Brasil

A busca por um camisa 9

Algumas impressões do Brasil 3×1 México foram semelhantes às de Estados Unidos 2×4 Brasil de dias antes. Por exemplo, Ronaldinho, Kaká e Robinho fincaram o pé como únicos jogadores realmente acima da média desse grupo com o qual Dunga tem trabalhado. Melhor ainda, Ronaldinho está em boa fase técnica e o trio dá sinais de que pode – e deve – jogar junto, pois a movimentação e troca de passes sobem alguns níveis.

Outro saldo importante foi a consolidação do fato de que o Brasil – surpresa! – não tem um atacante de referência à altura. Um homem-gol, um camisa 9. Vágner Love e Afonso tiveram novas oportunidades e não convenceram. De novo. Dunga já tenta usar Kaká na posição, um sintoma de que centroavantes típicos estão em falta. Como não falta mais nenhum jogo antes do início das Eliminatórias da Copa do Mundo, é momento de avaliar quais as possibilidades que Dunga tem à mão.

Vágner Love
Até o momento, é o preferido de Dunga para a camisa 9. O atacante do CSKA Moscou tem boa movimentação e fez algumas boas partidas na Copa América (notadamente a final contra a Argentina). Não conseguiu, porém, justificar a titularidade. A falta do faro goleador que o caracterizava no Palmeiras causa estranheza. Pelas características de jogo (é leve e rápido), até ficaria bem como segundo atacante. Mas não tem condições de ser um homem de referência, mais fixo na área.

Afonso Alves
A quantidade industrial de gols que marcou na Holanda dá crédito a ele como eventual homem-gol da Seleção. Ainda que a Eredivisie não seja um campeonato da ponta, sua lista de artilheiros impressiona (Van Nistelrooy, Ronaldo, Bergkamp…). Mas parece que Afonso está mais para Machlas (artilheiro de 1998) do que para Romário. Até demonstra vontade de acertar, não fugindo da responsabilidade de finalizar quando possível. No entanto, mostra ser fraco tecnicamente e sua falta de movimentação faz que suma na marcação com certa constância.

Fred
Em teoria, é melhor tecnicamente que Afonso e muito mais goleador que Vágner Love. Ou seja, parece ser mais indicado que os dois preferidos de Dunga nos últimos tempos. No entanto, a última temporada tirou muito espaço do lionês. Seu rendimento caiu muito e até o físico não tem sido dos mais confiáveis. Se recuperar a boa forma e colocar a cabeça no lugar pode ser uma aposta válida, apesar de ainda não soar como solução.

Ronaldo
Pelo talento que tem, é o jogador perfeito para a função. É o único concorrente à camisa 9 com inteligência, habilidade e rapidez de raciocínio para acompanhar Kaká, Robinho e Ronaldinho. Ainda que esteja para comemorar seu 31º aniversário (teria quase 34 na próxima Copa), reúne condições de compensar uma eventual falta de fôlego com a soma de experiência com técnica. O problema é que anda em baixa com a CBF (algo que parece diminuir a medida que sua presença se faz necessária na Seleção), precisa provar que tem comprometimento com a equipe nacional e está buscando a melhor forma física no Milan.

Alexandre Pato
Muitos já vêem o paranaense como o Messias, o único atacante da nova geração capaz de manter o mesmo nível de desempenho de um time que contou com Romário e Ronaldo nos últimos 10 anos. Apesar de o potencial do milanista ser enorme, ainda é preciso de tempo para o talento ser melhor lapidado. Afinal, o jogador não fez nem uma centena de jogos como profissional, ficará meia temporada inativo no Milan e ainda precisa ser melhor testado em competições de altíssimo nível. Talvez ele esteja em grande forma para a Copa do Mundo 2010, mas, para esse início de eliminatórias, ainda é prematuro exigir tanto do atacante.

Adriano
Potência física, chutes fortíssimos de longa distância, juventude, experiência em grandes competições e grande noção de espaço dentro da área. Um centroavante típico, mas com velocidade e qualidade técnica que o tornam algo mais que um simples “trombador”. Essas virtudes colocam Adriano como candidato forte a recuperar um lugar na Seleção. O problema é a cabeça. O atacante interista não convence há duas temporadas e aparece mais em festas do que comemorando gols no San Siro. Caso evidente de atleta que precisa, antes de pensar em Seleção, pensar em recolocar sua carreira no rumo certo. Por isso, ainda não é recomendável depender dele.

Rafael Sóbis
Teve algumas boas atuações nas primeiras partidas do Brasil sob o comando de Dunga, mas não o suficiente para se manter entre os concorrentes mais fortes. É rápido, arremata bem e sabe tabelar com os meias quando necessário. O que falta é mais presença na área e uma passagem mais consistente no futebol europeu. Teria mais chances se a disputa fosse pela vaga se segundo atacante, não a de primeiro.


Foi convocado uma vez por Dunga, que certamente se baseou nos gols que o ex-corintiano fez assim que chegou ao CSKA Moscou. Foi mais uma das convocações que pouca gente compreendeu, porque o atacante não é ruim, mas ainda não mostrou o futebol para entrar na relação de selecionáveis.

Ricardo Oliveira
Era o quarto atacante de Carlos Alberto Parreira até se contundir gravemente pelo Betis. Depois, teve boa passagem pelo São Paulo, uma apagadíssima pelo Milan e tenta recuperar o futebol no Zaragoza. É um atacante técnico, oportunista e com características adequadas para ser um centroavante de referência. Pode ser uma boa opção para a Seleção, mas a sensação que fica é que não tem força o suficiente para se segurar como titular do Brasil.

Nilmar
Correu por fora na disputa pelo posto de quarto atacante na lista de convocados de Carlos Alberto Parreira para a Copa de 2006. É oportunista, rápido e driblador, mas sua fragilidade física, a falta de força para trombar com zagueiros adversários, dificuldade em trabalhar de modo mais fixo na área e a ausência de continuidade deixam muitas interrogações sobre seu nome. Sua recuperação – física e técnica – no Internacional será fundamental para as chances do atacante.

Dodô
O atacante do Botafogo tem grande visão de jogo e boa capacidade e finalização, mas o comportamento em campo é misterioso (some da partida em muitos momentos) e já tem 31 anos. Além disso, há sérias dúvidas se realmente é um atacante adequado para competições de altíssimo nível de exigência técnica e física. No Rio de Janeiro, seu nome é falado com mais naturalidade e só por isso é relacionado aqui. Realisticamente falando, suas chances são remotíssimas.

Luís Fabiano
Não é titular do Sevilla, mas o sistema de rodízio implementado por Juande Ramos faz que todos estejam em ritmo de jogo. Assim, o ex-são-paulino tem oportunidade de recuperar a velha forma, com oportunismo e boa presença na área. O fato de já ter passado (sem sucesso) pela Seleção e de perder a cabeça em alguns momentos depõe contra. O próprio sevillista se vê como fora da disputa, mas tem apenas 26 (quase 27) anos e poderia, ao menos, ser considerado como opção.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo