Brasileirão Série A

A noite de Maracanã ofereceu cardápio completo no Fluminense 5×3 Galo

Fluminense e Atlético Mineiro fizeram a partida mais animada deste início de Brasileiro

Vez por outra, o Campeonato Brasileiro oferece noites do mais puro delírio boleiro. Nem sempre é assim, de fato, entre muitos jogos sonolentos e outros tantos de enredo amarrado pela ladainha que virou o VAR. Porém, também resistem as partidas arrebatadoras, daquelas que serão recontadas por muito tempo pela loucura que tomou o gramado. E deverá ser assim na quarta-feira do Maracanã, onde o Fluminense derrotou o Atlético Mineiro em intensos 5 a 3. Foram cinco gols no primeiro tempo, mais três no segundo. Golaços e também erros bisonhos. O mais puro suco do que se espera do Brasileirão, numa semana em que o campeonato é a grande estrela no calendário esvaziado pelos jogos de seleções.

Dava para esperar uma boa partida no Maracanã. O Fluminense oscila com Fernando Diniz, mas ganhou as manchetes há pouco quando enfiou 10 a 1 na Copa Sul-Americana. No Brasileiro, existia a necessidade de recuperação. Enquanto isso, o Atlético Mineiro não consegue ser tão avassalador quanto no último ano, mas segue com um dos melhores elencos do país e mirava a liderança. Turco Mohamed também colocaria o Galo para cima.

O primeiro tempo desatou a insanidade no Maracanã, muito por conta das posturas dos times – ávidos pelo ataque e descuidados na defesa. O Fluminense construiu três gols com qualidade, trocas de passes, boas definições. Teve a linda batida de Arias (com a ajeitada primorosa de Luiz Henrique), a barriga de Cano trazendo velhas lembranças e a cabeçada de Samuel Xavier depois da linha de passe envolvente. Porém, o Galo se recusou a se entregar. Hulk puniu a saída errada de Fábio (logo depois de um milagre do veterano) e Jair levou um sopro de esperança rumo ao intervalo. Mas, antes que os times adentrassem nos vestiários, o clima quente ainda resultou em confusão.

O segundo tempo soou imprevisível quando o Atlético Mineiro empatou, graças a Eduardo Sasha. Quando o Fluminense parecia prestes a ruir, se levantou. Cano mandou uma pancada indefensável e saiu mesmo como herói. Logo depois, seria a vez de Luiz Henrique sublinhar seu destaque na noite imparável, com o gol anotado após as duas assistências. Ainda sobrava muito tempo no relógio para que os times fossem além dos oito gols. O Flu, contudo, foi mais cauteloso e conteve a sangria para administrar o resultado. Sobraria tempo apenas para mais uma confusão dos times nos minutos finais. Ficaria a grande atuação tricolor, para vazar o Galo cinco vezes como não acontecia desde o amargo 6 a 1 do Cruzeiro em 2011.

Num começo de Brasileirão bastante embolado, o resultado indica como as distâncias permanecem curtíssimas, mesmo já decorridas dez rodadas. O Fluminense saiu das imediações da zona do rebaixamento para saltar ao sétimo lugar, com 14 pontos. O Atlético cai para o quarto lugar, só dois pontos à frente, quando poderia até mesmo tomar a liderança do Corinthians com um triunfo. A oportunidade fica nas mãos do Palmeiras, que recebe o Botafogo na sequência da semana.

Nem sempre o Campeonato Brasileiro é saboroso como poderia. Muita coisa contamina, dos cansativos problemas de organização que se repetem infinitamente, até as discussões cada vez mais atravancadas sobre o que deveria ser festa. Bom quando dá para olhar mais para a bola, para o campo, para o futebol. Uma chuva de gols no Maracanã até ajuda a esquecer o resto.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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