Poucas vezes é tão possível ver dois times em momentos emocionais tão diferentes quanto foram Palmeiras e nesta terça-feira, em jogo atrasado da 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. O empate por 1 a 1 no Parque diz pouco sobre o jogo, ou o que cada um dos times vive no momento. Enquanto os alviverdes entraram em campo com reservas que sonham em jogar no Mundial de Clubes, os alvinegros parecem sofrer a cada jogo, em uma caminhada que parece inevitável rumo ao rebaixamento.

Depois da conquista da Libertadores no último sábado, contra o Santos, o Palmeiras voltou a campo para jogar a partida atrasada do fim de semana. Como era de se esperar, levou a campo um com muitos reservas. Ainda assim, uma equipe bastante forte para enfrentar um time que traz glorioso no nome em preto e branco, quase uma alusão a um passado de alegrias que já está distante. Com o rebaixamento cada vez mais próximo, o Botafogo segue amarando a lanterna do Brasileirão.

O único titular da final da Libertadores que começou a partida desta terça foi o goleiro . Felipe Melo, que entrou em campo nos últimos minutos da final, foi titular nesta partida, assim como Patrick de Paula e Breno Lopes, o autor do gol do título. Gabriel Menino, titular no sábado, entrou no segundo tempo. No mais, um time bem modificado. Alguns nomes bastante utilizados na temporada começaram jogando, como Gustavo Scarpa e Willian. O jovem Renan, lateral esquerdo de 18 anos, começou a partida.

O Botafogo também teve jovens em campo. O mais jovem de todos foi Matheus Nascimento, de 16 anos, atacante que iniciou a partida pelo lado direito. Houve outros, como Rafael Navarro, de 20 anos, foi o centroavante, Cesinha, outro dos atacantes, de 21 anos. Na zaga, David Souza, 19 anos; e ao seu lado Kanu, de 23. Kevin, o lateral direito, tem 23 anos. Romildo, titular no meio-campo, tem 20 anos. A média de idade do time, 24 anos, era bem menor do que a do Palmeiras, com média de 28,1 anos.

O técnico do Botafogo, Eduardo Barroca, parece já saber que as coisas estão complicadas em termos de classificação e tem usado esses jogos para tentar encontrar jogadores que podem ser úteis ao elenco que jogará a Série B – mesmo que ele mesmo não tenha qualquer garantia que ficará quando o rebaixamento for confirmado.

Leve com a conquista da Libertadores, sem qualquer pressão para conseguir o resultado, o Palmeiras fez um bom primeiro tempo. Fez um gol com o zagueiro Emerson Santos, de cabeça, e poderia ter ampliado com Breno Lopes, que arrancou livre e acabou chutando em cima do goleiro Diego Cavalieri, capitão do clube da estrela solitária e formado na base do Palmeiras.

Emerson Santos (centro) comemora gol do Palmeiras (Alexandre Schneider/Getty Images/OneFootball)

No segundo tempo, o Botafogo empatou aos 15 minutos. Matheus Nascimento tomou a bola de Lucas Lima no meio-campo, avançou e tocou para Rafael Navarro. O garoto dominou e, de fora da área, chutou colocado, no canto, e venceu Weverton para colocar 1 a 1 no placar. O jogador se emocionou.

“Claro que a gente não fica feliz com o empate, mas queria dedicar o gol aos meus familiares, amigos, empresário e o próprio Botafogo, sempre me ajudaram. Nós, meninos que entramos, tentamos dar o máximo e ajudar de alguma forma”, disse Rafael Navarro.

Com 11 pontos para sair da zona do rebaixamento, com 15 em disputa, o rebaixamento é só uma questão de formalizar, o que pode acontecer na próxima sexta. Diante do Sport, o Botafogo precisará vencer, em casa, o adversário direto, que é 16ª na tabela. Se não vencer, estará rebaixado. Na prática, o clube já está na Série B. Tanto que a diretoria já começou uma reformulação e quer reduzir a folha salarial. Assim, os garotos ganham ainda mais importância.

Rafael Navarro, do Botafogo (Alexandre Schneider/Getty Images/OneFootball)

“Já estamos trabalhando nisso. A gente está debatendo e discutindo ações, pessoas e procedimentos para que a gente faça um Botafogo forte tanto no presente quanto na construção do futuro”, explicou o técnico Eduardo Barroca depois da partida.

“Estamos trabalhando em dois caminhos paralelos. O primeiro deles é da necessidade de ter um resultado imediato. Ainda temos jogos no Campeonato Brasileiro e temos a necessidade de fazer jogos como fizemos hoje, em bom nível, fora de casa contra uma equipe muito forte e que poderíamos ter vencido pelo o que produzimos. Saio satisfeito com o que mostramos em campo hoje, com a nossa dedicação, produção, organização coletiva e desempenho individual também”, disse o técnico, citado pelo GE.

A esperança do Palmeiras é de um time em estado de graça, de bem com a vida, com medalha ainda reluzindo no peito. O Botafogo teve só um brilho: os seus garotos. O time jovem mostrou jogadores com brio e, mais do que isso, capazes de jogar. O segundo gol saiu por isso. Em um time em que a esperança parece ter se apagado, só resta pensar no que ainda pode vir mais à frente. E os garotos podem ser o que o Botafogo terá a se apegar na próxima temporada. São os jogadores da sua base que podem ser o brilho da estrela solitária que conduz o clube.

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