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Bom de dérbi, Rafael Marques simboliza a variação de Oswaldo que venceu o Corinthians

Rafael Marques não foi a contratação mais celebrada do pacote de reforços que o Palmeiras recebeu no começo do ano. Veio da China, com o carimbo de ser um jogador de confiança do treinador Oswaldo de Oliveira, o que ironicamente sempre desperta desconfianças da torcida. Ele vem provando o seu valor em campo e nos jogos que mais interessam ao torcedor alviverde. Depois de levar a semifinal do Paulistão aos pênaltis, marcou novamente contra o Corinthians e abriu o caminho para a vitória por 2 a 0, em Itaquera, a primeira do time no Campeonato Brasileiro.

Mais do que colocar a bola na rede, Rafael Marques foi importante pela sua movimentação e pela alternativa tática que representa para o Palmeiras. Após marcar o gol de empate contra o Atlético Mineiro, na primeira rodada, disse que não queria atuar como centroavante. Era ponta, meia, jogador de lado, escolha o nome que quiser, mas não se sentia à vontade com a camisa 9, nem metaforicamente. Oswaldo sabe disso. Conhece a peça há muito tempo. Mas contra o Corinthians, escalou-o como o jogador mais avançado do time.

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Só que Rafael Marques não era centroavante. Como na semifinal do Paulistão, não havia centroavante. Oswaldo cansou de revezar Cristaldo com Leandro Pereira no comando de ataque, uma espécie de Higuaín-Benzema um pouco mais deprimente. O importante é aparecer na área para finalizar quando a bola estiver na intermediária ou nas pontas, mas não precisa ser sempre com o mesmo jogador. E Rafael Marques é importante porque consegue executar com competência a função de atacante que cai pelos lados e sabe o que fazer com a bola quando estiver próximo ao gol.

Na jogada que abriu o placar, Valdivia brigou pela bola – fez até embaixadinha – e soltou na direita para Kelvin. Diante de Cássio, estavam Arouca e Rafael Marques para receber o cruzamento. O último cabeceou bem e fez 1 a 0. No segundo gol, Zé Roberto abriu a jogada para o chileno, novamente pela ponta direita, e entrou na área para receber. Ganhou de Dracena na antecipação e passou por Cássio. As atuações individuais contribuíram bastante para a estratégia de Oswaldo dar certo. Valdivia fez ótimo jogo, mais participativo e acertando passes chave. Zé Roberto, protegido por Egídio na lateral esquerda, marcou e apoiou com qualidade. Rafael Marques também foi muito bem. Enquanto o Corinthians viveu exatamente o oposto.

Tite está no meio do furacão, enquanto a diretoria resolve quais jogadores ficam no elenco e quais serão negociados para aliviar a situação financeira. Guerrero foi dispensado durante a semana, e a principal opção ofensiva desapareceu. Com Petros, Renato Augusto e Jádson, o Corinthians fica um pouco mais lento e exige alguém que segure a bola na frente, função que o peruano exercia muito bem e que Romero, com outras características, não consegue.

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No segundo tempo, coincidiram a entrada de Mendoza, veloz, pelas pontas com a queda de intensidade do Palmeiras e um recuo natural do time que está com vantagem no placar fora de casa. O Corinthians conseguiu criar algumas chances para voltar ao jogo, mas a maioria delas com chutes de longa distância e bolas alçadas a esmo dentro da área. Foi o bastante para assustar a defesa ainda instável do adversário, mas não mais do que isso.

Acima de tudo, o Corinthians precisa se reencontrar, dentro e fora de campo, enquanto o Palmeiras parece ter achado um outro caminho. Nos três jogos anteriores, nos quais não marcou nenhum gol (Joinville, Goiás e ASA), o sistema ofensivo alviverde era basicamente uma máquina de gerar cruzamentos para Leandro Pereira e Cristaldo, mergulhados entre os zagueiros do adversário. Neste domingo, eles foram trocados pela movimentação e deu certo. Caiu a invencibilidade de dez partidas do Corinthians no dérbi. Principalmente porque as finalizações também foram eficientes, outra coisa que estava fazendo falta ao Palmeiras.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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