Brasil

Da arbitrariedade ao acesso fácil, o Atletiba que atraiu vários cantos do Brasil

Inegavelmente, o Atletiba é um dos principais clássicos do futebol brasileiro. Mesmo assim, por todos os acontecimentos anteriores, poucas vezes o dérbi atraiu tantas atenções em outros cantos do Brasil. Mais do que isso, dá para dizer que nunca o acesso à transmissão do jogo foi tão democrática. Quem quisesse assistir ao confronto precisava apenas de uma boa conexão de internet. E, assim, uma partida que despontou como inovadora e ganhou ainda mais repercussão pela arbitrariedade da federação, finalmente ocorreu nesta quarta-feira se destacando pela maneira como pôde ser acompanhada muito além dos limites de Curitiba ou do Paraná. O ‘Clássico do YouTube e do Facebook’ já está na história para Atlético e Coritiba, mas também pode representar mais ao futebol brasileiro.

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Em diferentes redes sociais, a realização do Atletiba remarcado amealhou compartilhamentos. Desde vez, não para acompanhar desmandos, com a situação completamente regularizada. E sim para ver um modelo raro de transmissão no futebol brasileiro. Muitos acompanharam a partida por curiosidade. Outros tantos, pela facilidade de acesso. Afinal, não é sempre que um grande clássico fica apenas a um clique (por meios legais, diga-se) de ser assistido.

Simultaneamente, o pico de espectadores chegou a 180 mil, divididos entre as contas no Facebook e no YouTube das duas equipes. No entanto, muito mais gente ao menos espiou o Atletiba desta quarta. Juntos, os posts dos clubes no Facebook chegaram a três milhões de visualizações. Em uma situação inédita como esta, fica difícil de dimensionar a representatividade da transmissão para a Grande Curitiba e para o modelo “tradicional” na televisão – pelas estimativas iniciais, não chegou a tanto. De qualquer maneira, não dá para negar que os números chamam a atenção.

Assim como no total de espectadores em seus canais oficiais, o Atlético Paranaense também venceu em campo. Diante de 18 mil torcedores nas arquibancadas da Arena da Baixada, o Furacão fez 2 a 0 sobre os rivais, mesmo com Paulo Autuori escalando uma equipe cheia de garotos. Cryzan abriu o placar, pouco depois de um pênalti desperdiçado por Kleber, do Coxa. Já na segunda etapa, Douglas Coutinho fechou a conta.

O legado da experiência só deve vir com o tempo. Depende de como a queda de braço pelos direitos de transmissão se dará, de como as aberturas tecnológicas serão aproveitadas pelo clube, de quão frequente esse tipo de iniciativa se tornará. Mas, por aquilo que aconteceu nesta quarta, dá para dizer que há um caminho a ser explorado. E um mercado que, esporadicamente, pode não se limitar apenas aos nichos mais tradicionais.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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