Dez jogos que marcaram o título do Flamengo no Brasileirão 2019
Menos de 24 horas depois de conquistar a América do Sul, o Flamengo, ainda no êxtase de seu triunfo na Libertadores, viu o Palmeiras tropeçar e, assim, garantiu também o título do Campeonato Brasileiro, tornando-se o primeiro clube do país a levar na mesma temporada os troféus da liga nacional e da copa continental desde o Santos de Pelé, em 1963.
Evidentemente, por seu peso maior e também pela fila de 38 anos, a conquista da Libertadores levará quase todos os holofotes. Mas vale a pena rememorar a campanha da conquista do sétimo título do time no Brasileirão. Foi lá, afinal, o principal laboratório para a criação deste já icônico Flamengo de Jorge Jesus.
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Com isso, voltamos lá atrás, até o início da campanha no Campeonato Brasileiro, ainda com Abel Braga, para traçar uma linha do tempo com partidas que marcaram a conquista rubro-negra. De vitórias incontestes a uma derrota dolorida, passando por momentos de brilho individual e também de loucura completa no placar, revivemos aqui os dez capítulos principais da bela história escrita pelo Flamengo no Brasileirão.
Flamengo 3 x 1 Cruzeiro
27/04 – 1ª rodada
O Flamengo era comandado por Abel Braga e jogava um futebol distante do que consolidou com Jorge Jesus. Ainda assim, a estreia do time no Campeonato Brasileiro de 2019 precisa estar na galeria de jogos mais marcantes da campanha rubro-negra.
O clube vinha de derrota na Libertadores e, na estreia na competição, enfrentaria o único time da Série A invicto na temporada. No Maracanã, depois de sair perdendo por 1 a 0, foi buscar a virada com boa atuação de Bruno Henrique, autor de dois tentos, e gol de Gabigol: 3 a 1.
O jogo marcou ainda a despedida do zagueiro Juan, que encerrava sua carreira e se despediu de 30 mil torcedores no Maracanã.
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Flamengo 3 x 2 Athletico Paranaense
26/05 – 6ª rodada
Em partida representativa do momento que vivia, o Flamengo, pouco menos de um mês depois da estreia no Brasileirão, jogava mal contra os reservas do Athletico Paranaense, que se poupava para a Recopa Sul-Americana. Abriu o placar com Gabigol, mas tomou a virada por 2 a 1 com dois gols de ninguém menos que Marcelo Cirino. No abafa e no fim do jogo, o time da casa conseguiu tomar a frente no placar e vencer por 3 a 2, com Bruno Henrique e Rodrigo Caio marcando. Xingado pela torcida, Abel Braga deixou o campo abraçado pelos jogadores e emocionado pelo apoio de seu elenco.
Flamengo 6 x 1 Goiás
14/07 – 10ª rodada
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Depois de estrear com empate no comando do Flamengo, pela Copa do Brasil, Jorge Jesus não poderia ter dado melhor cartão de visita em seu primeiro jogo no Brasileirão. O 6 a 1 sobre o Goiás no Maracanã sublinhava toda a expectativa da torcida alvinegra com o seu técnico europeu. Mais de 65 mil pessoas estiveram no estádio e viram Rafinha estrear e Arrascaeta comandar o show, com três gols e duas assistências. Gabigol, duas vezes, e Bruno Henrique, fizeram os outros gols. O desempenho jogou para o alto o sarrafo de cobrança sobre o rubro-negro, que na sequência abriria caminho para críticas, logo rechaçadas com mais bom futebol.
Bahia 3 x 0 Flamengo
04/08 – 13ª rodada
Era apenas o quarto jogo de Jorge Jesus no Brasileirão, e o Flamengo já havia dado adeus à Copa do Brasil, eliminado pelo Athletico Paranaense de Tiago Nunes. O técnico português tinha também recentemente passado por pressão em embarque para o jogo contra o Corinthians, após a eliminação. Filipe Luís, que chegara depois de Rafinha, faria enfim sua estreia – e o jogo mostrou que o lateral esquerdo precisava de mais adaptação antes de ser lançado. Em duelo marcado por show de Gilberto, autor de três gols, falha de Diego Alves e imagem de Filipe Luís sendo batido com facilidade na corrida pelo ataque tricolor, o Rubro-Negro foi derrotado por 3 a 0 e garantiu a alegria de quem secava o estrelado elenco e seu técnico estrangeiro.
