Ásia/Oceania

Fábio Januário: o sonho do tri iraniano acabou

Nascido em Londrina, interior do Paraná, mas criado em Cascavel, no mesmo estado, o meia brasileiro Fábio Januário passou por várias dificuldades no futebol. Desconhecido do público, o atleta começou no próprio Cascavel, ao mesmo tempo em que estudava engenharia – concluiu o curso em 2002. Quando estava no CTE Colatina (Espírito Santo), Januário recebeu a chance da carreira e rumou para Portugal, a fim de defender o Gil Vicente.

Passou ainda pelo tradicional Belenenses, que atualmente briga para voltar à elite lusitana, mas não estava sendo sequer relacionado no banco de reservas, quando apareceu a oportunidade de jogar no futebol do Irã. Com o objetivo de fazer o pé de meia, Fábio Januário desembarcou no país persa para defender o modesto Foolad, que acabou rebaixado em 2006-07.

Crescimento

Mesmo atuando na segunda divisão, Fábio Januário chamou a atenção dos grandes clubes do país. O Foolad fez boa campanha, perdendo a vaga na elite nos playoffs de promoção, pelo gol marcado fora de casa. Porém, o brasileiro conseguiu mudar de time e assinou contrato com o tradicional Esteghlal, segundo maior vencedor do Campeonato Iraniano, com sete títulos, dois atrás do Persepolis.

Logo na primeira temporada, o meia foi campeão nacional, destacando-se nas assistências para gol, oito no total, atrás de três jogadores, que deram nove passes decisivos – Esteghlal e Zob Ahan somaram 66 pontos, vantagem no saldo de gols (36 contra 16) para o time de Januário. Após mais uma temporada, o brasileiro acertou transferência para o Sepahan, então atual vencedor da liga nacional e sensação do Irã.

Mais títulos

Em 2010-11, Fábio Januário deu início à série de troféus com seu novo clube, localizado em Isfahan, a 450 km da capital do país, Teerã. Em intensa disputa com Esteghlal e Zob Ahan, o novo time de Januário somou 66 pontos, um de vantagem para seu ex-clube, sendo campeão – o brasileiro atuou em 22 jogos, marcando um gol.

Na temporada 2011-12, a briga foi ainda mais acirrada. Depois de 34 rodadas, o Sepahan acumulou 67 pontos (19v, 10e, 5d), apenas um à frente de Tractor Sazi e Esteghlal, no ano em que Fábio Januário mais atuou: 29 partidas e cinco gols, tendo a companhia do atacante Bruno Correa – fez sucesso no futebol da Armênia e hoje está no Al Nasr (Emirados Árabes Unidos) –, um dos poucos colegas brasileiros no Irã.

Falta de sorte

Em 2012-13, Fábio Januário voltou a defender o Esteghlal, que já havia lhe proporcionado momentos históricos. Em entrevista a esta coluna, o brasileiro relata o primeiro título iraniano:

“O país se pintou de azul. Resumindo em números, foram 80 mil no estádio no último jogo. Rumamos para o aeroporto a fim de retornarmos a Teerã e tivemos que entrar com o ônibus diretamente da pista de decolagem ao lado do avião, pois havia multidão de 15 mil à nossa espera. Depois, na chegada a Teerã, 40 mil nos aguardavam no aeroporto. Tivemos que ser escoltados pela polícia até os carros. O trânsito na cidade estava parado, com o povo em festa, com bandeiras, pinturas em carros, nos rostos, músicas etc. Nunca vi nada parecido”, diz Januário.

Portanto, a intenção do jogador de 33 anos era justamente reviver momentos de grande emoção em 2012-13. Entretanto, a segunda passagem do brasileiro terminou precocemente, junto com a possibilidade de Januário levantar a terceira taça do Campeonato Iraniano de forma consecutiva…

O meia estava atuando bem, era titular da equipe, tendo disputado dez partidas, oito entre os onze iniciais, ficando em campo nos 90 minutos em seis. Porém, na parada de 20 dias entre a 11ª e a 12ª rodadas, quando o Esteghlal estava na segunda posição, com 22 pontos (11v, 6e, 4d), um atrás do Sepahan, Januário preferiu viajar para o Brasil.

O brasileiro retornou semanas depois, mas teve constatada uma grave lesão no pé. Os médicos do Sepahan deram o diagnóstico: cirurgia e de três a quatro meses de molho (até fevereiro de 2013). Levando em conta a idade avançada de Januário, o clube achou que o jogador não estaria apto a sequer fechar a temporada dentro de campo, por causa do recondicionamento físico.

A opção foi rescindir o contrato de Fábio Januário ainda em outubro de 2012, mesmo diante da importância do brasileiro no país. Atualmente sem clube – marcou duas vezes na temporada, a última delas em 26 de setembro de 2012, o gol da vitória de 2 a 1 contra o Sanat Naft, fora de casa –, o meia brasileiro sabe que poderia ter terminado com um recorde de três títulos iranianos em sequência, por dois clubes. Uma grande pena.

Curtas

– A briga pela primeira posição está acirrada. O Esteghlal é líder, com 41 pontos em 21 jogos (12v, 5e, 4d), três de vantagem para o Tractor Sazi. O Foolad, primeiro time de Fábio Januário no Irã, vem em terceiro, com 37 pontos, ávido por tropeços dos líderes – O Sepahan é o quarto, com 34.

– A decepção por enquanto atinge duas equipes. O Zob Ahan brigou pelas primeiras posições nas temporadas anteriores, mas em 2012-13 é apenas o 16º e antepenúltimo na tabela, com 18 pontos (4v, 6e, 11d). Até o maior campeão nacional, Persepolis, vem passando aperto. A equipe esteve por quatro rodadas na zona de rebaixamento, mas se recuperou e aparece em 12º lugar, com 26 pontos, seis acima da degola.

– Atualmente, 14 brasileiros participam da primeira divisão do Irã. Os atacantes estão em maior número (seis), contra dois no meio-campo e três na defesa e no gol. Os mais conhecidos são o goleiro Nilson Corrêa Júnior, 37 anos, que se naturalizou burquinense para defender a seleção africana na Copa Africana de 2012 (sem sucesso), do Persepolis, e o zagueiro Márcio Alemão, 31, do Saipa, com passagens por Guarani e Ipatinga, atual Betim FC.

– Porém, quem vem fazendo sucesso é o atacante Luciano Pereira Mendes, o Chimba, de 29 anos. Ex-América de Natal, Brasiliense e Linense, o atleta tem oito gols na competição, cinco a menos que o artilheiro. Ele joga pelo Foolad.

– Pode-se dizer que os três goleiros brasileiros também estão com saldo positivo. Nilson passou oito jogos sem levar gols, pior apenas que Mehdi Rahmati, titular do Esteghlal e da seleção iraniana, que ficou 13 partidas sem ser vazado. No Paykan, Fábio Carvalho (ex-America do Rio) tem cinco jogos sem levar gols, mas 39 sofridos na temporada. Luiz Fernando, do Aluminium Hormozgan, passou quatro partidas sem buscar a bola nas redes.

Mostrar mais

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo