STJD condena Bruno Henrique por manipulação, mas atacante escapa de gancho mais pesado
Atacante do Flamengo é absolvido no artigo 243 por maioria dos auditores, mas é punido em outro; Cabe recurso
Nesta quinta-feira (4), Bruno Henrique, do Flamengo, foi julgado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por suposto envolvimento em apostas esportivas, em 2023, e escapou da maior pena possível. O atleta pegou um gancho de 12 jogos e terá de pagar uma multa de R$ 60 mil. A decisão cabe recurso.
O jogador foi absolvido no artigo 243 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que prevê suspensão entre 360 e 720 dias, além de multa entre R$ 100 e 100 mil, por “atuar, deliberadamente, de modo prejudicial à equipe que defende”.
O relator Alcino Guedes, seguido pela maioria dos colegas, não vê prejuízos ao Rubro-Negro e argumentou que houve outros casos parecidos no futebol de forçar cartões para suspensão em um jogo específico, normalmente a pedido dos próprios clubes visando um outro confronto após o cumprimento da suspensão.
O jogador, no entanto, foi condenado em 12 jogos de gancho e multa de R$ 60 mil por infringir o artigo 243-A (atuar, de forma contrária à ética desportiva, com o fim de influenciar o resultado de partida, prova ou equivalente), também a quatro votos a um.
O Flamengo tentará o efeito suspenso e irá recorrer da punição, prevista para ser cumprida apenas no Brasileirão, segundo informações do jornalista Venê Casagrande. Após recorrer, a votação irá para o Pleno do STJD, que possui nove membros.
Bruno ainda é réu na Justiça Comum por supostamente ter forçado cartões amarelos durante duelo diante do Santos, válido pelo Campeonato Brasileiro de 2023, para beneficiar apostadores.
Defesas de Bruno Henrique e Flamengo pediram prescrição do caso
A defesa do jogador, liderada pelo advogado Alexandre Vitorino, argumentou que o caso deveria ser prescrito com base na primeira denúncia, ainda de 2024, quando o processo foi arquivado.
A Procuradoria alegou que o prazo da prescrição deveria ter início a partir da apresentação de novas provas, no início desse ano. A acusação, por outro lado, afirmou que naquele momento não tinha acesso às informações da investigação da Polícia Federal.

Michel Assef, que representa o Flamengo, argumentou que o STJD já havia tratado do caso anteriormente. Em novembro de 2024, o tribunal desportivo havia arquivado o caso. No entanto, com o surgimento de novas evidências na esfera da Justiça Comum, a investigação no STJD foi reaberta.
“O Flamengo está aqui para demonstrar apoio ao seu atleta e fazer justiça. Acho que, num caso como esse, o clube tenha dado a mão ao seu atleta. Começamos a busca pela justiça através da prescrição, que para mim é irremediável. A partida foi no dia 1º de novembro de 2023, estamos aqui julgando um fato desta partida quase dois anos depois. O primeiro posicionamento da justiça desportiva foi fazer uma notícia de infração, instaurada em 7 de agosto de 2024. Estamos aqui hoje discutindo os mesmos fatos. Não há nenhuma novidade“, defendeu o advogado do Flamengo.
O caso seguiu após os auditores votarem a favor da não prescrição, com placar de 3 a 2. A prescrição ocorre quando a Justiça não age dentro do prazo legal para processar e condenar um réu. A auditoria, no entanto, não interpretou que houve atraso.
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Relembre o caso de Bruno Henrique
O atacante do Flamengo enfrentou acusações de ter compartilhado informações sigilosas sobre o cartão amarelo que recebeu durante uma partida contra o Santos, realizada em 1º de novembro de 2023, em Brasília. A suspeita era de que ele revelou a informação ao seu irmão, Wander, que por sua vez a repassou a amigos, beneficiando um esquema de apostas.
Além de Bruno Henrique e seu irmão, o STJD também denunciou Claudinei Vitor Mosquete Bassan, Andryl Reis e Douglas Barcelos. A esposa de Wander, Ludymilla Araújo Lima, e a prima de Bruno Henrique, Poliana Ester Nunes Cardoso, também estão envolvidas no caso, mas não foram denunciadas pelo STJD.
🚨 O cartão suspeito de Bruno Henrique.
O jogador foi expulso no lance, esse cartão teria sido proposital para beneficiar familiares do jogador em APOSTAS.
— Gols do Brasileirão ⚽️🇧🇷 (@golsdobrasil1) April 16, 2025
Em abril deste ano, a Polícia Federal indiciou o jogador sob a acusação de fraude esportiva, enquadrando-o no artigo 200 da Lei Geral do Esporte. Este artigo criminaliza a fraude de resultados de competições esportivas e prevê uma pena de dois a seis anos de prisão.
A denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) foi aceita pela Justiça Comum do DF, o que significa que o jogador também seria julgado nesta esfera.
A investigação da Polícia Federal começou em agosto de 2024. Em novembro, uma operação de busca e apreensão foi realizada, e a extração de conversas do celular de Wander serviu de base para o indiciamento dos suspeitos. O volume atípico de apostas no cartão amarelo de Bruno Henrique, feitas por seu irmão, esposa e amigos, levantou suspeitas em várias empresas de apostas.
As conversas do jogador foram interceptadas e 3.989 mensagens passaram por análise analisadas. Um dos diálogos que mais chamou atenção foi entre Bruno e Wander, onde os irmãos negociam o jogo em que o jogador deve tomar um cartão amarelo.

Wander teria pedido para o jogador o avisar quando fosse tomar cartão. Na conversa, Bruno Henrique teria dito que pretenderia tomar o cartão amarelo contra o Santos. O irmão, então, comemora o “investimento” que faria. O atacante de fato levou o cartão na partida em questão.
Caso fosse considerado culpado, o atacante poderia ser suspenso do futebol por até dois anos. Ele foi denunciado pela Procuradoria do STJD sob os artigos 243 e 243-A do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). As penalidades acumuladas podem resultar em suspensão de 360 a 720 dias, suspensão de 12 a 24 partidas e multas que variam de R$ 100 a R$ 100 mil.
Bruno Henrique poderia ser suspenso do futebol por dois anos
Apesar da denúncia, feita no início de agosto, Bruno Henrique continuou sua rotina normalmente no Flamengo, com base no princípio da presunção de inocência.
Ele participou de jogos normalmente e estaria, a princípio, disponível para o próximo confronto do Flamengo, que está agendado para 14 de setembro, após a pausa para a Data Fifa.
Bruno Henrique, com apoio também do Flamengo, sempre se colocou como inocente no caso.
— Gostaria de reafirmar a minha inocência e confio na justiça desportiva. Jamais cometi as infrações que estou sendo acusado — disse o jogador no início do julgamento, preferindo permanecer em silêncio nos outros momentos.