Vasco 1 x 4 Flamengo
17/08 – 15ª rodada
O jogo logo depois da derrota para o Bahia já foi uma resposta em si, com o 3 a 1 em casa sobre o Grêmio, mas a rodada seguinte a esta foi a de consolidação. Jogando em Brasília, em partida que o Vasco decidiu levar para o Mané Garrincha, o Flamengo foi avassalador. Atropelou o rival por 4 a 1 em partida repleta de histórias. Diego Alves, criticado, brilhou ao defender dois pênaltis. Bruno Henrique, como seria cada vez mais comum, foi o nome do jogo, enquanto Gabigol foi duas vezes às redes para justificar o apelido – e, pela primeira vez, comemorar levantando o cartaz de “Hoje tem gol do Gabigol”.
Flamengo 3×0 Palmeiras
01/09 – 17ª rodada
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Então postulante sério ao título, mas em declínio, o Palmeiras era comandado por Felipão e tentava mostrar que tinha fôlego para reagir. No entanto, pela primeira vez nesta última passagem do técnico do penta mundial, sofreu três gols em um só jogo – suficiente para custar a Scolari o seu cargo. O 3 a 0 no Maracanã, cortesia de Gabigol (2) e Arrascaeta, veio após uma semana em que muito se discutiu qual das equipes tinha o melhor elenco. A tranquilidade com que o Rubro-Negro passou por cima do Alviverde já indicava que não haveria adversário páreo ao time de Jorge Jesus, que ia ganhando cada vez mais ímpeto.
Flamengo 1 x 0 Santos
14/09 – 19ª rodada
Àquela altura, Jorge Jesus já não era mais tão questionado. Seu trabalho convencera a maioria, e o duelo com o Santos de Jorge Sampaoli era muito esperado. Dois técnicos de estilos incomuns ao futebol brasileiro: ousados o suficiente para buscar o gol – e seguir perseguindo a rede mesmo depois de marcar. Ainda por cima, era luta pela liderança. A partida acabou sendo bastante disputada, e sua definição não podia ter outro personagem principal. Gabigol, com uma pintura, definiu a vitória por 1 a 0.
Fortaleza 1 x 2 Flamengo
16/10 – 26ª rodada
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Um dos jogos imediatamente rotulados como “de campeão”. Isso já dá a tônica do 2 a 1 do Flamengo sobre o Fortaleza, no Castelão. O pré-jogo foi quente, com um mosaico do time da casa provocando os torcedores “mistos” flamenguistas – um Cristo Redentor com chapéu de cangaceiro, que trocava a camisa do Rubro-Negro pela do Tricolor. Em campo, o Fortaleza fazia um jogo eficiente, e o Flamengo, com cinco desfalques em toda a extensão do campo, tinha dificuldades e saiu perdendo por 1 a 0. Eis que o predestinado Reinier, motivo de disputa durante a semana entre clube e CBF, que o convocara para o Mundial Sub-17, apareceu aos 45 minutos do segundo tempo para decretar a virada por 2 a 1 (Gabigol havia empatado sete minutos antes).
Flamengo 4 x 1 Corinthians
03/11 – 30ª rodada
Nos dias que antecederam o encontro entre Flamengo e Corinthians no segundo turno do Brasileirão, as comparações eram inevitáveis. Tratava-se de um confronto de ideias: o ofensivo Jorge Jesus contra o pragmático e defensivo Fábio Carille. Nas vésperas da partida, o então técnico corintiano falou que não via “nada de inovação” no Rubro-Negro e que já tinha feito o mesmo no Corinthians. Avancemos para depois da partida: Flamengo 4 a 1, hat-trick de Bruno Henrique, e Carille demitido após oito jogos sem vitória.
Flamengo 4 x 4 Vasco
13/11 – 34ª rodada
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Nem todo jogo memorável seria vitória ou derrota. E o Flamengo 4×4 Vasco transcendeu qualquer saldo, de qualquer forma. Um jogo para entrar para a antologia do duelo. Teve gol precoce, empate tardio, golaços, lances individuais marcantes. Virada – viradas, diga-se. Teve cartões, e também confusão. Teve oito gols. Teve Éverton Ribeiro, Bruno Henrique e mais Bruno Henrique. E Marrony, Pikachu, Marcos Junior e Ribamar. É verdade que falamos de uma partida mais saborosa aos vascaínos, que encararam de igual para igual o rival multimilionário e multicampeão e buscaram o empate nos acréscimos do jogo. Ainda assim, os aplausos do Maracanã logo após o fim da partida avalizavam um acordo mútuo entre os oponentes: a noite seria lembrada com carinho por ambos – e também pelos neutros.