a Copa do Brasil. O artilheiro da Série C, contudo, é Anselmo, autor de três gols com o Fortaleza.

Série D

deborah

Mulheres de volta ao apito

A Série D começa no próximo final de semana, com 34 jogos disputados no domingo. E, após o anúncio da escala de árbitros pela CBF, Murici e Campinense merece destaque especial: pela primeira vez em 11 anos, uma mulher será árbitra de um jogo principal masculino das divisões nacionais. Desde o Brasileirão de 2005, com Sílvia Regina, é que uma mulher não desempenhava a função. O trabalho será de Deborah Cecília, que já apitou jogos do Campeonato Pernambucano e atuou como quarta árbitra na Copa do Nordeste.

Folclore no ataque

Tonho Cabañas é um grande personagem do futebol acreano. O “encorpado” atacante chamou atenção na Copa do Brasil, durante o duelo do Galvez contra o Santos. Já no estadual, mesmo conciliando a rotina de treinos com o serviço de frentista, o jogador de 31 anos terminou como artilheiro. Reconhecimento merecido, foi anunciado na última semana como reforço do Atlético Acreano para a Série D. Será a sua segunda passagem pelo clube, após já ter atuado na quarta divisão nacional em 2014.

Pelo Brasil

Jogaço na final do Paraibano

Na última quarta, Botafogo e Campinense disputaram o primeiro jogo da decisão do Campeonato Paraibano. Noite efervescente no Almeidão, em João Pessoa, com cinco gols. Sempre à frente no placar, o Campinense contou com a atuação inspirada do atacante Adalgiso Pitbull, autor de dois gols na vitória por 3 a 2. No final, porém, o tento de Warley diminuiu o prejuízo para o Botafogo. A nota ruim fica para a batalha entre torcedores e polícia nas arquibancadas, depois que botafoguenses tentaram invadir a área dos visitantes. A volta acontece na quarta da próxima semana, dia 15, em Campina Grande. Por ter a melhor campanha, a Raposa pode perder até por um gol de diferença.

Enquanto isso, o Amapazão está só começando

O Campeonato Amapaense é o penúltimo estadual a se iniciar em 2016 – o Amazonense ficou para o segundo semestre. E, logo na partida inaugural, aconteceu a reedição da final de 2015. Mas não dá para dizer que o duelo empolgou muito. Trem e Santos não saíram no empate por 1 a 1, diante de pouco mais de 300 espectadores no Estádio Zerão. Pior, os dois times presentes na Série D deverão usar a equipe reserva na sequência da campanha – ou até o momento em que o torneio nacional não interessar mais. Assim, fica difícil de se planejar e de emplacar.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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