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Brasil engrena como time que domina e que, agora, não sucumbe às dificuldades

A Seleção esteve longe de fazer a partida perfeita na Arena da Amazônia. Nada que diminua o valor da vitória por 2 a 1 sobre a Colômbia. No início da reestruturação, Tite ganha a tranquilidade para iniciar o seu trabalho com excelentes resultados. Conquistas seis pontos e firma o Brasil na zona de classificação das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, agora ocupando a segunda colocação, com os mesmos 15 pontos da Argentina e só um a menos que o líder Uruguai. Em certos momentos, os brasileiros passaram apuros. Mas tiveram uma atuação dominante e, aproveitando as possibilidades no elenco, superaram as dificuldades – em estabilidade que não era muito comum nos últimos tempos de Dunga, ainda que alguns possam mencionar aquele empate enganoso contra o Paraguai.

O Brasil veio sem mudanças em relação à vitória contra o Equador. E o gol marcado logo aos dois minutos serviu para dar tranquilidade em Manaus. Neymar descolou o escanteio que ele mesmo cobrou, na cabeça de Miranda, em ótima antecipação na primeira trave. A partir de então, a Seleção teve a bola para trabalhar. O lado esquerdo aparecia com força, a partir das subidas de Marcelo e das diagonais de Neymar, principal responsável pela armação. Além disso, Renato Augusto também se destacava na faixa central, ajudando a cadenciar o time. E, na cobertura, Casemiro era perfeito.

O controle esteve nas mãos da Seleção durante os 30 minutos iniciais. A Colômbia se fechava atrás, oferecendo espaços na intermediária. O problema é que os brasileiros não conseguiram criar tantas chances claras. Foram duas boas defesas de Ospina, além de um lance de perigo com Marcelo. E a balança pendeu para o outro lado a partir dos 36, em falta na intermediária. James Rodríguez cobrou com precisão e Marquinhos desviou contra, para deixar tudo igual no placar. Neymar respondeu rapidamente com bom chute salvo por Ospina, mas o Brasil baqueou. Tinha dificuldades com a marcação alta colombiana, enquanto Muriel dava trabalho ao lado esquerdo da defesa.

Apesar da posse de bola ficar com o Brasil, os dois times arranjaram as suas oportunidades no início do segundo tempo. Enquanto James criava, Muriel era o jogador mais perigoso da Colômbia. Já do outro lado, a Seleção viu as brechas aparecerem na faixa central, em subidas de Paulinho e Renato Augusto, que não aproveitaram. Pois aquele setor seria decisivo ao Brasil, depois que Tite mandou Philippe Coutinho a campo aos 20 minutos, no lugar do nulo Willian. Centralizando mais, enquanto oferecia a lateral a Daniel Alves, o meio-campista do Liverpool fez a jogada do gol oito minutos depois. Deu boa enfiada para Gabriel Jesus, que não dominou, mas brigou. A sobra voltou com Coutinho, que abriu para Neymar. E o camisa 10 finalizou cruzado, com perfeição, para superar Ospina.

Mais veloz, a Seleção até poderia ter ampliado na sequência, mas perdoou. Então, recuou um pouco mais e sofreu com a pressão da Colômbia nos cinco minutos finais. Os Cafeteros tentavam explorar a linha de fundo, especialmente pelo lado direito, com Juan Cuadrado, que saiu do banco. Ainda assim, a defesa brasileira manteve a sua segurança – com direito a Casemiro fazendo um desarme providencial em James. A garantia de três pontos importantes. Nas duas Eliminatórias anteriores que participou, o Brasil havia empatado por 0 a 0 com a Colômbia em casa. A última vitória foi em 2000, com gol de Roque Júnior no apagar das luzes, em tarde lembrada pela chuva de bandeiras com a torcida revoltada pelo mau futebol no Morumbi.

O saldo final da primeira Data Fifa de Tite é bastante positivo. A Seleção teve seus momentos de oscilação e, mesmo assim, agradou. Passou segurança na defesa, trabalhou bem as jogadas, teve em Neymar um grande protagonista sem precisar ficar na dependência. E já surgem também os primeiros sinais para a moldagem do time titular. Gabriel Jesus não foi tão bem desta vez, mas ofereceu como sempre muita vontade, inclusive sem a bola. Casemiro toma conta da cabeça de área, enquanto Renato Augusto vem em crescente desde a fase final das Olimpíadas. Marcelo voou na lateral e Miranda comandou a defesa, ao lado da inteligência de Marquinhos. A princípio, a primeira mudança se indica Coutinho pedindo passagem, em uma posição que também deve ter disputa com Douglas Costa. Cenas para outubro, quando o Brasil recebe a Bolívia e visita a Venezuela. Calma suficiente para que a Seleção, enfim, forme um time depois de tantos anos.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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