Brasileirão Série A

Até Abel Ferreira sabe a dificuldade de alcançar o Botafogo: ‘Tem tudo para ser campeão’

Palmeiras diminuiu a vantagem do líder do Brasileirão, mas Abel Ferreira diz que obsessão do clube no momento é outra

Líder isolado do Campeonato Brasileiro, o Botafogo fez a melhor campanha da história do primeiro turno da competição ao conquistar 47 pontos. Com o empate com o São Paulo e a vitória do Palmeiras sobre o Cuiabá no início do returno, no entanto, a vantagem da equipe carioca caiu de 13 para 11 pontos. A diminuição da distância faltando 18 rodadas poderia ser motivo de alegria ou servir de motivação, mas não para o técnico Abel Ferreira.

Apesar de sempre exaltar a capacidade de sua equipe, o treinador do Palmeiras reconhece a dificuldade de alcançar o atual primeiro colocado do Brasileirão. Em entrevista coletiva neste sábado (19) após o triunfo por 2 a 0, Abel afirmou que o Botafogo “tem tudo para ser campeão”, mas também fez questão de elogiar o Alviverde.

O que disse Abel Ferreira na entrevista coletiva

  • Afirmou que o Palmeiras jogou “na máxima força”, apesar de ter utilizado uma equipe alternativa;
  • Reconheceu que o Botafogo é amplo favorito para conquistar o Campeonato Brasileiro de 2023;
  • Despistou sobre a participação de Dudu contra o Deportivo Pereira (COL);
  • Parabenizou e elogiou o Palmeiras pela atuação contra o Cuiabá;
  • Elogiou o Deportivo Pereira e disse que o Palmeiras deverá encontrar dificuldades nas quartas de final da Libertadores.

Vantagem do Botafogo e desempenho contra o Cuiabá

Com a vitória sobre o Cuiabá, o Palmeiras chegou a 37 pontos e se manteve na segunda colocação do Campeonato Brasileiro. Já o Botafogo alcançou os 48 pontos. Para Abel Ferreira, o foco palmeirense não é alcançar o líder, mas ser cada vez melhor.

— Em relação à distância (do Palmeiras para o Botafogo), o Botafogo tem uma margem super confortável para perder jogos e ainda continuar na frente. Não altera nada tudo o que eu disse sobre o Botafogo, acho que tem tudo para ser campeão este ano. Já disse isso. A nossa obsessão, e tem que ser essa a nossa obsessão, é melhorar os nossos processos. Nossos jogadores crescerem, serem melhores. Essa é a nossa obsessão, é melhorar os nossos processos — pontuou.

— Temos um líder que, se tudo correr naturalmente, será campeão, e nós não temos o que fazer. A obsessão é melhorar nossos processos, melhorar nossos jogadores. Parabenizar os jogadores que entraram porque foi um jogo extraordinário, seja no que tem a ver com foco nas tarefas técnicas e táticas ou no desempenho ofensivo — completou.

O técnico português também fez questão de rasgar elogios à atuação alviverde diante do Cuiabá, mesmo que utilizando um tom crítico dirigindo-se à imprensa. O comandante palmeirense também criticou o gramado da Arena Pantanal e assegurou, mais uma vez, que sempre utiliza máxima força nos jogos, apesar das mudanças na escalação.

— Já que ninguém me fez essa pergunta hoje, queria dar parabéns aos jogadores. Dar parabéns aos que entraram, aos que se prepararam para jogar na ausência de outros jogadores que estão lesionados. Parabéns pela máxima força que tivemos aqui, pela forma que, mais uma vez, fomos capazes de estar frescos, entrar com calma, impor nosso jogo e fazer um grande jogo aqui. Uma pena o resultado ser tão magro. Mas parabenizar estes jogadores. Eles merecerem que falem dos jogadores que estão aqui, dos que nos ajudaram a continuar neste campeonato — destacou o treinador.

