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Brasil encerra 2013 já podendo fechar os 23 nomes na Copa

Por mais que o Chile esteja em excelente fase, sua função à seleção brasileira parece não mudar. É aquele bom adversário para dar confiança. Era o freguês de longa data que garantiria a última vitória em 2013, o clima leve na confraternização de fim de ano na ‘nova família Scolari’. Não foi tão fácil quanto em outras ocasiões. O triunfo por 2 a 1 em Toronto, porém, serve para aumentar a confiança da equipe às vésperas da Copa do Mundo. Sobretudo, de alguns jogadores que caminham a passos largos rumo ao Mundial.

O principal predicado do Brasil desde que Felipão assumiu é a coletividade, principalmente na marcação. E não foi diferente no amistoso. A pressão na saída de bola foi intensa no primeiro tempo, graças ao empenho de Oscar, Hulk, Paulinho e Luiz Gustavo no meio-campo. Além de manter os chilenos longe da meta de Júlio César, a estratégia também foi responsável direta pelo primeiro gol do Brasil, anotado por Hulk.

Na segunda etapa, a Roja intensificou suas ações. Mas, sem Arturo Vidal e David Pizarro, o time não tinha a dominância no meio-campo que ajudou tanto o início de trabalho de Jorge Sampaoli. Ainda assim, Vargas conseguiu achar o gol em uma bola longa, diante de rara brecha da marcação brasileira. O suficiente para encaminhar a Seleção para a vitória.

Robinho e Willian saíram do banco no segundo tempo e renovaram as energias do Brasil no ataque. Além disso, Neymar começou a acertar os lances que vinham errando em exaustão no primeiro tempo. O segundo gol saiu naturalmente. E o terceiro só não veio porque os brasileiros preferiram inventar mais na conclusão do que deveriam para balançar as redes. Se fosse um jogo realmente sério, o placar seria mais amplo.

Assim, Felipão termina 2013 como queria: podendo fechar o elenco da Copa do Mundo se quiser. Se ainda existiam algumas dúvidas entre os 23 nomes, hoje se sugerem até mais certezas do que espaços no elenco. Falta o treinador deixar claro quem será seu terceiro goleiro, Cavalieri ou Victor; seu quarto zagueiro, Réver, Dedé ou Marquinhos. De resto, Willian e Robinho parecem se firmar no grupo. Os dois, inclusive, deixam uma dúvida “favorável” a Felipão: Jô tinha correspondido bem nos amistosos anteriores, mas não rendeu tanto no final do ano. Como as vagas no ataque são limitadas, um desses três pode rodar, caso Fred volte ao seu melhor nível físico às vésperas da Copa.

Contra a África do Sul em março, no último amistoso antes da convocação final, Scolari deve apenas consolidar os 23 nomes. Pode até observar um ou outro jogador em ascensão nos próximos meses, assim como buscar substitutos para possíveis lesionados. Entretanto, a base do time está mais do que arredondada. E as 12 vitórias nos últimos 13 jogos, assim como as boas exibições coletivas, aumentam as expectativas sobre as condições do time na Copa.

Destaque do jogo

Robinho e Willian. A dupla precisou de dois jogos para tomar o espaço que Lucas, Leandro Damião e Alexandre Pato tiveram meses para conquistar. E, mais importante, sempre saindo do banco de reservas, mostrando a Felipão que são opções confiáveis para mudar o jogo. Ambos deram mobilidade ao time, especialmente nos contra-ataques. Pelo segundo gol, Robinho ainda comprova sua versatilidade, podendo ser utilizado também como referência.

Momento chave

A reação do Brasil após o gol de Vargas. Foi o momento em que a Seleção voltou a acordar para o jogo, se impondo novamente no ataque. O gol da vitória, de Robinho, veio em uma jogada coletiva bem trabalhada. E o placar poderia ter sido ainda mais elástico, não fossem os contra-ataques desperdiçados nos dez minutos finais.

Os gols

14’/1T – GOL DO BRASIL! Saída errada do Chile, Oscar fica com a bola. Com a defesa adversária aberta, o meia vira o jogo para Hulk, livre na área. O camisa 19 domina e fuzila Bravo.

26’/2T – GOL DO CHILE! Lançamento do goleiro Bravo. Após desvio no meio do caminho, Vargas domina na entrada da área. O atacante tira David Luiz do lance e bate no canto.

34’/2T – GOL DO BRASIL! Abertura de Neymar com Maicon na ponta direita. O lateral vai à linha de fundo e cruza com perfeição a Robinho. Livre, o atacante só cumprimenta de cabeça.

Curiosidade

Robinho é o jogador brasileiro com mais gols contra o Chile, nove no total. Dos 27 tentos do atacante pela Seleção, um terço foi diante da Roja.

Ficha técnica

BRASIL 2×1 CHILE

Brasil escudo Brasil
Júlio César, Maicon, David Luiz, Thiago Silva (Dante, 39’/2T) e Maxwell; Luiz Gustavo, Paulinho (Hernanes, 39’/2T) e Oscar (Willian, 19’/2T); Hulk (Ramires, 19’/2T), Jô (Robinho, 6’/2T) e Neymar (Lucas Leiva, 48’/2T). Técnico: Luiz Felipe Scolari
Chile_escudo Chile
Claudio Bravo, Gonzalo Jara, Carlos Carmona e Marcos González; José Pedro Fuenzalida (Jorge Valdívia, 22’/1T, depois Matías Fernández, 14’/2T), Gary Medel, Marcelo Díaz (Jean Beausejour, 8’/1T), Felipe Gutiérrez (Carlos Muñoz, 41’/2T) e Eugenio Mena; Eduardo Vargas e Alexis Sánchez. Técnico: Jorge Sampaoli.

Local: Rogers Center (Toronto-CAN)
Árbitro: Silviu Petrescu (ROM)
Gols: Hulk, 14’/1T; Eduardo Vargas, 26’/2T; Robinho, 34’/2T
Cartões amarelos: Paulinho, Robinho (Brasil); Jean Beausejour, Gary Medel, Carlos Carmona (Chile)
Cartões vermelhos: Nenhum
Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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