Brasil

Análise final – parte 1

Ao longo das próximas três semanas, a coluna, conforme anunciado, irá abordar as campanhas das 20 equipes que disputaram a Série A 2007. Clubes, aliás, que nesta semana que se passou agiram rapidamente e definiram, primeiramente, seus treinadores para o próximo ano.

A presteza elogiável para tal e a escolha de treinador como primeiro passo de um planejamento, aliás, merecem ser ressaltadas. Ainda que, Palmeiras e Cruzeiro, por exemplo, não se mostrem maduros o suficiente para entender um trabalho de longo prazo.

1º São Paulo – 77 pontos
Média de público – 28.622 (2º do torneio)
Gols pró por jogo – 1,44
Gols contra por jogo – 0,5
Aproveitamento em casa – 73%
Aproveitamento fora – 61%
Posição no primeiro turno – 1º
Posição no segundo turno – 1º
Artilheiros – Borges, Dagoberto e Rogério Ceni: 7 gols
Líder em assistências – Jorge Wagner: 11 passes
Quem mais jogou – Rogério Ceni : 36 jogos
Quem foi bem – Rogério Ceni, Breno, Miranda, Hernanes, Richarlyson, Jorge Wagner, Dagoberto e Aloísio
Quem decepcionou – Jadílson e Hugo
Saíram durante o torneio – Ilsinho, Edcarlos, Josué, Lenílson e Marcel
Treinador – Muricy Ramalho

A trajetória são-paulina se iniciou sob alguma instabilidade, dada a forma com que a equipe de Muricy Ramalho foi eliminada na Taça Libertadores e especialmente no Paulistão. O treinador, aliás, teve o cargo em risco após derrotas para Náutico e Atlético Mineiro, esta dentro do Morumbi. Após isso, o tricolor se reergueu e acumulou 16 partidas invictas, subindo da nona para a primeira posição e desbancando quase todos os concorrentes então diretos pela ponta. Venceu todos: Grêmio, Botafogo, Vasco, Cruzeiro, Santos e Palmeiras.

Com um desempenho defensivo que, em um recorte do campeonato, bateu recordes, o São Paulo teve sempre uma equipe segura, forte mentalmente e que jamais se abalou ao longo da competição, exceto o início já citado. Bicampeão, consagrou um modelo que o coloca, desde 2003, como a principal referência no assunto pontos corridos.

Superando as saídas de Josué e Mineiro, o São Paulo viu dois nomes tão bons, ou até melhores, tomarem conta da cabeça-da-área. Hernanes e Richarlyson se tornaram referência no jogo físico e na forte marcação do meio-campo, sempre recheado por inúmeras, mas organizadas, alternâncias táticas propostas por Muricy. Para 2008, o clube parece caminhar bem para almejar o tricampeonato.

2º Santos – 62 pontos
Média de público –8.424 (19º do torneio)
Gols pró por jogo – 1,5
Gols contra por jogo – 1,23
Aproveitamento em casa – 64%
Aproveitamento fora – 43%
Posição no primeiro turno – 8º
Posição no segundo turno – 2º
Artilheiros – Kléber Pereira: 16 gols
Líder em assistências – Kléber: 9 passes
Quem mais jogou – Rodrigo Souto, Rodrigo Tabata e Marcos Aurélio : 32 jogos
Quem foi bem –Kléber, Rodrigo Souto, Adriano, Pedrinho, Renatinho e Kléber Pereira
Quem decepcionou – Fábio Costa, Adaílton e Maldonado
Saíram durante o torneio – Roger, Neto, Ávalos, Cléber Santana, Jonas e Zé Roberto
Treinador – Vanderlei Luxemburgo

O Santos iniciou a temporada jogando o melhor futebol do país. Sem Zé Roberto, Cléber Santana e com uma ou outra mudança menor, se tornou uma equipe bastante diferente. Pecando em alguns momentos, especialmente nos clássicos, o Peixe perdeu a oportunidade de se postular como adversário ao título são-paulino. Potencial para isso os jogadores tinham.

A verdade é que, segundo admitem os próprios jogadores, faltou mais ambição e vibração para os santistas buscarem a ponta da tabela. Nesse contexto, é sempre importante lembrar que a torcida, também, não fez sua parte. Ainda assim, não dá para apontar fracasso no ano do Peixe. O segundo lugar representa, provavelmente, a continuidade política e da comissão técnica. A sintonia entre as duas, aliás, dará a medida do que o clube será capaz de realizar no próximo ano.

