BrasilBrasileirão Série A

Bom senso é mostrar que o futebol para se eles quiserem

O dia 13 de novembro de 2013 entrará para a história do futebol brasileiro. Logicamente, pelo título irrepreensível do Cruzeiro na Série A, confirmando a conquista que já parecia concreta há muito tempo. Mas também pela manifestação de força do Bom Senso Futebol Clube. Na primeira ação do grupo, os jogadores mostraram a união ao se abraçarem em volta do círculo central. Desta vez, porém, a mensagem foi bem mais direta.

“Amigos da CBF: e o bom senso?”, dizia a faixa carregada nos jogos da rodada do Brasileirão. Já a partir do apito inicial, 22 jogadores de braços cruzados. Um recado bastante claro: se quiserem, os atletas paralisam o futebol nacional. Por cerca de um minuto, fizeram isso nas sete partidas disputadas hoje. Em Grêmio x Vasco e Goiás x Ponte Preta, confrontos que abriram a rodada, a ação foi mais contundente. Nos duelos posteriores, diante da ameaça (infantil) da CBF em punir os jogadores com cartões amarelos, a bola ficou rodando de um lado para o outro, sem que o protesto fosse deixado de lado.

Juntamente com os torcedores, os jogadores são os donos do espetáculo. E está no direito deles lutar por condições melhores. As propostas do Bom Senso FC, em adequar o calendário nacional, dar uma preparação digna aos atletas e promover o fair play financeiro, só farão o futebol brasileiro avançar. E a pressão sobre a CBF apenas ajudará para que isso aconteça o quanto antes, por mais que os dirigentes tentem fazer uma guerra fria contra o movimento. Um grande exemplo que não se limita ao esporte.

Abaixo, as cenas das paralisações nos dois primeiros jogos da rodada, exibidas durante o programa Bate Bola, da ESPN Brasil:

Já em São Paulo x Flamengo, os jogadores fizeram a bola circular enquanto se manifestavam em prol do Bom Senso FC:

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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