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10 confrontos alternativos que marcaram a história da Copa do Brasil

A Copa do Brasil é essencialmente uma competição que reúne times de todas divisões e até os sem divisão para jogos que não podem acontecer em outras competições. Jogos entre times pequenos de estados diferentes, que raramente se enfrentam, fazem confrontos inusitados. Com o início da Copa do Brasil em 2016, veremos mais jogos assim, a começar por esta quinta, com o confronto entre Ferroviária, de Araraquara, e Salgueiro, de Pernambuco. Para celebrar o início do maior mata-mata do Brasil, fomos buscar confrontos bastante inusitados na história da Copa do Brasil e contamos um pouco como foram cada um deles. Lembra de mais algum confronto como esse? Coloque nos comentários.

Blumenau x Operário-MS (1989)

A primeira Copa do Brasil da história teve o confronto do Blumenau, então vice-campeão catarinense, contra o Operário, campeão sul-mato-grossense. No jogo de ida, em Santa Catarina, empate por 1 a 1, com gols de Carlão pelo Operário e Zé Antônio pelo Blumenau. Na partida de volta, no Morenão, vitória por 1 a 0 do Blumenau fora de casa, gol de Mirandinha. A campanha do Blumenau, porém, acabaria na próxima fase, quando o time foi eliminado pelo Flamengo.

Pinheiros-PR x Mixto (1989)

Um outro confronto interessante naquela Copa do Brasil foi entre Pinheiros, do Paraná, e Mixto, do Mato Grosso. O time acabaria justamente naquele ano, quando se juntaria ao Colorado e formaria o Paraná Clube. Mas, naquela edição da Copa do Brasil, foi adversário do Mixto e não conseguiu muito. Aliás, não conseguiu nada mesmo. Perdeu a ida no Pinheirão por 1 a 0. Na volta no estádio José Fragelli, o Mixto voltou a vencer, desta vez por 2 a 1, e avançou. Perderia do Grêmio por 5 a 0 na fase seguinte, em um só jogo, e acabaria eliminado.

América de Natal x Guarani-VA (2003)

O América de Natal é um clube tradicional do seu estado e participa com frequência da Copa do Brasil. Nenhuma surpresa aí. O caso é que o adversário foi o Guarani de Venâncio Aires. Ou seja: um time do Rio Grande do Norte enfrentou um do Rio Grande do Sul. A distância entre Natal e Venâncio Aires é de mais de quatro mil quilômetros.

Quem comandava o Guarani de Venâncio Aires era Mano Menezes, técnico que depois se consagraria pelo XV de Campo Bom e daria o salto na carreira ao ir para o Grêmio. Mas ali, ele tinha em campo Bolívar como zagueiro e teve gols marcados por Gilmar Nass e Aurélio para vencer por 2 a 1. O time potiguar marcou com David. No jogo de volta, no Machadão, o América venceu, curiosamente, com um gol de Sandro Gaúcho. Placar de 1 a 0 e classificação para a próxima fase. O América, porém, acabaria eliminado pelo Náutico na fase seguinte.

15 de Novembro x Portuguesa Santista (2004)        

Outro time do interior do Rio Grande do Sul, mas desta vez o confronto é ainda mais inesperado: com a Portuguesa Santista, que já nesta época sofria para manter-se como um time de primeira divisão. A boa campanha no Paulistão de 2003, porém, credenciou o time à Copa do Brasil. E ao confronto com o surpreendente 15 de Novembro.

Surpreendente porque o time gaúcho fez uma campanha histórica naquela temporada. E tudo começava naquele confronto alternativo com o time de Santos. E quem era o técnico do XV de Novembro? Sim, isso mesmo: Mano Menezes. Só que no início daquela campanha, a chapa esquentou. Em casa, o XV de Novembro ficou no empate por 1 a 1, gols de Dauri, para o XV, e Beto, para a Portuguesa Santista.

A classificação veio fora de casa. E nos gols fora de casa. Empate por 2 a 2 no Ulrico Mursa, gols de Nando, duas vezes, para a Santista, Leandro Moreno (contra) e Tiago Belmonte para o XV. A caminhada do time de Campo Bom só pararia na semifinal, diante do Santo André. O time do ABC paulista acabaria campeão contra o Flamengo na final.

Ulbra-RS x Treze-PB (2005)

Naquele ano de 2005, a Ulbra conseguiu a vaga para a Copa do Brasil. Não é muito comum. Atualmente, o time está na segunda divisão gaúcha e foi renomeado, a partir de 2009, de Canoas. O duelo foi uma loucura. O primeiro jogo, no Complexo Esportivo da Ulbra, no Rio Grande do Sul, vitória gaúcha por 3 a 0. Confronto definido? Nada disso.

