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A pedreira que se desenha à seleção brasileira logo de cara nas Eliminatórias

Com Parreira e Dunga, tranquilidade. Com Felipão (e Luxemburgo, Candinho e Leão), um martírio. As Eliminatórias Sul-Americanas podem até oferecer muitas vagas à Copa do Mundo, com metade dos participantes conseguindo a classificação direta ou pelo menos o direito à repescagem. Mas a competição não deixa de ser complicadíssima por causa disso. A tradição das seleções vai muito além das cinco vagas. E o momento de muitas delas também é ótimo. Ao contrário do que acontece do Brasil. Não bastassem as dificuldades que Dunga vem enfrentando para organizar o time, a sequência também promete ser duríssima, graças ao sorteio realizado neste sábado.

VEJA TAMBÉM: Confira a definição completa das Eliminatórias da Copa de 2018

Ao contrário do que aconteceu nas últimas quatro Copas, a tabela de jogos na América do Sul mudou. E o Brasil já estreia sob enorme pressão, com dois dos jogos mais difíceis entre as três primeiras rodadas. O primeiro desafio será logo contra o Chile, atual campeão da Copa América, em Santiago. Parada duríssima, ainda mais sem Neymar, cumprindo a suspensão. Na segunda rodada, também sem o camisa 10, a Seleção recebe a Venezuela, no jogo que fechava a campanha dos brasileiros – e que, em 2010, Dunga não passou de um modorrento empate com a classificação já assegurada. Para, em sua terceira partida, o time de Dunga visitar a Argentina em Buenos Aires. Já a quarta rodada, que fecha a lista de compromissos em 2015, conta com a vinda do Peru ao país.

As duas primeiras rodadas estão marcadas para outubro, enquanto a terceira e a quarta acontecem em novembro. Ou seja, Dunga terá pouco tempo para refazer o time dos muitos problemas apresentados pelo time na Copa América. Por mais que o histórico do treinador nas Eliminatórias seja excelente, seu caminho rumo à Copa de 2010 era consideravelmente mais tranquilo de início: pegava gerações inferiores de Colômbia e Peru fora, além em casa Equador e Uruguai, que também não causavam muita empolgação naquele momento. A Seleção ganhou oito pontos naquelas partidas, o que deu folga e não causou tantos problemas assim com a derrota para o Paraguai no Defensores del Chaco, em tarde de Cabañas. Desta vez, sair invicto neste começo já será um feito e tanto.

Obviamente, o caminho rumo à Copa de 2018 não é tão duro a todo tempo. Há uma sequência relativamente mais branda entre a quarta e a décima rodada: Peru (casa), Uruguai (casa), Paraguai (fora), Equador (fora), Colômbia (casa), Bolívia (casa). Ainda que os jogos no exterior costumem ser sempre complicados, pela forma como cada vizinho usa bem as suas características em casa, dá para lidar. O que preocupa além é a maneira como a tabela se complicou nas rodadas finais, muito diferente do que aconteceu em 2002, 2006 e 2010.

Ao invés da Venezuela, o visitante na 18ª rodada é o Chile. Na penúltima, assim como já acontecia, os brasileiros vão a La Paz enfrentar a Bolívia. E, na antepenúltima, outra pedreira enorme diante da Colômbia fora de casa. Será bom encaminhar a classificação nas duas rodadas anteriores, quando a Seleção recebe Paraguai e Equador. Dois jogos para somar seis pontos e evitar um desespero semelhante ao vivido por Felipão em 2001.

É claro que as dificuldades ao Brasil se reproduzem de maneira semelhante às outras nove seleções sul-americanas. Esta é a parte legal das Eliminatórias da Conmebol, um dos torneios de pontos corridos mais fascinantes do mundo: a maneira como as sequências são pesadas e os jogos como mandante contam demais. Só que a Seleção, em especial, precisa se cuidar. Pelo bom momento dos rivais e por sua própria entressafra. Pelo sufoco nas primeiras rodadas e os problemas que se prometem nas últimas.

Os compromissos da Seleção

Outubro de 2015: Chile (f), Venezuela (c)
Novembro de 2015: Argentina (f), Peru (c)
2016: Uruguai (c), Paraguai (f), Equador (f), Colômbia (c), Bolívia (c), Venezuela (f)
2017: Argentina (c), Peru (f), Uruguai (f), Paraguai (c), Equador (c), Colômbia (f)
Outubro de 2017: Bolívia (f), Chile (c)

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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