Campeonato Brasileiro

A noite de Brasileirão serviu para aliviar os quatro vencedores, todos em fuga do Z-4

Ao longo da quarta-feira, o assunto principal na rodada do Campeonato Brasileiro foi o sonho pelo título. Já a quinta guardou verdadeiras decisões na luta contra o rebaixamento. E todos os quatro vencedores da noite respiram mais aliviados ao olharem à tabela do Brasileirão. O Bahia, se já estava distante dos riscos na competição, desta vez confirmou a sua permanência. Vasco e Ceará, que sofreram pesadelos ao longo dos últimos meses, também dão passos fundamentais para se distanciar do Z-4. Já a Chapecoense ainda está seriamente ameaçada, mas triunfou em confronto direto e agora se coloca acima da zona da degola.

O primeiro jogo da noite foi também o de maior peso. O Vasco recebeu o São Paulo em clima de total apoio em São Januário. Apesar das decepções vividas nas últimas rodadas, a torcida cruzmaltina mais uma vez encheu as arquibancadas e empurrou o time. Enquanto isso, os tricolores dependiam do triunfo para entrar no G-4. Pesou a fé dos cariocas. O gol de Andrey teve valor imenso aos vascaínos, acalmando a situação logo aos 17 minutos. O time de Alberto Valentim correu seus riscos, ao recuar demais. Contou com uma defesa monumental de Fernando Miguel, já aos 42 do segundo tempo, espalmando milagrosamente uma cabeçada à queima-roupa de Rodrigo Caio. E como se o alívio não bastasse, o Vasco fechou o placar em 2 a 0 nos acréscimos, revertendo a sina recente de ceder os resultados no fim. Lindo pivô de Maxi López para Yago Pikachu, balançando as redes e fazendo explodir a Colina. Apesar da pressão e até mesmo da cera, os anfitriões sobrevivem.

Um pouco mais tarde, na Arena Condá, a Chapecoense teve uma postura fulminante contra o Sport. Dois times ameaçadíssimos, sendo que apenas um poderia terminar a rodada fora da zona de rebaixamento. Leandro Pereira foi o herói do Verdão do Oeste. Diante da pressão inicial, converteu um pênalti logo aos três minutos e acertou uma cabeçada indefensável aos sete. Os catarinenses ainda poderiam ter ampliado no primeiro tempo, quando maltratavam a partir dos contra-ataques. Pararam em uma coleção de defesaças do goleiro Maílson. Já na etapa complementar, como seria natural, a Chape recuou um pouco mais. Michel Bastos descontou aos 22 e a apreensão permaneceu até o fim. Ainda assim, os anfitriões seguraram os 2 a 1 no placar e celebraram bastante, por mais que a missão seja dura pela frente.

No Castelão, o Ceará tinha uma missão a cumprir. Pegando o já rebaixado Paraná, possuía a necessidade de conquistar os três pontos e praticamente consumar a reação impensável antes da chegada de Lisca. Não foi tão fácil quanto parecia. Os paranistas assustaram no início da partida, até que o Vozão tomasse as rédeas e abrisse o placar aos 32, em pênalti cobrado por Juninho. Já na segunda etapa, os cearenses encontraram dificuldades para matar o jogo, com Richard fazendo boas intervenções. No fim, ainda houve a reclamação de um pênalti não anotado a favor dos tricolores, mas o triunfo por 1 a 0 desatou a festa alvinegra.

Por fim, Bahia e Fluminense já não estavam tão ameaçados assim, mas o resultado serviria para a tranquilidade. Melhor ao Esquadrão de Aço, que emenda uma sequência de vitórias na Fonte Nova e escapa de vez dos riscos. Durante o primeiro tempo, o goleiro Rodolfo ia adiando o grito de gol dos baianos. Mas a alegria se deu na segunda etapa. Zé Rafael abriu o placar de cabeça e, logo depois, em uma lambança da defesa carioca, Edigar Junio ampliou. A diferença foi suficiente para que os anfitriões passassem a administrar o resultado e aguardassem o apito final. O ataque do Flu arrasta o seu jejum de gols para seis partidas sem balançar as redes.

O Bahia, com 47 pontos, não pode ser mais relegado. Abaixo, todos seguem ameaçados, mas há uma zona mais confortável. O Corinthians tem 43, enquanto Fluminense, Vasco e Ceará aparecem juntos com 42. O bicho pega a partir da Chapecoense, com 40, primeira acima do Z-4. O alerta vermelho fica ligado a Sport (38), América Mineiro (37) e Vitória (36), além do rebaixado Paraná (22). Exceção feita aos cinco últimos, uma vitória nas duas últimas rodadas deve bastar à salvação. De uma briga de foice que se prometia, a rodada serviu para que muitos vislumbrassem um horizonte bem mais límpido.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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