No jogo de volta, em Campina Grande, o Treze fez 5 a 0 e tratou de ficar com a vaga. O time da Paraíba, aliás, iria longe na competição. Passaria pelo São Caetano, Coritiba e só caiu diante do Fluminense, nas quartas de final.

Juventus x Coruripe (2008)

O Juventus da Móoca não é um time que costuma ficar na primeira divisão paulista nos últimos anos. Em 2007, o time foi campeão da Copa Paulista e, por isso, foi para a Copa do Brasil. Foi assim que o time protagonizou um dos confrontos mais alternativos e épicos da história da Copa do Brasil.

No jogo de ida, no estádio Gérson Amaral, em Coruripe, o time alagoano fez a festa: vitória por 4 a 1, diante de um pequeno público de 990 pessoas. Um placar que parecia ter definido o confronto. Só que o jogo de volta reservou ainda mais emoções.

Na Rua Javari, com 583 pessoas assistindo, o Juventus fez o improvável: venceu por 5 a 1 e arrancou a classificação na marra. Aliás, mais do que isso: o jogo tinha o placar de 4 a 1 até os 43 minutos do segundo tempo. Foi ali que Kanu marcou o quinto gol, o da classificação e o seu segundo no jogo. A aventura só durou mais uma fase. Contra o Náutico, o Juve até conseguiu uma incrível vitória por 2 a 0 em casa, no estádio Antônio Guimarães, em Santa Bárbara do Oeste (porque o jogo foi à noite e o time não podia jogar na Rua Javari, que não tinha iluminação). Na volta, nos Aflitos, tomou 3 a 0 e foi eliminado.

Votoraty-SP x Treze-PB (2010)

A Copa Paulista proporcionou também ao Votoraty a chance de disputar a Copa do Brasil. Campeão em 2009 do torneio estadual, o Votoraty teve pela frente logo na primeira fase o Treze, da Paraíba, muito mais tradicional. O time do interior paulista, porém, foi um osso tão duro que o Treze não conseguiu roer.

Em casa, no estádio Domenico Mettidieri, o Votoraty goleou por 4 a 0. Uma vitória acachapante de um time pequeno, que atualmente nem disputa mais divisões profissionais do Campeonato Paulista. Na volta, em Campina Grande, no estádio Amigão, o Treze venceu por 2 a 1, insuficiente para avançar. O Votoraty foi à frente, mas caiu diante do Grêmio, na fase seguinte.

Iraty x Grêmio Prudente-SP (2011)

Dois times que são caracterizados como times de empresários se enfrentando. O Iraty ficou conhecido por sua boa relação com empresários e até com o técnico Vanderlei Luxemburgo em determinado momento da sua carreira. Os dois times fizeram o jogo de ida em uma quarta-feira e o Iraty venceu por 3 a 1 no estádio Emílio Gomes, em Irati. O Prudentão foi o palco do jogo de volta, que teve uma reviravolta: o Grêmio Prudente venceu por 3 a 0 e se classificou. O time de Presidente Prudente (naquele momento, ao menos, porque já tinha sido de Barueri também) acabou eliminado pelo Atlético Mineiro na fase seguinte.

Bahia de Feira x Aquidauanense (2012)

O campeão baiano de 2011, Bahia de Feira, foi para a Copa do Brasil e de cara teve um confronto marcante, ao menos do ponto de vista do futebol alternativo. Enfrentou o Aquidauanense (cuidado na hora de ler), vice-campeão do Mato Grosso do Sul. No jogo de ida, no Douradão, vitória dos sul-mato-grossenses por 1 a 0 diante de famigeradas 585 testemunhas.

Aí, então, veio o jogo de volta. O Bahia de Feira, jogando no Jóia da Princesa, em Feira de Santana, venceu por 2 a 0, com 1.728 pessoas assistindo, e avançou. Na fase seguinte, o time baiano enfrentou o São Paulo e acabou eliminado já no primeiro jogo, na Bahia, com um 5 a 2.

Caxias x Capivariano (2015)

Na edição de 2015, também tivemos um confronto bastante inusitado: o Capivariano, campeão da Série A2 do Paulista, ganhou uma vaga na Copa do Brasil. Sim, isso mesmo, a Federação Paulista de Futebol resolveu dar uma vaga para o campeão da segunda divisão paulista. Sorteado contra o Caxias, do Rio Grande do Sul, o Capivariano teve o mando do jogo de ida. E aproveitou.

Jogando no estádio Carlos Colnaghi, em Capivari, o time venceu por 3 a 0, e foi para Caxias do Sul. Empatou por 0 a 0 e se garantiu na fase seguinte. Tudo bem que não durou muito, porque na segunda fase o time paulista caiu diante do Botafogo. Mas valeu a aventura para o pequeno time do interior de São Paulo.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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