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5 coisas que o Cruzeiro fez e os outros não (mas poderiam)

Ganhar o Campeonato Brasileiro certamente não tem uma fórmula feita. Todo ano tentamos traçar um paralelo para entender. A lição do Cruzeiro de 2013 não é de uma fórmula, mas como um time bem organizado pode desbancar inclusive os times que mais recebem dinheiro da TV, como Corinthians e Flamengo, e dar um soco no estômago da chamada “espanholização”. Por isso mesmo, mostramos cinco pontos que qualquer time grande do Brasil poderia ter feito e tentado seguir o mesmo caminho da Raposa.

 

1 – Apoio constante da torcida

O Cruzeiro teve a melhor média de público do Campeonato Brasileiro, com 28.714 pessoas em média. O menor público do time no campeonato foi na primeira rodada, quando o Cruzeiro levou 12.018 para ver a goleada por 5 a 0 sobre o Goiás. O jogo foi no estádio Independência, porque o Mineirão já estava interditado para a Copa das Confederações. O Mineirão se tornou a casa da Raposa a partir da sétima rodada e a torcida esteve no estádio.

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A ocupação média do estádio é de 55%, o que é alto, considerando que o Mineirão tem 57.483 mil lugares. O Cruzeiro conseguiu tomar o posto que tem sido ocupado sistematicamente por Corinthians ou Flamengo desde 2009. Isso sem ter uma das quatro ou cinco maiores torcidas do país. Boa parte dos clubes da Série A tem capacidade para fazer o mesmo. Não fizeram com a mesma intensidade.

2 – Apostas em jogadores em ascensão e baratos ou badalados em baixa

Poucos olharam para o Cruzeiro no início do ano e pensaram que o elenco era digno de campeão. Mas o time era forte. O elenco foi inteiramente remontado em relação a 2012. As contratações vieram de maneira variada. Vieram apostas como Ricardo Goulart, do Goiás, e Éverton Ribeiro, do Coritiba. Qualquer clube grande brasileiro poderia ter contratado esses jogadores. Até se especulou que outros clubes tentaram a contratação desses jogadores. O São Paulo quis Ricardo Goulart, mas não levou. Éverton Ribeiro chegou à Toca da Raposa por R$ 4 milhões, preço que outros grandes clubes poderiam ter pagado.

Vieram também jogadores mais experientes. Dedé chegou como uma das contratações mais caras do time e, apesar de ter demorado a se encaixar, se tornou o jogador de Seleção Brasileira que era no Vasco. Bruno Rodrigo sempre foi um jogador só razoável no Santos e na Portuguesa, mas se encaixou muito bem na Raposa. No ataque, Borges e Dagoberto chegaram em baixa, depois de momentos ruins no Santos e no Inter, respectivamente. Medalhões, vencedores, mas em baixa. Nilton, que nem sempre é valorizado, foi levado para Belo Horizonte e se tornou fundamental.  Se fossem ações, estariam no momento de preço baixo, mas com bom potencial de voltarem a crescer. Ainda assim, apostas. Que deram certo.

3 – Técnico competente e disponível

Marcelo Oliveira deixou o Vasco em baixa. Uma campanha ruim em um time desorganizado, depois de dois vices da Copa do Brasil pelo Coritiba, de onde também foi demitido. O trabalho no Vasco não deixou uma boa impressão, mas o trabalho no Coritiba já indicava que Marcelo Oliveira era um nome apara ficar de olho.

O Cruzeiro apostou em um técnico que não só não era um grande nome, mas ainda levou um treinador muito ligado ao rival Atlético, seja pela história como jogador, seja pela carreira de treinador. Qualquer um dos grandes clubes brasileiros tinha chance de contratar o técnico.

4 – Rotação do elenco sem perder qualidade

Ficar sem Borges e Dagoberto, a dupla de ataque que começou o campeonato como titular, seria um grande problema para qualquer clube. O Cruzeiro mal sentiu. Vinicius Araújo, centroavante da base, entrou e marcou gols importantes. Ricardo Goulart entrou no time como se fizesse parte dele há muito tempo.

Willian, que chegou durante o ano, entrou tão bem no time que virou titular e destaque do time. Borges e Dagoberto, quando voltaram, tiveram que vir do banco para retomar suas posições. Júlio Batista entrou bem em muitos jogos, mesmo sem ser o titular – como tomar a posição de Éverton Ribeiro, que jogou muito bem?

O Cruzeiro não teve um problema comum aos times brasileiros em geral: rodar o elenco sem perder qualidade. Além da questão cultural, que no Brasil faz jogadores e técnicos ficarem melindrados de mudarem o time com frequência para preservar o elenco fisicamente, normalmente falta um elenco de qualidade equilibrado entre titulares e reservas. O Cruzeiro conseguiu ter jogadores que entraram muito bem, muitos até de forma inesperada. Vinicius Araújo, Lucas Silva, Mayke, todos jogadores que vieram da base e passaram a exercer um papel importante na equipe jogando como titulares.

Assim, no massacrante calendário brasileiro, o Cruzeiro conseguiu manter seus bons resultados mesmo sem alguns dos seus jogadores. Isso sem dúvidas faz diferença em um ano que o Brasileiro foi tão apertado e fez os times jogadores duas vezes por semanas praticamente todo o segundo semestre.

5 – Preparação física especial

Em um ano com tantos jogos acumulados em dois dias da semana, o Cruzeiro conseguiu administrar com um preparo físico. O método utilizado ia além do que se fazia normalmente no Brasil. Como contou Eduardo Pimenta à ESPN, o Cruzeiro faz um mapeamento genético do seu elenco. Assim, consegue entender melhor as características individuais dos atletas para montar treinamentos específicos. Algo que Pimenta estudou quando participou de um grupo de estudos no Real Madrid. O número de lesões foi baixo e o time manteve um bom rendimento físico durante todo o campeonato.  Qualquer time poderia ter aplicado a este então.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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