Campeonato Brasileiro

Acima de ter ou não mais posse, o dilema de Diniz é transformar sua filosofia em vitórias

Há esportes em que um painel de especialistas julga os movimentos e atribui notas, com base em estética e técnica. O futebol não é um deles. Os pontos são gerados pelo jogo da equipe ao longo dos 90 minutos, e o fato é que, após 15 rodadas, o do Fluminense gerou menos pontos do que o da Chapecoense e apenas um a mais do que o do CSA, para o qual perdeu, em casa, no último domingo. E Fernando Diniz foi demitido.

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Isso é uma constatação, não uma análise de que a decisão tomada pela diretoria tricolor foi boa ou ruim. É um caso em que é difícil ter certeza. Nada garante que uma abordagem mais conservadora seria ou será mais eficiente porque o próprio Fluminense já a praticou em temporadas nas quais também passou por sérios apuros. Mas nada garante também que a continuidade do trabalho de Diniz alcançaria os resultados desejados – ou seja, evitaria o rebaixamento à segunda divisão.

“Estou mais maduro do que ano passado”, anunciou Diniz, ao ser apresentado no clube carioca. No entanto, seu trabalho não mostrou muita evolução, nem em comparação com a passagem pelo Athletico Paranaense, nem no universo específico do Fluminense, entre o começo do ano, quando os adversários são mais fáceis, e agora, quando eles não são.

O fato de o Furacão ter decolado com a troca por Tiago Nunes e de equipes com menos ou iguais recursos aos do Fluminense, como Chapecoense, Goiás e Ceará estarem à frente, contribuem à sensação de que ele não está conseguindo tirar o melhor dos seus times, embora a boa campanha na Copa Sul-Americana seja um estranho contraste ao que acontece no Brasileirão.

A palavra chave é o equilíbrio, entre um volume de jogo alto, porém pouco eficiente, e uma frágil organização defensiva. O Fluminense finalizou 17 vezes por partida do Campeonato Brasileiro, maior índice segundo os números do WhoScored, mas fez apenas 1,26 gols a cada 90 minutos. Permitiu 12,3 chutes em média à sua meta e levou 1,66 tentos por jogo. Ou os adversários têm finalizadores melhores ou criam situações mais claras, e o mais provável é que as duas hipóteses sejam verdadeiras.

A situação financeira do Fluminense faz com que Diniz não tenha material humano altamente qualificado em mãos e que a rotatividade do elenco e do time titular seja maior do que a desejada, mas, em clube grande, a pontuação baixa e a persistência de falhas conhecidas por todos criam uma espiral negativa da qual é bem difícil sair sem uma ruptura.

E que também seja verdade que algumas partidas foram dominadas e a bola simplesmente não entrou, com erros individuais cruciais nos dois lados do gramado, à medida em que o campeonato e a experiência de Diniz na primeira divisão avançam, temos que falar menos em acaso e mais em como ele sofre para executar as suas ideias.

O dilema não é entre ter ou não a posse de bola, mas como encaixar os recursos disponíveis na filosofia do treinador para ganhar o máximo possível de jogos de futebol, e Diniz não está conseguindo fazer isso na primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Combinando as passagens por Athletico Paranaense e Fluminense, obteve apenas cinco vitórias em 27 rodadas da Série A. Foram 16 derrotas.

É uma pena que seja assim porque Fernando Diniz é um dos poucos treinadores que tenta fazer algo diferente e foge de um receituário ainda muito dominado pela cautela, a passividade, a busca por uma bola. Seria interessante vê-lo em um clube com mais recursos e menos problemas, mas, depois de duas experiências ruins na elite, qual arriscará?

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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