3º Flamengo – 61 pontos
Média de público –39.221 (1º do torneio)
Gols pró por jogo – 1,44
Gols contra por jogo – 1,28
Aproveitamento em casa – 70%
Aproveitamento fora – 36%
Posição no primeiro turno – 11º
Posição no segundo turno – 4º
Artilheiros – Souza, Ibson e Juan: 6 gols
Líder em assistências – Juan: 8 passes
Quem mais jogou – Bruno e Léo Moura: 36 jogos
Quem foi bem – Bruno, Fábio Luciano, Léo Moura, Juan, Cristian, Ibson e Souza
Quem decepcionou – Roger, Renato Augusto, Colace, Irineu, Leonardo, Léo Lima e Thiago Gosling
Saíram durante o torneio – Gerson Magrão, Irineu, Thiago Gosling, Moisés, Paulinho, Claiton e Renato
Treinadores – Ney Franco e Joel Santana

A campanha flamenguista nesta Série A, dentre todas, talvez seja a que mais merece um livro. Quase rebaixável e com vários jogos a menos até o fim dos Jogos Pan-Americanos, a equipe se reconstruiu sob a orientação de Joel Santana, descobriu uma nova forma de jogar e contou com as chegadas providenciais de Ibson e Fábio Luciano. A saída de Ney Franco, mesmo criticável em ou outro ponto, se mostrou salutar para o renascimento do Fla.

Vencendo jogos sob o apoio de uma torcida que quebrou sucessivamente vários recordes de lotação do Maracanã, o Flamengo construiu a maioria de suas vitórias no estádio e bateu concorrentes diretos por vaga na Libertadores. Não fosse uma derrota na rodada final, o Fla terminaria como vice-líder, algo indiferente para quem disputará a principal competição continental pela segunda temporada seguida, situação que não aparecia na Gávea desde o biênio 83/84.

4º Fluminense – 61 pontos
Média de público – 17.071 (11º do torneio)
Gols pró por jogo – 1,44
Gols contra por jogo – 1,02
Aproveitamento em casa – 56%
Aproveitamento fora – 50%
Posição no primeiro turno – 12º
Posição no segundo turno – 3º
Artilheiros – Thiago Neves: 12 gols
Líder em assistências – Thiago Neves: 10 passes
Quem mais jogou – Júnior César: 33 jogos
Quem foi bem – Thiago Silva, Roger, Júnior César, Arouca e Thiago Neves
Quem decepcionou – Rafael, Romeu, Soares, Jean e Rodrigo Tiuí
Saíram durante o torneio – Carlos Alberto, André Moritz, Rafael Moura e Lenny
Treinador – Renato Gaúcho

O Fluminense tinha tudo para, como fez o Flamengo em 2006, levar o Brasileirão com a barriga. Tinha. Pois, salvo alguma oscilação natural, o Flu foi um dos que mostrou mais motivação para tentar as primeiras posições. Tanto que, não fosse o título da Copa do Brasil, a equipe estaria na Libertadores do mesmo jeito, como quarta colocada.

Evidentemente, o maior mérito, nesse sentido, está com Renato Gaúcho, que encerrou a maldição que vinha no clube desde Abel Braga. Thiago Neves, talvez o melhor tecnicamente desta edição da Série A, jogou um futebol de altíssimo nível, assim como Thiago Silva, líder de uma defesa que foi excelente e ajudou a levar o Flu para uma honrosa posição. O esboço para 2008 está pronto, basta não ser desfeito.

5º Cruzeiro – 60 pontos
Média de público –23.504 (4º do torneio)
Gols pró por jogo – 1,92
Gols contra por jogo – 1,52
Aproveitamento em casa – 61%
Aproveitamento fora – 43%
Posição no primeiro turno – 3º
Posição no segundo turno – 10º
Artilheiros – Roni: 12 gols
Líder em assistências – Fernandinho: 6 passes
Quem mais jogou – Ramires: 32 jogos
Quem foi bem – Fábio, Fernandinho, Charles, Ramires, Wagner, Leandro Domingues, Roni, Guilherme e Alecsandro
Quem decepcionou – Gatti, Angelo, Anderson, Marcinho e Rômulo
Saíram durante o torneio – Gabriel, Luizão, Gladstone, Renan, Ricardinho, Fellype Gabriel, Diego, Rômulo e Geovanni
Treinador – Dorival Júnior

Durante boa parte da Série A em 2007, foi o Cruzeiro que se colocou como principal adversário do São Paulo na briga pelo título. Com um meio-campo criativo, veloz e um ataque mortal, venceu vários jogos com placares elásticos, o que também comprovava ser, este, um time bastante imprevisível.