— O que eu posso dizer é o que eu sempre digo para todos vocês: jogamos na máxima força. Em todos os jogos, todas as escolhas que eu faço são para jogar na máxima força. Foi o que fizemos aqui hoje. Felizmente, hoje o resultado foi condizente com a exibição. Nós conseguimos produzir, em um gramado fraco, muitas oportunidades. Algumas delas, com um gramado um condições a calhar… mesmo até o próprio adversário, que teve uma oportunidade no primeiro tempo na zona do pênalti que se é em um gramado em condições, a bola não tinha subido antes. Assim como foi para nós. Mas é o que temos, e fizemos um belo jogo em que o resultado foi positivo. Esta era nossa intenção — acrescentou.

Quartas de final da Libertadores contra o Deportivo Pereira

O próximo compromisso do Palmeiras será pelas quartas de final da Libertadores. Pelo jogo de ida, o time de Abel Ferreira enfrentará o Deportivo Pereira na quarta-feira, às 21h30 (horário de Brasília), em Pereira, na Colômbia. Apesar do adversário disputar um torneio internacional pela primeira vez na história, o técnico português garantiu que terá dificuldades na missão de avançar às semifinais.

— Vamos enfrentar um adversário que é muito competitivo, organizado. Nas observações que já fizemos, percebemos as dificuldades que vamos encontrar. Se estão nesta competição e se vieram disputar esta eliminatória é porque têm qualidade. Eu respeito muito os adversários. É dar o nosso melhor, respeitar os adversários sempre da mesma forma. Eles têm tantas possibilidades de passar como nós. Não é novidade para ninguém que quando traçamos nossos objetivos ao longo do ano, até na Copa do Brasil em que fomos eliminados, queríamos muito passar para a fase seguinte. Infelizmente não conseguimos porque fomos eliminados, mas temos essa ambição em todas as competições que entramos. É preciso respeitar muito o nosso adversário. Sabemos que vamos passar dificuldades, porque tive a oportunidade de assistir esse adversário. É extremamente organizado, não é por acaso que está disputando a classificação para a fase seguinte — disse o português.

Por fim, Abel Ferreira despistou sobre a participação de Dudu contra o Deportivo Pereira. O camisa 7 foi desfalque na vitória sobre o Cuiabá por uma lesão na panturrilha direita.

— Em relação ao Dudu, é um dia de casa vez. Não sei (se estará em condições de enfrentar o Deportivo Pereira). Não te posso dizer nada neste momento. O Dudu é um grande jogador, com uma grande história no clube. Nos ajuda sempre que pode, sempre que está disponível. Não sei o que vai acontecer. Ele quer sempre nos ajudar. Vamos ver, um dia de cada vez — concluiu.

Outros assuntos abordados na coletiva de Abel Ferreira

Vantagem de ter um avião

— Felizmente, o Palmeiras sempre teve esse cuidado, e agora ainda mais. Já com a presidente Leila, sempre tivemos acessos em aviões charter. Agora, ela comprou um avião. Logicamente que nos ajuda muito, seja na logística ou na forma que podemos organizar nossas viagens. A quantidade de viagens que temos, a diferença de temperatura, a quantidade de jogos que temos agora. É verdade que se fez uma coisa muito boa que foi termos as Datas Fifa, mas não se mudou o número de jogos. Temos a Data Fifa, damos uma semana de descanso e depois vamos encavalar os jogos. A única coisa que se fez foi dar a Data Fifa livre. Se dá a Data Fifa livre, aumenta esse espaço e não reduz a competição, vamos jogar de dois em dois dias, três em três dias. O que sempre reclamamos e pedimos é que haja um intervalo suficiente entre os jogos para recuperarmos jogadores, para não termos lesões. Está acontecendo muito isso na Europa agora, estão começando a sentir na pele o que é jogar de dois em dois dias. Fico feliz de ver vários treinadores na Europa queixando-se disso, porque é insano. Se queremos ver os melhores jogadores e os melhores espetáculos, temos que criar condições. Isso obriga uma organização muito forte, tomar decisões difíceis que  depois podem tornar o espetáculo do futebol brasileiro mais fácil. Mas essas são questões muito profundas, não é a minha função. Temos mais um avião que nos ajuda nas viagens e na recuperação, mas de certa forma já fazíamos isso antes. Agora, temos um avião em que viajamos. Não é nosso, é da Leila.

