Brasil

Ainda que bem que torcedores dos dois clubes puderam presenciar este frenético Fla-Flu

Foi caótica a semana que precedeu a final da Taça Guanabara. Ninguém sabia o que aconteceria. Era para ser no Maracanã, mas foi marcada para o Engenhão, com a discordância do Botafogo, dono do estádio. Poderia ser com torcida única ou portões fechados, em protesto. Consideraram até tirá-la do Rio de Janeiro. A definição saiu apenas no final da tarde de sexta-feira, 48 horas antes do apito inicial, em um caso emblemático de como as autoridades conseguem atrapalhar mais do que ajudar. Mas ainda bem que, no fim, graças a uma rara união de forças entre os clubes, torcedores dos dois times puderam presenciar o frenético empate por 3 a 3 entre Flamengo e Fluminense, que terminou com título tricolor nos pênaltis.

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Houve erros defensivos, principalmente da defesa do Flamengo, e tecnicamente a partida ficou longe de ser perfeita. Mas, em uma final, vale mais a história da partida do que pormenores técnicos. O primeiro tempo foi cardíaco, com cinco gols e duas viradas. O tento que levou a decisão aos pênaltis saiu apenas no final da etapa final. E ainda houve a própria disputa de cobranças a partir da marca do cal, sempre eletrizante. Teria sido um protesto forte se tudo isso acontecesse com as arquibancadas vazias. Ainda bem que isso não foi preciso.

O cronômetro ainda não havia marcado cinco minutos quando saiu um golaço. Diego cobrou falta no campo de ataque, e Wellington Silva pegou o rebote. Arrancou a partir da própria defesa e não parou mais. Aproveitou escorregão de Pará para entrar na área e tocar na saída de Júlio César. O Fluminense, que havia entrado em campo com menos favoritismo que o Flamengo, foi quem abriu o placar.

 

Mas o Flamengo não anda badalado à toa. Está se formando um grande time. E grandes times têm grandes jogadores, como Guerrero, cuja presença de área foi decisiva para os rubro-negros virarem o jogo antes da metade do primeiro tempo. O peruano completou cobrança de falta, a bola dirigia-se para a linha de fundo, mas Rafael Vaz salvou e tocou para William Arão empatar. Aos 23 minutos, Pará cruzou para o centroavante, Júlio César defendeu, e Everton conferiu no rebote.

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Em cobrança de escanteio de Sornoza, um monstro no meio-campo do Fluminense, Richarlison cabeceou para cima e Renato Chaves teve boa chance para empatar. Mas Muralha defendeu sem problemas. No fim, foi Guerrero quem concedeu ao adversário a melhor oportunidade. Colocou a mão na bola, dentro da área, e o árbitro marcou pênalti. O excelente cobrador Henrique Dourado, com seu estilo bem particular de bater, fez o segundo gol tricolor na partida.

 

Não dava tempo de respirar. Trauco imediatamente tentou responder com um chute da entrada da área, que foi para fora. Quando a partida aproximava-se do intervalo, o Fluminense pegou o Flamengo no contrapé. Orejuela recuperou no meio-campo e soltou, um pouco mais à frente, com Wellington Silva, que percebeu Lucas projetando-se entre a defesa esburacada do Flamengo e soltou com um tapa de primeira. O lateral-direito avançou e tocou na saída de Muralha.

 

O ritmo caiu na etapa final, não apenas porque seria impossível manter aquele ritmo durante tanto tempo, mas também porque o Fluminense conseguiu defender-se muito bem, enquanto o Flamengo insistia em cruzamentos e bolas longas, sem criatividade para furar o bloqueio. A partida apenas foi para os pênaltis porque Guerrero descolou um improvável e raro gol de falta, aos 39 minutos do segundo tempo.

 

Na disputa de pênaltis, Diego e Guerrero e Lucas e Henrique fizeram 2 a 2. Réver cobrou muito mal, e Júlio César defendeu. Marquinho colocou o Fluminense em vantagem. Rafael Vaz, canhoto, tentou bater colocado no canto esquerdo e tirou demais do gol. Acertou com tudo a placa de publicidade. Marcos Junior teve aos pés a bola do título da Taça Guanabara e não decepcionou: depois do 3 a 3 no tempo normal, 4 a 2 nos pênaltis para o Fluminense, já classificado para a semifinal do Campeonato Carioca.

Que esta semana fique de lição para todos os clubes do Brasil, e não somente para os cariocas. Caso Pedro Abad, apesar de torcida única significar apenas tricolores no estádio, não tivesse se unido com Eduardo Bandeira de Mello, que fez o mesmo na semifinal contra o Vasco, esta final teria sido um melancólico grito de uma torcida só. Mas, ao contrário, foi uma tarde de futebol no Rio de Janeiro como poucas em tempos recentes, quase perfeita, com exceção da ausência do Maracanã como palco da partida. Ainda bem que foi assim.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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