Brasileirão 2026

A estrela de Caio Paulista não poderia brilhar mais em seu primeiro gol como profissional

O Atlético Mineiro contabilizou seu primeiro empate no Campeonato Brasileiro. O time de Jorge Sampaoli não mostrou a força esperada no Mineirão, também por méritos do Fluminense. Muriel trabalhou bastante no segundo tempo e garantiu o empate por 1 a 1, embora a grande história da noite tenha ficado para o ataque. Caio Paulista precisou entrar em campo na fogueira, depois da lesão de um companheiro logo de cara. Contudo, aproveitou a chance para anotar seu primeiro gol como profissional. Se o tento vai ser um divisor de águas ao jovem é difícil de dizer, mas certamente a pintura ficará marcada na carreira do novato.

Formado pela base do próprio Fluminense, Caio Paulista saiu ao Avaí. Juntou-se inicialmente aos juniores dos catarinenses e por lá ganhou as primeiras chances nos profissionais, até voltar ao Rio de Janeiro por empréstimo. Mesmo assim, faltava ao garoto o gol que inaugurasse sua contagem entre os “adultos”. O jovem de 22 anos somava 14 partidas com o Flu em 2020, 13 delas saindo do banco, mas os parcos minutos não serviram para balançar as redes. A falta de efetividade e alguns lances perdidos geravam cobranças, até que a quarta mudasse tudo.

Fernando Pacheco se lesionou logo no primeiro minuto de jogo e deu lugar a Caio Paulista. O Atlético Mineiro iniciou a partida na pressão, mas o Fluminense logo indicou como poderia complicar, com um gol anulado de Felippe Cardoso. E a pintura do substituto se consumou aos 20. Foi um lance de extrema felicidade de Caio Paulista, em jogada iniciada por Luiz Henrique. O atacante, ainda assim, foi perfeito na definição. Dominou já levantando a bola e, sem deixar cair, emendou o canhotaço potente. Execução perfeita que rendeu golaço.

E não foi apenas Caio Paulista que excedeu as expectativas no primeiro tempo do Mineirão. O Fluminense fazia uma ótima partida para neutralizar o Atlético. A equipe de Odair Hellmann marcava forte, mas também saía em velocidade ao ataque e evitava a pressão dos anfitriões. A primeira etapa não teria muitos lances de perigo depois do tento, também pela maneira como os tricolores seguraram a tentativa de reação.

O segundo tempo seria mais aberto e penderia ao Galo. Luiz Henrique poderia ter ampliado logo nos primeiros minutos, errando o alvo sozinho, até que o Atlético empatasse na sequência. Foi uma jogada bem trabalhada, até que Guilherme Arana arrematasse na entrada da área. O tiro rasteiro entrou no canto. Os mineiros passaram a encontrar mais espaços e começaram um bombardeio. Muriel fez toda a diferença. Aos nove minutos, o goleiro realizou três defesas seguidas – contra Marrony, Keno e Sasha. A partir de então, virou a figura da noite.

Mais desgastado, o Fluminense não acompanhava o ritmo do Atlético. Muriel pararia Arana e Keno. Mas nada comparado ao milagre aos 30. Nathan completou na risca da pequena área e o goleiro se jogou para bloquear o arremate com o corpo. Foi uma defesa que valeu o empate. Sem Nenê ou Fred, o Tricolor tinha dificuldades para aparecer no ataque. Apesar disso, a partir dos 35, o duelo ficou mais franco e teria bons lances de ambos os lados. Caio Paulista viu a chance do segundo, mas bateu mal. De qualquer forma, o Galo tinha mais força, sem conseguir a virada.

O Atlético Mineiro perde os 100% de aproveitamento como mandante e diminui sua aceleração no topo da tabela. Apesar disso, permanece como líder ao menos até quinta-feira e também como a equipe de melhor aproveitamento na competição. São 31 pontos, igualado ao Inter e um ponto à frente do Flamengo. Já o Fluminense aparece num momento excelente e ocupa a quinta colocação, com 25 pontos. Apesar de todas as limitações, os tricolores superam os prognósticos. Valeram-se do bom primeiro tempo e de Muriel nesta quinta. Além, é claro, da estrela de Caio.

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Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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