A eclosão de Gabriel Verón foi a grande notícia que o palmeirense desejava neste fim de Brasileiro

Neste momento, o Palmeiras se resume a cumprir tabela no Campeonato Brasileiro. Depois de todas as consequências que a derrota ao Flamengo deixou, os alviverdes varrem os cacos e terminam a campanha sem se importar muito com o segundo ou o terceiro lugar. Mas a verdade é que, num momento em que a torcida já projeta 2020, deu para surgir um fio de esperança. Nesta quinta, ele teve nome e sobrenome: Gabriel Verón. O garoto da base precisou de pouco mais de meia hora para ser o grande destaque na goleada por 5 a 1 sobre o Goiás. Anotou dois gols e deu uma assistência. Abre novos horizontes.
Uma das maiores queixas da torcida do Palmeiras nos últimos anos é o baixo aproveitamento das categorias de base. A política de Alexandre Mattos era trazer contratações aos montes, e de todos os tipos. O volume de reforços, no fim, acabava sufocando os pratas da casa. E não que faltasse talento nas equipes juvenis e juniores dos palmeirenses. Pelo contrário, o clube acumula resultados expressivos nos últimos anos e vê diversos nomes pintando nas convocações das seleções menores. Porém, sem espaço, muitos acabavam se despedindo sem sequer ganhar sequência entre os profissionais. Luan Cândido, vendido ao RB Leipzig, talvez seja o caso mais lamentado nesta era pós Gabriel Jesus.
Gabriel Verón poderia ter o mesmo destino. O Mundial Sub-17, entretanto, ajudou a mudar a rota do ponta palmeirense. O torneio realizado no Brasil ganhou uma repercussão considerável e Gabriel se destacou o suficiente para ganhar a Bola de Ouro da competição. Também com o troféu de campeão nas mãos, parecia difícil negar uma chance ao prodígio neste retorno ao elenco. A estreia aconteceu contra o Fluminense, ganhando 14 minutos em campo. O duelo contra o Goiás, por sua vez, já valeu para desabrochar o talento dentro do Brinco de Ouro da Princesa – onde os paulistas mandaram a partida.
Apesar das chances do Goiás rumo à Libertadores, o Palmeiras aproveitou o duelo para reerguer a cabeça após a semana conturbada. O Goiás começou a partida com mais posse de bola e teve um tento anulado, mas foi Zé Rafael quem abriu o placar aos 21. Os esmeraldinos até empataram na sequência, em pênalti convertido por Rafael Moura, mas logo Dudu recolocaria os palmeirenses na dianteira. E os palestrinos pareciam dispostos a fazer mais, depois de novas chances antes do intervalo.
Seria um bom prólogo antes que o protagonista entrasse em campo. Gabriel Verón substituiu Zé Rafael aos 13 minutos do segundo tempo. E o garoto, festejado pelos torcedores nas arquibancadas, logo mostraria sua vontade, anotando o terceiro gol aos 25. O ponta começou a jogada e se projetou na área para escorar o passe de Jean, com a meta aberta. Além do lance, o adolescente esbanjava personalidade, ao partir para cima da marcação e arriscar os dribles. Que fosse um duelo desprovido de pressão, se tornou um baita cartão de visitas ao novato.
O quarto gol do Palmeiras novamente teria a participação de Gabriel Verón, aos 36. Ele pedalou para se livrar de Yago Felipe e fez o cruzamento, antes de Dudu guardar. Jogadaça do menino, que teve a honra de servir o seu ídolo. Por fim, a noite inesquecível do garoto seria concluída aos 44, com seu segundo gol. Outra vez ele foi oportunista, aproveitando a retribuição de Dudu. O camisa 7 avançou com a defesa aberta e só rolou para o companheiro arrematar. A felicidade era evidente. Após o apito final, os jogadores palmeirenses ainda aproveitaram a ocasião para festejar Edu Dracena, que anunciou nesta semana a sua aposentadoria.
O Palmeiras ainda pode conquistar a segunda colocação do Brasileiro, o que renderia um dinheiro a mais, mas não parece primordial neste momento. Muito mais valiosa é a euforia com a eclosão de Gabriel Verón. O surgimento do ponta vem em ótima hora até por indicar um caminho que a diretoria palmeirense precisa considerar na reformulação de seu elenco para 2020. A base tem que ser aproveitada. Melhor ainda quando há um talento evidente pronto para provar esta opção. Que não seja, como Gabriel Jesus, um caso isolado ou efêmero.



