Brasil

Arrascaeta vive grande início de 2024 em função diferente no Flamengo

Comissão técnica de Tite conseguiu devolver a melhor fase de Arrascaeta no Flamengo, lembrando os tempos áureos de 2019

Arrascaeta é um dos grandes jogadores do Flamengo desde a sua chegada, em 2019, mas, no ano passado, conviveu com fases mais complicadas. O aspecto físico pesou para o uruguaio, que teve pelo menos três lesões e pouco conseguiu contribuir para a temporada do clube. Agora, com aspecto renovado, o camisa 14 teve um início de 2024 muito interessante.

Os números já apontam o crescimento do craque, mas a grande fase vai muito além de participações em gol. Ao lado de Nico De La Cruz, Arrascaeta dita o ritmo e está jogando na posição onde se sente mais confortável: a de meia-atacante, muito próximo de Pedro, Cebolinha e Luiz Araújo. O “molho especial”, contudo, pouco tem a ver com a bola nos pés.

Início avassalador de 2024

Sem contar os amistosos da pré-temporada nos Estados Unidos, Arrascaeta já participou de 13 partidas pelo Flamengo em 2024. São oito participações em gol, contando três tentos e cinco assistências, e a equipe carrega um saldo positivo de 27 quando ele esteve em campo. Tudo faz mais sentido quando o ídolo veste rubro-negro e consegue apresentar bom futebol.

A organização da equipe de Tite também faz toda a diferença. Arrascaeta tem recebido a bola de frente, entre a linha de volantes e defensores dos adversários, ou seja, consegue observar a chegada dos atacantes e buscar o passe decisivo. A possibilidade de flutuação do uruguaio é crucial para o Flamengo conseguir chegar ao ataque com mais facilidade. São pelo menos dois passes decisivos por partida do camisa 14.

O mapa de calor de Arrascaeta, cedido pelo SofaScore (Foto: Reprodução)

Parte física totalmente renovada

Acima dos números, o maior motivo de celebração, seja interna ou externa, com Arrascaeta é a melhora na parte física. Se o 2023 foi marcado por lesões e jogos no sacrifício, o uruguaio tem conseguido atuar por 90 minutos em boa parte dos compromissos nesta temporada. Para ter uma ideia do tamanho do salto, o camisa 14 é o terceiro que mais esteve em campo pelo Flamengo em 2024, atrás apenas de Rossi e Fabrício Bruno.

  • Fabrício Bruno – 1.366 minutos
  • Rossi – 1.357 minutos
  • Arrascaeta – 1.282 minutos
  • Varela – 1.198 minutos
  • Léo Pereira – 1.101 minutos

Essa melhora tem tudo a ver com o Núcleo de Saúde e Alto Rendimento do Flamengo. Esse setor une o departamento médico com os trabalhos de Fábio Mahseredjian, apontado como o principal responsável pela virada da equipe na parte física. Com ele, o Rubro-Negro tem conseguido extrair mais dos seus atletas e rodado o elenco de maneira mais eficiente.

Liderança marca nova função de Arrascaeta

O 2024 também reservou um novo horizonte para Arrascaeta. Quando foi contratado junto ao Cruzeiro, o uruguaio veio com fama de tímido e “na dele”, mas o que se viu no Rio de Janeiro foi a transformação para um cara de grupo. O ídolo jamais se envolveu em confusões fora de campo, sendo querido por todos do elenco, algo que Tite rapidamente percebeu.

Diante disso, Arrascaeta tem apresentado uma voz mais ativa no vestiário, tendo sido, inclusive, escolhido para ser o capitão do Flamengo na estreia da Libertadores. O elenco já não é mais o mesmo de 2019, e contou com saídas importantes de lideranças como Diego Ribas, Filipe Luís, Everton Ribeiro e Diego Alves. Com Gabigol e Gerson fora por tempo indeterminado, sobrou para o uruguaio.

De tímido a líder, Arrascaeta se tornou uma figura importantíssima para o vestiário do Flamengo (Foto: Thiago Ribeiro/AGIF/Sipa USA)

Internamente, Arrascaeta é visto como uma liderança mais apaziguadora do que dominante. Ele ajudou bastante na adaptação dos uruguaios, como De La Cruz e Viña, assim como Pulgar e Rossi, quando chegaram. Esse estilo favorece mais um Tite que gosta de ter o controle das ações e exercer seu papel de técnico e líder.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme Xavier

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.
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