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‘Ninguém cresce de um dia para o outro’: Abel exalta Flaco e avalia positivamente os crias do Palmeiras

Técnico do Palmeiras foi elogioso, mas pediu calma à torcida: tanto com a empolgação quanto com as críticas

Abel Ferreira estava muito satisfeito após a vitória do Palmeiras sobre o São Bernardo, na noite de quinta-feira (15). Saiu novamente em defesa e elogio a seus jogadores – em especial Flaco López, artilheiro do time na temporada (cinco gols). E deu mais uma cutucada na torcida:

– Em relação ao Flaco, já quero colocar gelo. Já disse, é preciso tempo e paciência. Não só pra ele, mas para todos os jovens. Temos o Zé, o Veiga. O Veiga hoje é ídolo, mas já foi amassado, queimaram camisas. Eles têm isso na memória – disse ele.

– (O Flaco) é o mesmo jogador que vocês criticavam há cinco ou seis meses. Aqui, as pessoas querem meter a semente e que ela no outro dia germine. Plantam hoje pra colher amanhã. Não é assim que funciona. Ninguém cresce de um dia para o outro. Sabemos o que fomos contratar, o potencial que ele tinha – completou.

Até por ter utilizado muitos jogadores jovens, pelo revezamento de jogadores que vê, fazendo nesse início de temporada, o técnico falou bastante sobre a evolução dos Crias da Academia.

– O Fabinho trabalha conosco desde que chegamos. Nós fazemos isso com muitos jogadores, como Luis e Estevão. Trabalham conosco de forma diária, mas que uns estão mais na frente e outros mais atrás. Muitos acham que podem ser o Endrick. Não só eles, mas empresários e pais. E isso tem interferência muito grande. O tempo não é igual para todos. As vezes é preciso de uma palavra mágica: paciência. Sobretudo com os jogadores mais jovens – afirmou.

– Já são quantos com 16 ou 17 anos?! Parece fácil. É preciso paciência, é um miúdo que tem potencial tremendo. Temos que ter cuidado. Tudo o que está a volta cria uma pressão. Eu admiro muito o jogador jovem brasileiro. Quando eu sei que a família está esperando ser sustentada por aquilo que o jogador fizer. Eu penso ‘se minha filha não tirar 10 na escola, eu não tenho comida para comer'. Não sei qual é a pressão de um miúdo de 16 ou 17 anos que tem a família toda dizendo para jogar bem. Eu tento tirar essa pressão deles – explicou o técnico.

Outro que recebeu elogios foi Jhon Jhon. O camisa 40, em quem Abel vem apostando bastante, desde 2022, talvez tenha feito seus melhores minutos com a camisa do Palmeiras. O treinador deu até uma leve exagerada ao falar dele.

– Jogador que tem um potencial imenso! Jogador que dribla, que assume riscos. E para assumir riscos, vai errar passes. Mas eu digo para fazer isso. Porque, quando os passes começarem a entrar, vai ser um jogador que pode chegar aos melhores do mundo. As vezes custa ser amassado nesse momento.

Veja o que mais ele falou

 Dérbi de domingo

– Sei que é um jogo importante, é Dérbi. Tem muita coisa em jogo. Mas vamos olhar para os jogadores que temos, preparar nossa equipe, mesmo que um dia a menos que nosso adversário. É um Palmeiras x Corinthians, não é o treinador A, B ou C. Os treinadores portugueses se respeitam muito.

150 vitórias pelo Palmeiras

– Significa zero. Se desse um título, significaria muito. Jogamos a Supercopa, tivemos a oportunidade ganhar. Perdemos e aí o treinador é pardal, não sabe substituir. O futebol aqui é assim, não tem memória. Aqui e agora. São números bonitos. Se desse título, eu corria por isso.

Cobrança excessiva

– A cobrança aqui é muito grande. Lamento que os palmeirenses, corinthianos, são paulinos… De outros estados também. Queria eu que fossem todos tão exigentes com a nossa sociedade como são com o futebol. Isso que eu desafio. Que fossem exigentes com outras classes como a judicial, política, financeira, como são com a classe desportiva.

– Felizmente, nossos jogadores sabem o que trabalhamos no clube. E sabem lidar com o 8 ou 80 do futebol brasileiro. O Borja aqui não deu nada, completamente trucidado pelos nossos torcedores. Está bem no River. Entre outros. Pedro foi vaiado no Flamengo, Hulk no Atlético. A cobrança aqui é muito grande.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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