Brasil se solta no Mundial com goleada em ritmo de exercício ataque x defesa
Depois de derrota na estreia, Brasil passou por cima do rival mais fraco do grupo, República Dominicana, e terá um desafio difícil contra a Nigéria na próxima rodada
A seleção brasileira respondeu à estreia frustrante na Copa do Mundo Sub-20 com uma goleada sobre a República Dominicana na segunda rodada do torneio, uma vitória por 6 a 0 que pareceu até pequena diante da presença ofensiva e do volume de jogo contra um adversário que exigiu pouco dos atuais campeões sul-americanos.
O jogo pareceu um exercício de ataque contra a defesa. O Brasil finalizou 41 vezes, sendo 26 dentro da área, e até demorou a abrir o placar pela ansiedade e por boas defesas do goleiro Xavier Valdez, que já havia sido bombardeado no primeiro jogo, contra a Nigéria: lá foram 25 finalizações numa partida que terminou 2 a 1 para os africanos.
Os nigerianos, aliás, deixaram um recado na preliminar ao ganhar da Itália por 2 a 0. Como a tendência é que os italianos vençam os dominicanos, uma vitória do Brasil diante da Nigéria deixaria as três seleções empatadas com seis pontos, com as posições definidas pelo saldo de gols. Será um teste duro para o time de Ramon.
O técnico fez duas mudanças na frente, com Savinho na ponta-direita e Marquinhos por dentro nos lugares de Giovani e Matheus Martins. É difícil comparar as duas partidas, primeiro porque o Brasil entrou desconcentrado e competindo mal na derrota contra a Itália, segundo pela evidente diferença de nível, uma visível fragilidade dominicana nos duelos individuais. Mas Savinho foi bem, passando fácil pelos marcadores desde o início do jogo e fechando na área para abrir o placar e tirar o peso das costas no cruzamento de Guilherme Biro, aos 37 minutos.
Na sequência, um vacilo de Valdez e uma bola deixada nos pés de Marcos Leonardo. Dois a zero e impressão que a porteira estava aberta. A seleção tinha fome, tanto que o capitão Andrey Santos nem foi para a comemoração, mas já pegou a bola para correr de volta ao meio-campo e forçar um reinício rápido. O goleiro da República Dominicana, apesar da falha, foi para o intervalo com oito defesas, e o Brasil empilhava chances perdidas.
É verdade também que em muitos lances o time brasileiro fez escolhas erradas, aquele último passe para trás em jogada de linha de fundo, chutes precipitados ou algum exagero nos cruzamentos. No segundo tempo, foi por cima que o zagueiro Jean fez o terceiro, e já nos dez últimos minutos que veio a goleada elástica. Geovane (o do Corinthians, com letra e no final, diferente de Giovani, o do Palmeiras, que não saiu do banco dessa vez) fez o quarto num chute de fora da área e, nos acréscimos, Marlon Gomes e Matheus Martins completaram cruzamentos quando o rival já não tinha mais pernas.
Importante esses dois gols no fim depois de um primeiro jogo em que o Brasil não conseguiu funcionar com seus titulares por dentro. Mesmo que numa goleada protocolar e contando com a colaboração da saída de bola rival, Marlon e Matheus completaram para dentro para, enfim, “estrearem” no torneio. Contra a Itália, o time não conseguiu ter essa chegada de trás invadindo a área.
No fim, pareceu pouco, ainda que seja a maior goleada até aqui no torneio. A República Dominicana bravamente foi à final do torneio da Concacaf, ano passado, batendo El Salvador, Jamaica e Guatemala antes de levar 6 a 0 dos Estados Unidos. Estreia em Mundiais da categoria e já era de se esperar que o Brasil tinha obrigação de fazer um jogo de muita superioridade contra o adversário menos perigoso dessa primeira fase.
Com a sequência de jogos e a possibilidade de cinco substituições, Ramon nem precisa tirar um time titular de forma definitiva, mas a impressão do jogo é que Savinho entrou para ficar entre os onze. Vem aí no sábado um jogo bem diferente, contra uma seleção forte e confiante, e com exigência bem acima no um contra um para ver se essa força pelos lados terá o mesmo sucesso, imaginando Savinho pela direita e a dobradinha Biro e Kaiki, o lateral do Cruzeiro, pela esquerda.
Vale lembrar que passam os dois primeiros e mais quatro melhores terceiros colocados. Os nigerianos, 100% com seis pontos, já têm uma campanha suficiente para estarem no mata-mata, mesmo que percam e terminem atrás de Brasil e Itália pelo saldo. Ficar em primeiro no grupo vale fugir de outro campeão de chave já nas oitavas de final.



