Ásia/OceaniaMundial de Clubes

Guangzhou tem as armas que ninguém teve para incomodar sul-americanos e europeus

Quando o Torneio Intercontinental foi absorvido pela Fifa, e virou o Mundial de Clubes que conhecemos hoje em dia, o duelo pelo título de melhor time do mundo deixou de ser disputado exclusivamente por sul-americanos e europeus. Na teoria, evidentemente. Na prática, apenas Mazembe e Raja Casablanca conseguiram superar a barreira das semifinais e chegar à decisão. Na edição deste ano, o Guangzhou Evergrande aparece com mais armas que todos os seus antecessores para tentar fazer o mesmo.

LEIA MAIS: Goleiro do Auckland que falhou no Mundial tem outra especialidade: o direito

Não quer dizer que conseguirá, até por causa do sorteio. Se o os chineses passarem pelo América, pegam o Barcelona. Contra o River Plate, poderia dar um jogo razoavelmente equilibrado. Mais provável, quase certo, é uma derrota de Felipão e companhia para Neymar, Messi e seus colegas, mas o Guangzhou, com seu investimento milionário em estrelas brasileiras, é o time mais bem qualificado a disputar o Mundial de Clubes, além dos europeus e sul-americanos.

Como time coletivo e bem treinado, pode até deixar a desejar para algum dos mexicanos, que por outro lado nunca corresponderam às expectativas no Mundial. No geral, foram presas fáceis, com poucas exceções, como o Atlante contra o Barcelona, em 2009. Houve também o Al Ahly de Aboutrika, que disputou a competição cinco vezes (2005, 2006, 2008, 2012 e 2013), com o grande ídolo do futebol egípcio e outros colegas de seleção.

Alguns clubes asiáticos e da Concacaf  já levaram jogadores conhecidos, mas geralmente em final de carreira e em menos quantidade. Washington, ex-Atlético Paranaense e Fluminense, defendeu o Urawa Red Diamonds. O Al Ittihad teve Tcheco. O América, do México, teve as metas defendidas por Guillermo Ochoa. O Al Wahda, em 2010, tinha Magrão, Fernando Baiano e Hugo. Nada comparável ao que o Guangzhou Evergrande tem à disposição, nem mesmo em relação à primeira participação dos chineses, em 2013, quando o time de Marcelo Lippi tinha Muriqui, Elkeson e Darío Conca.

Elkeson continua por lá, mas ganhou a companhia de Robinho, que dispensa explicações, e Ricardo Goulart, um dos melhores jogadores da última edição do Campeonato Brasileiro. Ainda tem o atacante Alan, ex-Red Bull Salzburg, e Paulinho, campeão sul-americano pelo Corinthians e o terceiro melhor atleta da Copa das Confederações de 2013. O técnico Luiz Felipe Scolari tem pelo menos as mesmas credenciais que Marcelo Lippi. Até mais.

“Estou indo para o meu terceiro mundial”, afirma Felipão, que treinou Grêmio e Palmeiras nessa competição nos anos noventa. “Sabemos que ainda precisamos de muito mais experiência internacional e que as equipes que vamos enfrentar tem mais retrospecto que a nossa. Podemos vencer nosso primeiro adversário se continuarmos a trabalhar como o fizemos até agora. A China espera que o nosso time jogue um bom futebol”.

A grande mudança é no perfil de contratações que a China está conseguindo fazer, com um grande investimento financeiro. No Guangzhou, começou em junho de 2010, quando o presidente Liu Yongzhuo, empresário do setor imobiliário, começou a abrir os bolsos. Lippi levou € 130 milhões por dois anos de contrato para comandar a primeira versão dos galáticos asiáticos. Robinho foi seduzido por uma proposta de R$ 3,4 milhões mensais. Para ficar apenas em dois exemplos.

O Shandong Luneng, que trocou Cuca por Mano Menezes, também investiu bastante, com Montillo, Jucilei e Diego Tardelli, que chegou para o lugar de Vágner Love. Vanderlei Luxemburgo está comandando o projeto do Tianjin Songjiang, da segunda divisão, que pretende ser o próximo elenco estrelado da China e já especula Luis Fabiano e Jadson.

Dificilmente, o Guangzhou conseguirá uma campanha histórica no Mundial de Clubes, mesmo passando pelo América. O Barcelona foi o melhor time do mundo nos últimos meses, com Messi, Suárez e Neymar muito bem entrosados. Pode, por outro lado, tentar fazer um jogo duro contra os europeus, que ao contrário dos sul-americanos, quase sempre passearam nas semifinais. A exceção foi o Milan, em 2007, que bateu o Urawa Red Diamonds com um gol de Seedorf, aos 23 minutos do segundo tempo. Conseguirá o estrelado Guangzhou fazer o mesmo com o Barça?

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo