Brasil

Bobadilla vira investigado e é intimado a depor após ser acusado de xenofobia

Polícia apura denúncia de venezuelano Miguel Navarro contra volante do São Paulo; Conmebol abre também processo disciplinar

Damián Bobadilla terá de se apresentar à Polícia Civil para dar a sua versão sobre o suposto caso de xenofobia contra o venezuelano Miguel Navarro durante a vitória por 2 a 1 do São Paulo sobre o Talleres, na última terça-feira (27), no MorumBIS.

O volante foi intimado pelo delegado Rodrigo Corrêa Batista a comparecer na Delegacia da Polícia de repressão aos delitos de intolerância esportiva (Drade) para prestar depoimento na próxima sexta-feira (28). Hoje, o paraguaio tem status de investigado pela polícia.

Conmebol também abre processo para apurar caso

Além disso, a Conmebol também abriu um processo disciplinar para apurar o caso. A entidade irá analisar as informações e elementos disponíveis sobre o episódio para definir se apresenta ou não denúncia a Bobadilla.

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O que pode acontecer com Bobadilla?

Caso Bobadilla seja, de fato, denunciado por xenofobia, ele poderá enfrentar severas punições tanto na esfera desportiva, quanto na esfera penal.

O paraguaio pode ser denunciado no artigo 15.1 do Código Disciplinar da Conmebol, cujo texto prevê punições para qualquer atitude que “menospreze, discrimine ou atente contra a dignidade humana de outra pessoa ou grupo de pessoas por motivos de cor da pele, raça, religião, origem étnica, gênero ou orientação sexual”

A pena prevista para este tipo de infração é de 10 jogos a quatro meses de suspensão.

A atual edição da Libertadores, aliás, já teve um caso de punição por xenofobia. Em abril, o meia Pablo Ceppelini, do Alianza Lima, pegou quatro meses de suspensão por ter chamado torcedores do Boca Juniors de “bolivianos”, em partida entre os dois clubes nas fases iniciais da competição.

Xenofobia é crime no Brasil?

Não há no Código Penal Brasileiro um artigo específico para crimes de xenofobia. Mas este tipo de infração é equiparada a casos de racismo.

O Artigo 2º-A da Lei 7.716/1989 considera injúria racial ofender alguém com base em cor, raça, etnia ou procedência nacional. A pena prevista para este caso é de dois a cinco anos de prisão, mas com possibilidade de conversão da punição para serviços comunitários.

Entenda o caso

Em Boletim de Ocorrência registrado ainda no MorumBIS, Miguel Navarro relatou que Bobadilla o chamou de “venezuelano morto de fome” em meio a uma discussão no final da partida. Navarro chorou em campo e chegou a ameaçar deixar o gramado, mas seguiu no jogo.

Os companheiros Nahuel Bustos e Marcos Portillo foram ouvidos como testemunhas. O árbitro Piero Maza Gomez também prestou depoimento à polícia. Na súmula, porém, não há qualquer registro sobre o episódio.

Bobadilla, por sua vez, deixou o MorumBIS antes de ser chamado pela Polícia Militar para prestar depoimento. Quando os policiais chegaram ao vestiário, ele já não estava mais lá.

Navarro, do Talleres, chora em campo após fala de Bobadilla, do São Paulo (Foto: Imago)
Navarro, do Talleres, chora em campo após fala de Bobadilla, do São Paulo (Foto: Imago)

Bobadilla grava vídeo e pede desculpas

Nesta quarta-feira (28), Bobadilla usou as redes sociais para se pronunciar. O volante em momento algum negou as ofensas, mas afirmou que foi ofendido “primeiro” pelo adversário, que, segundo ele, o tratou “com desprezo”. O paraguaio ainda pediu desculpas.

— Foi um jogo muito quente, um clima tenso durante todo o jogo. Depois do nosso segundo gol, tive uma troca de palavras com o jogador do Talleres onde fui ofendido primeiro, ele também me tratou com desprezo. Nunca tive a intenção de discriminar ninguém, mas durante aquele momento quente acabei reagindo mal. Queria me desculpar publicamente e pedirei desculpa se encontrá-lo pessoalmente. Desculpas e abraço a todos — disse Bobadilla.

Em nota oficial, o São Paulo afirmou que Bobadilla será “devidamente orientado por medidas educativas que serão conduzidas pela área de compliance”.

Confira a nota oficial do São Paulo:

São Paulo, 28 de maio de 2025

O São Paulo Futebol Clube, por meio desta nota oficial, reafirma seu compromisso com os princípios de respeito, igualdade e inclusão, pilares fundamentais que norteiam suas atividades esportivas e institucionais.

Em face dos acontecimentos ocorridos durante a partida contra o Club Atlético Talleres, válida pela CONMEBOL Libertadores, o Clube informa que está acompanhando atentamente a apuração dos fatos pelas autoridades competentes, colaborando integralmente com as investigações em curso.

O São Paulo FC reitera que repudia veementemente qualquer manifestação de discriminação, preconceito ou intolerância, seja ela de natureza racial, étnica, nacional ou de qualquer outra forma.

O Clube permanece à disposição das autoridades e das entidades esportivas para quaisquer esclarecimentos adicionais e reforça seu compromisso contínuo com a promoção de um ambiente esportivo pautado pelo respeito mútuo e pela dignidade humana.

Em relação ao nosso atleta Bobadilla, que, ao longo de sua carreira, não apresentou histórico de conduta disciplinar negativa – ao contrário, sempre pautou sua trajetória pelo profissionalismo – entendemos ser fundamental que o Clube ofereça suporte institucional. O Clube providenciará que ele seja devidamente orientado por meio de medidas educativas que serão conduzidas pela área de compliance.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.

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