Prioridade do Palmeiras e nova regra de estrangeiros

— O Palmeiras não prioriza nada. O Palmeiras jogo sempre na máxima força. Em virtude da quantidade insana de jogos, é impossível (não fazer um rodízio). Não é só minha equipe, são outras equipes (também). É verdade que houve, no meio do ano, uma alteração das regras em relação aos estrangeiros. Foi feita depois de começar a temporada, e nós tivemos de tomar decisões de mandar jogadores embora porque tínhamos estrangeiros a mais. Como o Merentiel, que emprestamos ao Boca Juniors. Se essa regra tivesse vindo mais cedo, talvez não tivéssemos feito esse empréstimo. Mas essa regra veio na sequência. Quando se quer, consegue-se mudar as regras, melhorar. Tem tudo a ver com isso.

Apoio da torcida

— Agradeço mais uma vez. Os verdadeiros torcedores, aqueles que estão de alma e coração e gostam do Palmeiras nas vitórias, nas derrotas e nos empates e dos jogadores do Palmeiras quando jogam bem e quando jogam mal, são os que eu particularmente gosto, me identifico e me sinto muito agradecido. Vimos isso quando chegamos ao hotel, mas não é de hoje. É desde sempre. Fico muito feliz por ver esse carinho. Nos apoiar quando estamos bem é muito fácil. Agora, nós precisamos do apoio dos nossos amigos, da nossa família, que são as pessoas que mais gostam de nós nos momentos em que perdemos e as coisas não correm tão bem. Mas acho que fica bem evidente para os nossos torcedores que espelham dentro de campo tudo aquilo que é filosofia do nosso clube. Jogam sempre para ganhar, dão o melhor, se esforçam. Só tenho pena que não somos todos exigentes com outros organismos, com outras instituições, como somos com jogadores, treinadores e presidentes. Seguramente a sociedade brasileira estaria muito melhor se fossemos tão exigentes com profissionais de outras áreas como somos com os de futebol. Não é só no Brasil, é no mundo.

Clima de Cuiabá e Deyverson

— Felizmente, as vezes em que vim jogar aqui senti menos o calor. Hoje estava um tempo bastante agradável para se jogar. Vínhamos preparados para essa dificuldade que é o tempo aqui, mas felizmente tudo coreu certo, tirando o gramado. Em relação ao Deyverson, é um jogador que está marcado na história do Palmeiras, junto de todos que o ajudaram a conquistar a Libertadores. Eu já sei que vocês gostam muito de criar o herói e o vilão. Foi um jogador importante enquanto trabalhou conosco. Foi uma decisão que tivemos de escolher entre ele e o Borja. Felizmente, a decisão foi muito bem tomada. Acabei optando por ele e emprestamos o Borja. Só posso agradecer a ele por tudo que ele fez pelo Palmeiras enquanto fui treinador, tudo que nos ajudou. Gravou o nome dele na história do clube, como todos os outros. Lhe desejo a maior sorte do mundo, porque ele é moleque grande que tem um coração muito grande. Desejo muita saúde, muita cabeça e que desfrute da vida. Todos nós que aqui estamos temos tempo limitando, então tem que aproveitar.

Tempo de trabalho no Palmeiras

— Eu só estou no cargo porque nós ganhamos. Isso é muito pragmático. Só sou treinador (do Palmeiras) pelo tempo que sou porque ganhei. Isso é muito simples para mim. Futebol é resultado. Ponto. Só não fui mandado embora porque ganhei, porque se não ganhasse aconteceria comigo o mesmo que acontece com a maioria dos treinadores. É um jogo de cada vez.

Foto de Felipe Novis

Felipe Novis

Felipe Novis nasceu em São Paulo (SP) e cursa jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Antes de escrever para a Trivela, passou pela Gazeta Esportiva.
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