Recheado de jovens, também no comando, a Raposa oscilou absurdos no segundo turno, tendo dado a vaga na Libertadores quase que perdida. Apareceu, porém, o Atlético Mineiro para recolocar o Cruzeiro na competição sul-americana, coroando um trabalho de recuperação satisfatório após a trágica final no estadual. Dorival Júnior, porém, foi trocado por Adílson Batista, e o celeste mineiro precisará de mais estabilidade para fazer bonito no próximo ano.

6º Grêmio –58 pontos
Média de público –21.937 (6º do torneio)
Gols pró por jogo – 1,15
Gols contra por jogo – 1,13
Aproveitamento em casa – 70%
Aproveitamento fora – 31%
Posição no primeiro turno – 7º
Posição no segundo turno – 6º
Artilheiros – Tuta: 9 gols
Líder em assistências – Tcheco: 7 passes
Quem mais jogou – Diego Souza: 33 jogos
Quem foi bem – Léo, William, Anderson Pico, Bustos, Eduardo Costa, Diego Souza e Jonas
Quem decepcionou – Saja, Patrício, Gavillán, Tcheco, Tuta, Ramón, Éverton e Douglas
Saíram durante o torneio – Jucemar, Lúcio, Schiavi, Edmílson, Lucas, Carlos Eduardo, Amoroso, Éverton e Douglas
Treinador – Mano Menezes

O fato de estar inicialmente mais focado na Libertadores, aparentemente, não serve como desculpa para o Grêmio, cujo objetivo era atingir novamente o torneio continental. A reconstrução da equipe, verdade seja dita, não foi bem feita. No momento mais agudo da Série A, faltou qualidade ao elenco muito bem comandado por Mano Menezes. E, também, os resultados longe do Olímpico foram pavorosos.

Ainda assim, dá para dizer que 2007 foi positivo para o tricolor gaúcho, que foi bicampeão estadual, vice da Libertadores e sexto no Campeonato Brasileiro, muito desta última, aliás, mérito de Diego Souza, um legítimo match winner no elenco gremista. Sem Mano Menezes e a base que triunfou nos últimos três anos, o Grêmio se vê obrigatoriamente em um período de entressafra, em que as equipes sem muitos recursos financeiros quase nunca atingem sucesso.

7º Palmeiras –58 pontos
Média de público –17.586 (10º do torneio)
Gols pró por jogo – 1,26
Gols contra por jogo – 1,23
Aproveitamento em casa – 57%
Aproveitamento fora – 43%
Posição no primeiro turno – 5º
Posição no segundo turno – 11º
Artilheiro – Caio: 9 gols
Líderes em assistências – Valdívia, Edmundo e Caio: 4 passes
Quem mais jogou – Diego Cavalieri: 38 jogos
Quem foi bem – Diego Cavalieri, Wendel, Gustavo, Pierre, Makelele, Martinez, Caio, Rodrigão e Valdívia
Quem decepcionou – Paulo Sérgio, David, Leandro, Max e Cristiano
Saíram durante o torneio – Marcelo Costa, Cristiano, Michael, Florentín e Amaral
Treinador – Caio Júnior

Diretoria nova, estabilidade política, comissão técnica fixa e bom ambiente. O ar de renovação que passou pelo Parque Antártica em 2007, como se sabia, tinha seu sucesso intimamente ligado à classificação para a Libertadores. Essa fronteira tênue entre o fracasso e o êxito, imposta pelo próprio clube, acabou encerrando o trabalho de Caio Júnior sem que houvesse seqüência para o próximo ano.

De qualquer forma, ao se analisar a situação palmeirense dos últimos anos, dá para se dizer que a temporada foi boa. Mesmo que tenha ficado no quase nas três competições que jogou, o Palmeiras construiu uma estrutura que, se for bem aproveitada no ano que vem, pode fazer com que se saia do quase. O apoio de torcedores e conselheiros, mais uma vez, será algo importantíssimo.

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