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A obra-prima de Dátolo foi o grand finale para a goleada do Galo e o jogão no Independência

O Campeonato Brasileiro de 2015 nem sempre é provido de lógica. E isso que o ajuda a se tornar extremamente emocionante. Afinal, o que poderia se esperar no Estádio Independência era um jogo parelho entre Atlético Mineiro e Flamengo, até pela posição dos times na tabela. Ainda que ambos viessem de péssimos resultados, com os atleticanos goleados pelo Santos e os flamenguistas surpreendidos pelo Coritiba. Mas sabe a tal lógica? Não dê muitos créditos a ela. Como era de se esperar, os dois times fizeram um grande jogo em Belo Horizonte. Só que, por mais que o Fla tenha vivido bons momentos (mas não na defesa, óbvio), o Galo foi superior na maior parte do tempo e não perdoou os erros dos adversários. Terminou com uma goleada fora do script inicial, por 4 a 1, que vale principalmente para recuperar as forças do time na perseguição ao Corinthians.

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O jogo começou em alta voltagem logo nos primeiros minutos, com o Atlético tentando impor uma blitz sobre os visitantes. Entretanto, a grande chance de abrir o placar foi do Flamengo. Marcelo Cirino foi derrubado por Victor dentro da área. Pênalti, que serviu para canonizar um pouco mais o santo dos atleticanos. Alan Patrick cobrou rasteiro, mas muito mal. Permitiu que o goleiro encaixasse a bola. E permitiu que o Galo, mesmo sem finalizar, abrisse o placar aos 16. Em cruzamento de Dátolo, Marcelo cometeu erro bisonho e cabeceou contra as próprias redes.

Só que o jogo era muito bom para acabar coroado por uma bizarrice dessas. E o Flamengo, muito mais ativo no ataque, buscou o empate dois minutos depois. Canteros fez boa jogada e tocou para Paulinho chutar prensado, o que tirou Victor da jogada e permitiu o gol. Ainda que as finalizações não fossem tantas, o jogo era lá e cá. Venceria quem errasse menos. E, por isso mesmo, o Atlético conseguiu abrir a goleada. Na falha tão recorrente do Flamengo, Jemerson retomou a vantagem aos 25, aproveitando bola na área para cabecear firme. Paulo Victor era quem garantia a segurança da defesa rubro-negra, enquanto os atleticanos tomavam calor diante dos rápidos contra-ataques adversários.

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De volta ao time, Guerrero se movimentava bastante e chamava a responsabilidade, com um gol anulado por impedimento. Pouco antes do intervalo, o peruano teve a melhor chance de empate do Flamengo. Em bate-rebate na área, centroavante tentou duas vezes, mas o Atlético conseguiu se safar. E, se o ataque dos cariocas ameaçava bastante, a defesa tirou qualquer chance de reação do time. Aos nove minutos da etapa complementar, mais uma bola na área acabou sendo letal. Dátolo cruzou e Jemerson apareceu na área para cabecear com liberdade. Minou as forças do Fla, que viu a superioridade mineira ser ampla no segundo tempo.

O quarto gol parecia questão de tempo, com muitos espaços criados. E veio a quem mais merecia, pela partida brilhante até então. Dátolo tinha participado dos três primeiros gols, responsável pelo cruzamento em todos eles. Quando deixou sua marca, no entanto, o argentino tratou de humilhar. Em uma mistura de elástico com caneta, deixou Pará sem nem entender o que estava acontecendo. E, de fora da área, acertou um chute no cantinho. Golaço, que definiu a goleada atleticana. E até poderia ser mais, não fosse defesa milagrosa de Paulo Victor com a perna. Com o resultado definido, o jogo finalmente caiu de ritmo até o apito final.

Da excelente sequência de sete vitórias, o Flamengo voltou a colocar os pés no chão com as duas últimas derrotas. Os rubro-negros seguem com chances de buscar a quarta vaga na Libertadores e evoluíram bastante nos últimos jogos. Contudo, o ataque precisa ser muito melhor do que foi hoje para conseguir compensar a quantidade de erros da defesa. Nela é que está o maior desafio de Oswaldo de Oliveira neste momento. Se o meio-campo já não é mais terra de ninguém, como antes, nada adianta se a bola aérea continua sendo um problema crônico. Se não evoluir neste ponto, o time fica pelo caminho.

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Já o Atlético Mineiro, apesar do placar, fez outras atuações melhores no Brasileirão. O resultado sobre o Flamengo, mais que o coletivo, valeu pela quantidade de destaques individuais. Victor foi essencial com a calma demonstrada no pênalti defendido, enquanto Jemerson se ressaltou como um dos melhores zagueiros do campeonato, mesmo brilhando no ataque desta vez. E Dátolo, que por vezes oscila demais no clube, tem sido um dos protagonistas nos últimos jogos. Com eles, o Galo se faz mais forte. Ainda sonha com o título, mesmo seguindo na segunda posição, cinco pontos atrás do Corinthians.

A foto que abre o post é de Bruno Cantini, do Atlético Mineiro

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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